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Solução para Espanha passa por compromisso entre PSOE e Cidadãos

Um acordo entre os partidos do centro político espanhol, PSOE (socialistas) e Cidadãos (direita liberal), é visto pelos analistas como uma saída possível para o atual impasse num sistema com cinco formações políticas com 10 a 30% dos votos.

Solução para Espanha passa por compromisso entre PSOE e Cidadãos

Os espanhóis deverão ser chamados às urnas em 10 de novembro próximo, depois de o rei, Felipe VI, ter constatado na terça-feira a inexistência de uma maioria possível para reconduzir Pedro Sánchez, o secretário-geral do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), como primeiro-ministro do país.

"A situação está colapsada e a única opção possível é que se rompa a lógica direita-esquerda", disse à agência Lusa o Professor de Comunicação e Política Internacional na Universidade Europeia de Madrid, José Maria Peredo Pombo, acrescentando que PSOE e Cidadãos "têm de rever as suas posições".

Se, como tudo indica, forem marcadas eleições, as quartas nos últimos quatro anos, as sondagens indicam que tanto o PSOE como o PP (Partido Popular, direita) sobem na intenção de votos dos espanhóis, mas continuaria a haver dificuldade em formar um Governo estável, sem uma maioria clara no bloco de esquerda ou de direita.

Socialistas e direita liberal juntos já conseguem reunir a maioria dos membros do parlamento que vai ser dissolvidos, mas divergências profundas, principalmente sobre como deve ser tratado o problema colocado pelos independentistas catalães e a condução da política económica, afastaram qualquer tentativa de compromisso entre estes dois campos.

A Espanha tem assistido a uma grande instabilidade política desde que em 2015 terminou o anterior sistema bipartidário -- em que PSOE e PP se intercalavam no Governo -- com a entrada no parlamento do Podemos (extrema-esquerda) e do Cidadãos.

Nas eleições legislativas de 28 de abril último o parlamento ficou ainda mais fragmentado com o aparecimento do Vox (extrema-direita) que conseguiu mais de 10% dos votos.

"Assistimos a um fracasso da nova geração de políticos que lideram os cinco maiores partidos na primeira tentativa que tiveram para tentar encontrar uma solução governativa", disse José Maria Peredo Pombo.

Para este professor universitário, há uma grande pressão para não se dar responsabilidades de Estado aos partidos extremistas ou anti sistema -- Unidas Podemos e Vox -- que as sondagens indicam que estão a perder força.

Outro partido que diminui na intenção de votos é o Cidadãos, o que para Peredo Pombo é um "paradoxo", porque poderá ser o partido central e decisivo na futura solução governativa.

Uma coisa parece certa, "os espanhóis estão fartos de ir votar, a abstenção deverá aumentar e os partidos tradicionais [PSOE e PP] irão recuperar uma parte dos votos perdidos", segundo o catedrático.

O Professor de Meios de Comunicação e Política da Universidade de Navarra Carlos Barrera defende que durante a campanha eleitoral os líderes do PSOE e do Cidadãos vão manter a mesma "lógica de confronto", como até agora.

"Mas numa situação de emergência nacional por falta de acordo para formar Governo, não considero ser impossível que se metam de acordo depois das eleições", segundo este analista.

Para Carlos Barrera "é improvável mas não impossível" um compromisso entre os dois partidos no centro do espetro político espanhol, podendo ainda ser explorada a possibilidade de PP e Cidadãos se absterem para permitir um Governo socialista.

Em 2016, uma parte dos deputados do PSOE abstiveram-se para permitir a formação de um Governo minoritário do PP liderado por Mariano Rajoy.

Nas legislativas de 28 de abril último, o PSOE obteve 123 deputados (28,68% dos votos), o PP 66 (16,70%), o Cidadãos 57 (15,86%), a coligação Unidas Podemos 42 (14,31%) e o Vox 24 (10,26%), tendo os restantes deputados sido eleitos em listas de formações regionais, o que inclui partidos nacionalistas e independentistas.

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