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Justiça abre inquérito a "distúrbios em massa" em protesto não autorizado

A justiça russa anunciou hoje que vai investigar os "distúrbios em massa" ocorridos no sábado em Moscovo numa manifestação não autorizada convocada pela oposição, que ficou marcada pela repressão policial e pela detenção de cerca de 1.400 pessoas.

Justiça abre inquérito a "distúrbios em massa" em protesto não autorizado
Notícias ao Minuto

18:07 - 30/07/19 por Lusa

Mundo Moscovo

"Os investigadores determinaram que um grupo de pessoas difundiu na Internet, na véspera da manifestação não autorizada, apelos à participação, admitindo de forma consciente que tais ações poderiam levar a distúrbios em massa", indicou o comité de inquérito russo, num comunicado.

Caso se confirme que existiu uma "organização intencional de distúrbios em massa", esta infração pode vir a ser punida com uma pena até 15 anos de prisão.

A par da acusação de "grave violação da ordem pública", os manifestantes visados serão também alvo de procedimentos criminais por "violência contra a polícia", anunciou ainda o comité de inquérito russo.

Os investigadores do comité também acusam os manifestantes de terem furado o cordão de segurança formado pelas forças de segurança e de terem "paralisando" o tráfego na capital russa.

Hoje de manhã, a Procuradoria-geral da Rússia já tinha pedido uma "resposta dura" às manifestações não autorizadas.

A justiça deve "pôr fim a todas as ações dos organizadores e participantes de ações públicas ilegítimas e não autorizadas", defendeu o vice-procurador geral da Rússia, Alexander Bouksman, à agência de notícias Ria Novosti, numa altura em que a oposição está a organizar um novo protesto, previsivelmente para o próximo sábado.

A atuação das forças policiais na manifestação de sábado passado está a levantar críticas, tanto de países (Alemanha) como de organizações internacionais (ONU).

O Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) considerou hoje que a polícia russa fez "uso excessivo da força" contra os participantes do protesto não autorizado e instou as autoridades daquele país a respeitarem o direito dos cidadãos de participarem em manifestações pacíficas.

Já o presidente da câmara de Moscovo, Serguei Sobianin, defendeu a repressão policial e denunciou novas provocações.

"Cumpriram o seu dever. (Os opositores) forçaram (os agentes) a usar da força, que, dada a situação, foi absolutamente adequada (...). Foram distúrbios em massa planeados atempadamente e bem preparados", declarou o autarca da capital russa, em declarações à televisão pública local.

Serguei Sobianin recordou que a oposição esteve concentrada "durante vários dias" no centro de Moscovo e que "a polícia não reagiu".

"Mas para os opositores não foi suficiente. Passaram à ação, com tentativas de encerramento de ruas, de bloquear o tráfego e ataques contra a polícia", afirmou o representante, avançando que a oposição russa está a preparar "novas provocações", depois da câmara de Moscovo ter rejeitado um pedido para uma nova ação para o próximo dia 03 de agosto (sábado).

A manifestação que decorreu no sábado passado foi convocada pela oposição russa, em protesto pela recusa da comissão eleitoral de Moscovo de registar 57 candidatos opositores para as eleições municipais de 08 de setembro.

A oposição acusa as autoridades de manipularem milhares de assinaturas recolhidas nas últimas semanas pelos seus candidatos, ao transcrevê-las incorretamente no registo eletrónico.

Já o órgão eleitoral argumenta que as assinaturas recolhidas foram adulteradas, acusando a oposição de ter incluído nas listas milhares de pessoas sem registos, incluindo pessoas que já morreram.

De acordo com o Ministério do Interior da Rússia, foram detidas no sábado 1.074 pessoas "por diversos delitos" durante o protesto, enquanto o portal OVD-Info, especializado na contagem de detidos em manifestações, contabilizou 1.373 pessoas, incluindo menores.

Este número constituirá "um recorde em protestos na capital nos últimos sete anos", indicou no domingo o portal informativo MBK.

Outro portal referiu-se a 77 feridos durante o dia de sábado devido à repressão policial.

Segundo a polícia, participaram na manifestação cerca de 3.500 pessoas, enquanto fontes da oposição apontaram para 10.000 participantes.

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