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Aumenta a pobreza na Argentina e impacta na corrida eleitoral

A pobreza na Argentina aumentou 8,1% pontos percentuais no primeiro semestre de 2019 face ao período homólogo, afetando agora 35,4% da população, o índice mais alto de todo o mandato do Presidente do país, Mauricio Macri, foi hoje anunciado.

Aumenta a pobreza na Argentina e impacta na corrida eleitoral

Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (INDEC), os 8,1% de aumento significam 3,2 milhões de novos pobres. A Argentina tem 44,3 milhões de habitantes.

Já o índice de indigência, pessoas que vivem abaixo do limiar da pobreza, varia entre 4,9% a 7,7%, afetando 3,1 milhões de argentinos.

Os números são relativos ao primeiro semestre de 2019, comparado com o mesmo período de 2018, quando a pobreza atingia 27,3% da população.

Em abril do ano passado, a economia argentina entrou em turbulência com sucessivas desvalorizações do peso, a moeda do país, que significaram um aumento da inflação com perda do poder de compra. Ao mesmo tempo, o país entrava em recessão.

Em agosto, a inflação chegou a 4% e setembro projeta-se a 6% como efeito da desvalorização de 30% do peso argentino durante agosto. A situação é atribuída ao resultado eleitoral das primárias, que revelaram uma provável derrota de Mauricio Macri em outubro e a vitória do candidato de Cristina Kirchner (ex-Presidente da argentina que sucedeu ao seu marido), Alberto Fernández.

"Os mercados já desconfiavam da Argentina, mas Macri ainda tinha credibilidade. Com Cristina Kirchner, não há credibilidade alguma. Em três semanas, a economia passou a ter a cara e o nível que havia durante o período do governo de Cristina Kirchner", comparou à Lusa o economista Fausto Sportono.

O aumento da pobreza é considerado o maior dos fracassos do Presidente argentino que, quando assumiu o cargo em dezembro de 2015, pediu para ser avaliado, no final do seu mandato precisamente por este indicador.

Como candidato, Macri colocou como meta reduzir a pobreza a zero, um objetivo considerado pelos analistas como utópico. Em dezembro de 2015, a pobreza atingia 29% da população, segundo a Universidade Católica e não pelo instituto oficial, o INDEC.

Os governos dos Kirchner começaram a manipular o índice de inflação - com consequência direta na pobreza - em 2007 e deixaram de divulgar o índice de pobreza em 2014.

No final de 2017, o chefe de Estado tinha conseguido reduzir a pobreza para 25,7%, mas tudo mudou em 2018. Nos últimos 12 meses, a cesta básica, abaixo da qual se considera pobre, aumentou 58,9% enquanto os salários aumentaram, em média, 35%.

"Mesmo que esse número doa, é preciso olhar para frente. Não maquilhamos a realidade e prestamos contas com honestidade", declarou Macri, numa alusão ao mandato de Cristina Kirchner, acusada de manipular os dados oficiais, sendo que membros do seu Governo enfrentam processos na justiça por corrupção.

"Vem agora uma etapa melhor com crescimento, trabalho e melhoria do salário", prometeu Macri, que hoje anunciou a redução a zero dos encargos sociais de novos empregados como forma de aumentar o emprego caso seja reeleito em 27 de outubro.

O candidato opositor, Alberto Fernández, respondeu-lhe: "A única coisa que Macri fez foi submergir na pobreza cinco milhões de argentinos".

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