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Mais velho sobrevivente austríaco do Holocausto morre aos 106 anos

Morreu 79 anos depois de um guarda nazi lhe dizer que tinha três meses para viver.

Mais velho sobrevivente austríaco do Holocausto morre aos 106 anos

O mais velho sobrevivente austríaco do Holocausto morreu aos 106 anos, esta quinta-feira em Salzburgo, na Áustria, vítima de uma infeção pulmonar, deu conta a agência de notícias austríaca APA.

Marko Feingold passou por quatro campos de concentração, incluindo Auschwitz, na Polónia. Apesar da sua idade, ainda há um ano participava em conferências e falava nas escolas sobre a sua experiência, de acordo com declarações feitas à agência France-Presse.

Nascido a 28 de maio de 1913, como cidadão austro-húngaro, no território da atual Eslováquia, Marko Feingold fugiu após a anexação nazi da Áustria em 1938 para evitar a perseguição como judeu, mas foi preso pela Gestapo em Praga e deportado para Auschwitz em 1940.

"Disseram-me que tinha três meses de vida. Era verdade: ao fim de dois meses e meio estava prestes a sucumbir à exaustão quando por acaso fui enviado para Neuengamme", um outro campo situado na Alemanha.

Com o número 11.996, seria ainda transferido para Dachau e depois Buchenwald, onde o seu ofício de pedreiro lhe salva a vida. É o único sobrevivente da sua família, deixa Buchenwald, libertado pelos norte-americanos, em maio de 1945 e, impossibilitado de ir para Viena como desejava, estabelece-se em Salzburgo, onde presidiu à pequena comunidade judaica da cidade e viveu até à morte.

Após a guerra e até 1947 organizou uma rede que permitiu a "100.000 judeus emigrarem para a Palestina" através de Itália. Mas recusou deixar a Áustria, apesar das dificuldades encontradas quando regressou ao país, onde o antissemitismo estava ainda muito presente.

"Era impossível encontrar emprego. Quem tivesse vindo dos campos era forçosamente um criminoso. Então tive de começar um negócio", contou à AFP. Criou uma loja de roupa e prosperou.

Áustria foi tardia em reconhecer o seu papel no Holocausto, mas desde o final da década de 1990 tem feito um significativo trabalho de memória e Marko Feingold foi alvo de honras oficiais no seu país. 

O antigo chanceler austríaco conservador Sebastian Kurz considerou que Feingold tinha uma "personalidade incrivelmente impressionante" e que a sua experiência mostrava ser nossa "responsabilidade nunca esquecer as atrocidades nazis".

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