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NATO apela à calma na região do Golfo Pérsico face tensão EUA-Irão

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, apelou hoje à calma na região do Golfo Pérsico, esclarecendo, no entanto, que a Aliança Atlântica não é um ator no atual clima de tensão entre os Estados Unidos e o Irão.

NATO apela à calma na região do Golfo Pérsico face tensão EUA-Irão

"O importante agora é reduzir as tensões. (...) Há que sentar e falar com o Irão para reduzir tensões e evitar erros de cálculo", disse Stoltenberg numa conferência de imprensa em Bruxelas a anteceder uma reunião de ministros da Defesa da Aliança Atlântica, que decorrerá entre quarta e quinta-feira na capital belga.

A reunião ministerial irá contar com a presença do novo secretário de Defesa norte-americano designado Mark Esper, cujo nome foi anunciado na passada sexta-feira pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no contexto de uma nova escalada de tensão entre Washington e Teerão.

A nomeação de Esper terá ainda de ser confirmada pelo Senado (câmara alta do Congresso norte-americano).

Apesar do assunto EUA-Irão "não estar formalmente na agenda da reunião ministerial", Jens Stoltenberg disse que os aliados "estão preocupados com a situação no Golfo e (...) com as atividades desestabilizadoras do Irão na região" e que o tema será discutido "no encontro e em bilaterais".

Para os 28 aliados que integram a NATO conjuntamente com os Estados Unidos, a reunião ministerial desta semana será uma oportunidade para ouvir Mark Esper a explicar a estratégia norte-americana em relação ao Irão, nomeadamente através de uma pressão económica que permita renegociar o acordo nuclear assinado com Teerão em 2015, do qual Washington saiu há um ano.

"A NATO é uma plataforma para os aliados trocarem opiniões e análises sobre os desafios que enfrentámos no Golfo", acrescentou Stoltenberg.

A par dos vários incidentes envolvendo petroleiros internacionais na zona do Golfo nos últimos dois meses, a tensão entre o Irão e os Estados Unidos voltou a aumentar na sequência do derrube de um 'drone' (aparelho aéreo não-tripulado) da Marinha norte-americana pelas forças iranianas na passada quinta-feira.

O caso do 'drone' levou Washington a preparar ataques aéreos retaliatórios, cancelados à última hora por Donald Trump.

Ainda na conferência de imprensa em Bruxelas, o secretário-geral da NATO avançou que os ministros de Defesa da Aliança irão decidir possíveis medidas em relação à Rússia caso Moscovo deixe de assumir os seus compromissos para com o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio (INF, na sigla em inglês), um acordo nuclear histórico que foi firmado entre os Estados Unidos e a Rússia em 1987 durante a Guerra Fria.

"Amanhã [quarta-feira] vamos decidir os próximos passos caso a Rússia não cumpra", disse o chefe da NATO.

"A nossa resposta será defensiva, comedida e coordenada. Não nos refletimos nas ações russas. Não temos a intenção de instalar novos mísseis nucleares na Europa", indicou o representante, explicando que entre as possíveis medidas "umas serão aplicadas de forma bastante rápida e outras irão levar mais tempo".

Os Estados Unidos anunciaram em fevereiro que pretendiam sair do tratado, culpando Moscovo de violações do pacto por causa do novo sistema de mísseis SSC-8.

As autoridades russas "têm até 02 de agosto para destruir de maneira verificável os mísseis SSC-8, que violam o tratado", disse o secretário-geral da NATO.

O representante recordou que tanto os Estados Unidos como os restantes 28 aliados têm tentado ao longo dos anos que a Rússia assuma o protocolo, uma questão que será novamente discutida num Conselho NATO-Rússia que deverá ser convocado na próxima semana.

"Pedimos à Rússia que tome um caminho de responsabilidade, mas infelizmente não vemos qualquer intenção de o fazer. Na verdade, continua a desenvolver e instalar novos mísseis", disse Stoltenberg, insistindo ainda que a Aliança Atlântica "não quer uma nova corrida ao armamento".

Assinado por Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev, então Presidentes dos Estados Unidos e da antiga União Soviética, respetivamente, o tratado INF aboliu o recurso a um conjunto de mísseis de alcance (intermédio) entre os 500 e os 5 mil km e pôs fim à crise desencadeada na década de 1980 com a instalação dos SS-20 soviéticos, visando capitais ocidentais.

Stoltenberg escusou-se a dar mais pormenores sobre as eventuais futuras medidas da NATO.

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