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Apoio de Pequim à polícia de Hong Kong abre caminho a mais violência

A porta-voz da organização que tem liderado as manifestações em Hong Kong alertou que o apoio "incondicional" expresso hoje por Pequim ao Governo e à polícia do território semiautónomo abre caminho "a mais violência".

Apoio de Pequim à polícia de Hong Kong abre caminho a mais violência
Notícias ao Minuto

14:15 - 29/07/19 por Lusa

Mundo Ativista

"Apesar dos relatórios de organizações internacionais, que dão provas do abuso policial, Pequim decidiu apoiar a polícia, o que é perigoso porque significa que, independentemente do que faça, a polícia vai ter o apoio" do Governo central, afirmou Bonnie Leung.

Tal representa "uma enorme ameaça" para os manifestantes, advertiu a vice-coordenadora da Frente Civil de Direitos Humanos, antevendo uma "maior violência" por parte das autoridades em futuros protestos, que, garantiu, vão existir.

Para a ativista, a conferência de imprensa sem precedentes realizada hoje pelo Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado teve apenas dois destinatários: o Governo e a polícia da antiga colónia britânica.

"A conferência de imprensa não foi feita para os cidadãos e para os manifestantes de Hong Kong. A mensagem teve como objetivo, sobretudo, garantir que a polícia e o Governo de Hong Kong têm o apoio total de Pequim", reiterou a ativista.

Na conferência de hoje, o Gabinete responsável pelos assuntos de Hong Kong e Macau condenou firmemente as ações dos manifestantes que há sete semanas protestam contra o Governo da cidade, considerando que "excederam os limites aceitáveis".

No último protesto, este domingo, pelo menos 16 pessoas ficaram feridas e 49 pessoas foram detidas, um dia depois de outra manifestação ter deixado dezenas de feridos.

Ao princípio da noite, a polícia voltou a avisar os manifestantes de que ia recorrer à força, antes de começar a disparar granadas de gás lacrimogéneo para dispersar o protesto, segundo a imprensa local.

"Temos de olhar para a realidade: Em todos os protestos com confrontos, a provocação partiu das autoridades", frisou Bonnie Leung.

Em opinião contrária, o porta-voz do Gabinete, Yang Guang, culpou os manifestantes pelo impasse político e apelou a todos os setores da sociedade para que "se oponham claramente à violência".

A contestação nas ruas foi iniciada contra uma proposta de lei que permitiria ao Governo e aos tribunais da região administrativa especial chinesa a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

A proposta foi, entretanto, suspensa, mas as manifestações generalizaram-se e denunciam aquilo que os manifestantes afirmam ser uma "erosão das liberdades" na antiga colónia britânica.

Os manifestantes exigem assim uma resposta do Governo de Carrie Lam a cinco reivindicações: retirada definitiva da lei da extradição, a libertação dos manifestantes detidos, que os protestos de 12 de junho e 01 de julho não sejam identificados como motins, um inquérito independente à violência policial e a demissão da chefe do Executivo.

A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princípio "um país, dois sistemas", precisamente o que os opositores às alterações da lei garantem estar agora em causa.

Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.

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