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Candidato conservador vence segunda volta das presidenciais na Tunísia

O professor de Direito Constitucional e candidato independente Kais Saied venceu a segunda volta das eleições presidenciais na Tunísia, com mais de 75% dos votos, de acordo com sondagens à boca das urnas.

Candidato conservador vence segunda volta das presidenciais na Tunísia

O anúncio da previsão de vitória expressiva sobre o rival Nabil Karoui está a animar os apoiantes de Saied, que saíram para as ruas na capital da Tunísia, Tunes, em manifestações de alegria.

Kais Saied é um jurista conhecido pelas suas posições conservadoras no campo social, que já tinha vencido a primeira volta das eleições presidenciais, em 15 de setembro, com 18,4% dos votos, após uma campanha de baixo custo que se limitou a visitas a várias localidades e com uma forte aposta na rede social Facebook.

Saied é um candidato independente, apoiado pelo partido islâmico Ennahdha, que venceu as eleições parlamentares em 06 de outubro, ficando à frente do partido Coração da Tunísia, que apoiou o candidato agora derrotado, Nabil Karoui.

A campanha foi dominada pela detenção de Nabil Karoui, em final de agosto, acusado num processo de fraude fiscal e branqueamento de capitais, que soube do seu resultado na primeira volta (15,6%) a partir da cela da prisão.

Karoui, um magnata dos 'media', foi libertado na passada quarta-feira, apenas a alguns dias da segunda volta, sob protestos de várias organizações e partidos, incluindo a missão de observação da União Europeia, que lamentou a "campanha de silêncio", pela ausência de iniciativas de um dos dois candidatos.

Até Kais Saied chegou a interromper a sua campanha, denunciando a falta de oportunidade para debater com o seu adversário e pedindo a sua libertação, o que foi negado por várias vezes pelos tribunais.

Na sua campanha, Saied insistiu no combate à corrupção, "moral e financeira", e na necessidade de os detentores de cargos públicos serem responsabilizados pelas suas políticas e iniciativas, apresentando-se como um "homem do povo" e tentando salientar as suas diferenças de caráter com Karoui, a quem acusou de ser "populista".

Os cerca de sete milhões de eleitores tunisinos foram chamados a eleger o seu novo Presidente de forma democrática apenas pela segunda vez, procurando estabilizar o regime democrático, construído a partir da Primavera Árabe, de 2011.

Os resultados oficiais da segunda volta das eleições presidenciais apenas deverão ser conhecidos no final de segunda-feira.

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