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PAIGC: Guiné-Bissau está pronta para promover Estado de Direito

O candidato do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) às presidenciais na Guiné-Bissau disse hoje, em Lisboa, que os guineenses estão preparados para virar a página e promover um Estado de Direito democrático.

PAIGC: Guiné-Bissau está pronta para promover Estado de Direito
Notícias ao Minuto

23:18 - 13/10/19 por Lusa

Mundo Domingos Simões Pereira

"Eu venho dizer que chegou a hora da Guiné-Bissau. Durante muito tempo andamos à procura do rumo. Mas acho que hoje, mais do que nunca, o guineense está pronto para virar a página, para dar uma oportunidade a si próprio, para promover um Estado de Direito democrático", disse o candidato Domingos Simões Pereira, em declarações aos jornalistas antes de iniciar, próximo da hora prevista, o discurso para centenas de emigrantes que o esperavam no auditório da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Questionado pelos jornalistas sobre se o facto de hoje estarem a decorrer em Lisboa, quase à mesma hora, três comícios de três candidatos às presidenciais da Guiné-Bissau para a comunidade de emigrantes guineenses não poder ser um fator desfavorável para todos, Domingos Simões Pereira disse que não queria fazer nenhuma avaliação sobre isso, mas acabou por considerar que era "uma coincidência algo despropositada".

"Cada uma das candidaturas tem a liberdade de escolher o espaço que entende ser o melhor, mas realmente tem sido uma coincidência já algo despropositada. Penso que aproveitaríamos melhor a oportunidade de comunicar à comunidade se escolhesse-mos outros momentos. Vale o que vale e a nossa comunidade saberá interpretar", afirmou no meio de um ambiente animado com muita música, que enchia hoje o espaço da Faculdade de Letras, em Lisboa.

Para um auditório cheio, Domingos Simões Pereira prometeu "o respeito escrupuloso pelo Estado de direito democrático", onde a "Lei tem de estar por cima de todos".

Depois, defendeu que "o Presidente da República tem de ser o símbolo da unidade nacional".

"O Presidente da República não pode ter comportamentos que se associam a grupos, a etnias, a religiões. O Presidente da República tem de estar por cima disto tudo e congregar esta moldura e convocar os guineenses para a manifestação e celebração daquilo que nos une e não daquilo que nos desune", afirmou o candidato do PAIGC.

Sobre a importância da comunidade emigrante guineense na decisão das eleições, Domingos Simões Pereira disse que esta "tem um voto qualitativo".

"A diáspora guineense é uma grande reserva, uma reserva política, intelectual e económica, e portanto este é o sentimento da maioria da população guineense", afirmou.

Domingos Simões Pereira considerou que o voto dos emigrantes "é um voto de qualidade e que representa o conjunto do país."

Em Lisboa, além do comício para a comunidade guineense em Portugal, o candidato do PAIGC, tal como o próprio confirmou, encontrou-se também "com elementos de vários partidos políticos portugueses, nomeadamente do Partido Socialista".

Ali quase ao lado, na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa, também hoje, o candidato presidencial e atual Presidente da República da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, disse que o maior combate político do seu país é garantir que o dinheiro do Estado vá para os cofres estatais.

"Foi um combate sério, o combate ao tráfico de droga na Guiné-Bissau [...], mas sobretudo, a forma como o dinheiro público não vai para os cofres do Estado é que é o maior problema e o maior combate político na Guiné-Bissau", afirmou José Mário Vaz, num comício a que os seus apoiantes preferiram chamar de encontro com a comunidade guineense em Portugal.

Num discurso em crioulo, que começou mais de três horas depois do previsto, para algumas centenas de pessoas, José Mário Vaz apelou ao regresso dos emigrantes à Guiné-Bissau, "sem medo", e prometeu "paz, tranquilidade, estabilidade e liberdade" caso continuasse à frente dos destinos do país.

Três candidatos às presidenciais da Guiné-Bissau estiveram hoje em Lisboa em ações de campanha junto da comunidade guineense.

José Mário Vaz, atual Presidente, que concorre para a sua reeleição, Domingos Simões Pereira, antigo primeiro-ministro e candidato apoiado pelo PAIGC, e Umaro Sissoco Embaló, também antigo primeiro-ministro, acompanhado de Braima Camará, líder do Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15) que o apoia, apresentaram, assim, hoje, as suas propostas, na capital portuguesa, local de maior concentração de emigrantes guineenses.

Num comício popular num bairro da Amadora, nos arredores de Lisboa, Umaro Sissoco Embaló disse que se for eleito Presidente, os guineenses voltarão a ter o respeito em Portugal e sentirão o orgulho do seu país.

"Se eu for Presidente todos os guineenses na diáspora terão o orgulho de serem cidadãos daquele país", observou Umaro Sissoco Embaló, candidato apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15).

Embaló responsabilizou o PAIGC, liderado por Simões Pereira, de estar a "mentir ao povo guineense" quando aquele partido afirma ter sido autor da captura das cerca de duas toneladas de cocaína, no início do mês de agosto último.

Umaro Sissoco Embaló desmentiu ainda que tenha "qualquer pretensão sequer" de transformar a Guiné-Bissau num estado islâmico "como muitos dos adversários insistem em dizer", considerando impossível que isso aconteça.

Entre os 19 candidatos às eleições presidenciais, marcadas para 24 de novembro próximo, candidaturas ainda por validar pelo Supremo Tribunal, estão Domingos Simões Pereira, candidato pelo PAIGC (partido vencedor das eleições legislativas), Umaro Sissoco Embaló, José Mário Vaz e o ex-primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, ambos como independentes, e Nuno Nabian, da Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), que é apoiado pelo Partido da Renovação Social (PRS).

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