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SPD segura coligação até escolher novo líder

A designação de Ursula von der Leyen para a Comissão Europeia foi um novo golpe para o Partido Social-Democrata (SPD) alemão que, apesar disso, segundo fontes internas e observadores, deverá segurar a coligação governamental, pelo menos nos próximos meses.

SPD segura coligação até escolher novo líder

Susana dos Santos Hermann, deputada do SPD no parlamento regional da Renânia Norte-Vestefália, acredita que há "cada vez mais militantes" do partido que apoiam a saída da coligação, mas a decisão, defende, depende muito da posição do partido da chanceler Angela Merkel em relação às políticas sociais.

"Ultimamente vemos que a CDU não está disposta a seguir esse caminho connosco, por isso estou muito em dúvida que seja uma boa ideia continuar no Governo. Defendemos pensões mínimas à volta dos 950 euros por euros por mês, o que seria um grande passo, porque as reformas mínimas estão entre os 400 e os 600 euros por mês, o que não dá para viver. Se a CDU concordar que esta é uma boa ideia, então podemos continuar. Se não, temos de ponderar bem se vale a pena", defende a deputada, em declarações à agência Lusa.

Depois de um mau resultado nas eleições regionais e europeias e de perder a líder Andrea Nahles, o SPD enfrenta um novo teste de resistência com a nomeação da ministra da defesa alemã, Ursula von der Leyen, para a Comissão Europeia. Mas o partido, que vive agora uma fase de transição, deverá esperar até às próximas eleições internas, no final do ano, para decidir se vai ou não abandonar a coligação que forma o Governo, com a União Democrata Cristã (CDU, partido da chanceler Ângela Merkel) e a União Social Cristã da Baviera.

Para Martin Kessler, editor de política do jornal Rheinische Post o SPD não deverá abandonar a coligação nos próximos meses.

"Talvez por terem receio de cometer um suicídio político, por isso vão continuar, esperar pela eleição do líder do partido, e, só depois de terem alguém convincente, possam tomar uma nova decisão", justifica.

"Com o estado atual do partido, e com resultados nas sondagens abaixo dos 12%, o SPD parece-me incapaz de ganhar eleições. É verdade que não estão contentes com a nomeação de Ursula von der Leyen, vão continuar a demonstrá-lo e certamente isso irá ferir a 'GroKo', mas não irá destruí-la", sublinha o jornalista Martin Kessler.

Susana dos Santos Hermann reconhece que o SPD não está a passar por uma boa fase e realça que, em democracia, "é muito importante ter uma oposição forte".

"A oposição dos Verdes centra-se num tema só, que são as alterações do clima, sem dúvida muito importante, mas o partido ainda não foi capaz de avançar com ideias concretas: o que fazer agora? Simplesmente criticam o Governo e usufruem de um debate político iniciado por jovens aqui na Alemanha e em toda a Europa, mas não dão respostas concretas", aponta, comentando a recente ascensão do partido de Robert Habeck e Annalena Baerock, que roubou ao SPD o lugar de partido da esquerda mais votado na Alemanha.

Já o Alternativa para a Alemanha (AfD) representa "uma oposição de extrema-direita, que se aproxima cada vez mais de ideias neonazis", acrescenta.

Para as próximas eleições, a deputada de origem portuguesa não afasta nenhum cenário, mostrando, caso os números o permitam, a preferência para uma "geringonça" alemã.

"Isso depende um pouco de partido A Esquerda (Die Linke), mas penso que uma grande parte do SPD está disposta a tentar novos caminhos, se houver essa possibilidade. Já nos mostrámos flexíveis em vários governos, já houve e ainda existem várias coligações com os Verdes e o partido A Esquerda. Também temos de fazer um balanço desse trabalho, penso que seria uma possibilidade, mas não é garantia", assume.

A propósito da designação de Ursula von der Leyen para o cargo de presidente da Comissão Europeia -- o Parlamento Europeu vota terça-feira a confirmação (ou não) da ainda ministra alemã para o cargo -, Susana dos Santos Hermann confessa esperar que os deputados do SPD no Parlamento Europeu "não votem na ministra da defesa da Alemanha".

"É uma solução que não tem apoio do executivo alemão (...) ainda por cima, pegando-se no telefone, dizendo ao parceiro de Governo que vai haver uma proposta completamente diferente. É uma decisão que enfraquece o Parlamento. Não tem base democrática. E querer ser presidente da Comissão Europeia sem base democrática é algo que não se deve fazer", conclui a deputada do SPD.

Durante os próximos dois meses, os interessados em liderar o SPD deverão apresentar a sua candidatura, para que depois, e até dezembro, os militantes e delegados do partido possam ponderar.

Os militantes poderão votar depois num candidato através de uma plataforma online que o SPD irá criar, mas a decisão será tomada no congresso que deverá ocorrer entre os dias 06 e a 08 de dezembro.

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