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UE apela a que seja evitada uma "escalada" no Equador

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, apelou hoje à "contenção" de todas as partes e que seja evitada uma "escalada" no Equador, onde o Presidente Lenín Moreno declarou o estado de emergência em resposta à contestação social.

UE apela a que seja evitada uma "escalada" no Equador

"A Alta representante recordou que a contestação social no quadro da lei é legítima, mas deve permanecer respeitosa e pacífica. Todos os atores devem demonstrar contenção e evitar uma nova escalada", referiram em comunicado os serviços de Mogherini, após uma conversa telefónica entre a italiana e o ministro dos Negócios Estrangeiros do Equador, José Valência.

O país está a ser abalado nos últimos dias por um movimento social inédito desde 2007, com bloqueios de estradas, manifestações por vezes violentas e greves que paralisam o país.

Os incidentes, também caracterizados por forte reação policial, impeliram o Governo a decretar na quinta-feira o estado de emergência e a transferir-se para a cidade portuária de Guayaquil por motivos de segurança.

Federica Mogherini também saudou a oferta de mediação da Igreja e das Nações Unidas, "sublinhando a necessidade de um diálogo construtivo sobre as reformas e que decorra nas instituições políticas e democráticas equatorianas competentes".

Na terça-feira, a ONU já tinha pedido às autoridades equatorianas que garantam o direito dos cidadãos de se manifestarem pacificamente e sublinhou que qualquer uso da força deve ser "proporcionado".

"As pessoas devem poder expressar as suas opiniões e reunir-se pacificamente", defendeu Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU.

O país está a viver uma crise institucional e política desde a semana passada, na sequência do anúncio de uma série de medidas para "revitalizar a economia", incluindo a suspensão dos subsídios ao combustível.

O anúncio feito pelo Presidente Lenín Moreno provocou uma greve dos trabalhadores dos transportes, que terminou poucos dias depois, mas os distúrbios têm-se multiplicado em todo o país e no fim de semana os indígenas -- que representam 7% da população -- começaram a juntar-se aos protestos.

No sábado e no domingo, as estradas da serra Andina foram alvo de uma onda de saques e destruição, e na madrugada de hoje as ruas estreitas do centro histórico de Quito tornaram-se um campo de batalha entre manifestantes de diferentes grupos e a polícia.

Pneus queimados, pedras e 'cocktail molotov' atirados e vários bens públicos destruídos era o cenário visível esta manhã na capital, avançou a agência de notícias espanhola Efe.

Quando os distúrbios chegaram à praça de Santo Domingo, a poucas centenas de metros da sede da Presidência, a polícia teve de se retirar e as forças militares decidiram evacuar o Palácio Carondelet e transferir o Presidente Lenín Moreno para Guayaquil, capital económica do pequeno país andino.

Já nessa cidade, o Presidente fez uma declaração na televisão e na rádio públicas para pedir calma e acusou o ex-Presidente Rafael Correa de uma "tentativa de golpe de Estado".

"O que aconteceu não é uma manifestação social de protesto contra uma decisão do Governo. Foi uma demonstração política que visa acabar com a ordem democrática", disse.

Existem "pessoas externas pagas e organizadas" para usar a mobilização dos povos indígenas com o objetivo de saquear e desestabilizar, acrescentou.

Na sua mensagem, Moreno apareceu ao lado do vice-Presidente, Otto Sonneholzner, do ministro da Defesa, Oswaldo Jarrín, e de quatro generais em uniforme de combate.

O Presidente equatoriano instou a Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie) a iniciar "um diálogo sincero" e garantiu que "essa porta nunca se fechou".

Pouco depois, os indígenas libertaram meia centena de polícias e militares retidos desde sábado, segundo o canal Ecuavisa, e a Conaie divulgou um comunicado no qual "rejeitou e repudiou" todos os distúrbios violentos, atribuindo-os à "infiltração de agentes provocadores e violentos" que querem "causar o caos" no país.

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