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Presidentes da China e dos EUA abordam guerra comercial antes do G20

Os Presidentes da China e dos Estados Unidos, Xi Jinping e Donald Trump, respetivamente, mantiveram hoje uma conversa telefónica, nas vésperas de se reunirem durante a cimeira do G20, no final deste mês.

Presidentes da China e dos EUA abordam guerra comercial antes do G20
Notícias ao Minuto

06:29 - 19/06/19 por Lusa

Mundo Cimeira

De acordo com a agência de notícias oficial Xinhua, o telefonema foi feito a pedido de Trump, que disse "estar ansioso" por abordar com Xi os laços bilaterais e os temas de "interesse mútuo", e que os Estados Unidos "valorizam muito" a cooperação económica e comercial com a China.

O Presidente norte-americano afirmou esperar que as delegações de ambos os países possam comunicar e encontrar forma de resolver as disputas comercias o mais rápidamente possível, indicou a agência.

Os Governos das duas maiores economias do mundo impuseram já taxas alfandegárias sobre centenas de milhares de milhões de dólares de bens importados, numa guerra comercial que Washington iniciou no verão passado.

Em causa estão os planos de Pequim para o setor tecnológico, que visam transformar as firmas estatais do país em importantes atores globais em setores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos.

Os EUA consideraram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos da China em abrir o mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa.

Washington impôs já taxas alfandegárias de 25% sobre 250 mil milhões de dólares de bens importados da China e ameaça taxar mais 300 mil milhões.

Durante o telefonema, Trump afirmou também que o mundo inteiro espera que os Estados Unidos e a China cheguem a um acordo, acrescentou a agência.

Por seu lado, de acordo com a Xinhua, o Presidente chinês, Xi Jinping, lembrou que as relações entre os dois países atravessam algumas dificuldades, que não interessam a nenhum dos lados.

A agência não referiu se Xi Jinping falou de um possível acordo.

"Ao reiterar que ambos os países ganham com a cooperação e perdem com o confronto, Xi disse que os dois lados devem, de acordo com o consenso alcançado entre os dois líderes, impulsionar a relação China-EUA, com base no respeito e benefícios mútuos", apontou a Xinhua.

Xi disse estar pronto para se encontrar com Trump, em Osaka, no Japão, para trocar pontos de vista sobre questões fundamentais relativas ao desenvolvimento das relações bilaterais.

O Presidente chinês afirmou que os dois lados devem resolver os seus problemas através de um diálogo em pé de igualdade, com espaço para acomodar as preocupações legítimas uns dos outros, e acrescentou que a China espera que o lado norte-americano possa tratar as empresas chinesas de maneira justa, referiu.

Trump colocou a gigante chinesa das telecomunicações Huawei numa "lista negra", que restringe as empresas dos EUA de fornecer 'chips', semicondutores, 'software' e outros componentes, sem a aprovação do Governo.

O fundador da Huawei admitiu, esta semana, uma quebra de receitas em 30 mil milhões de dólares (cerca de 27 mil milhões de euros), como resultado da pressão de Washington, que acusou o grupo de telecomunicações de estar exposto à espionagem chinesa.

Em maio, as disputas comerciais entre Pequim e Washington agravaram-se, quando após 11 rondas de diálogo as negociações foram subitamente interrompidas.

Washington acusou então Pequim de retroceder em compromissos anteriormente alcançados, enquanto a China acusou a delegação norte-americana de não respeitar a soberania e a dignidade do país e de fazer exigência inaceitáveis.

Na rede social Twitter, Trump escreveu esta noite: "Mantive uma boa conversa por telefone com o Presidente Xi. Teremos uma extensa reunião, na próxima semana, durante o G20, no Japão. As nossas equipas começarão a negociar antes do encontro".

Criado em 1999, o G20 integra os ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo e da UE.

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