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Iraque prepara-se para eventual interrupção de tráfego no mar de Omã

O Iraque prepara-se para a eventualidade de uma interrupção do transporte marítimo no Golfo devido às tensões iraniano-americanas, um cenário "de catástrofe" para Bagdad por afetar a quase totalidade das suas exportações petrolíferas, segundo responsáveis e especialistas.

Iraque prepara-se para eventual interrupção de tráfego no mar de Omã
Notícias ao Minuto

16:12 - 17/06/19 por Lusa

Mundo Assem Jihad

A crise entre Teerão e Washington tem vindo a crescer há meses e atingiu um novo pico na semana passada com o ataque a dois petroleiros no mar de Omã, do qual os Estados Unidos acusam o Irão que nega qualquer envolvimento.

O Ministério do Petróleo iraquiano trabalha num plano de emergência em caso de nova escalada das tensões, disse à agência France Presse o seu porta-voz, Assem Jihad.

O Parlamento também pediu aos ministros do Petróleo, do Comércio, dos Transportes e do Planeamento para "se prepararem para enfrentar os possíveis riscos".

O Iraque exporta "a grande maioria do seu petróleo" através da sua abertura, na ponta sul, para o Golfo, lembrou à AFP Mudher Saleh, conselheiro económico do primeiro-ministro, Adel Abdel Mahdi.

O país, o segundo produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), exporta 3,5 milhões de barris por dia, um número que se tem mantido apesar das recentes tensões regionais.

"Não há alternativa, (só dispomos do) porto no sul" da província de Bassorá, adverte Assem Jihad.

O Iraque tenta reabilitar um oleoduto que lhe permitirá encaminhar o petróleo, nomeadamente da província de Kirkuk (nordeste), para o porto turco de Ceyhan (Mediterrâneo oriental), mas a sua recuperação levará anos, segundo especialistas.

As relações entre o Irão e os Estados Unidos deterioraram-se desde a chegada ao poder de Donald Trump, que se retirou unilateralmente em 2018 do acordo internacional sobre o nuclear iraniano e restabeleceu sanções económicas contra a República Islâmica.

No início de maio, Washington enviou reforços militares para o Médio Oriente, acusando o Irão de preparar ataques "iminentes".

Segundo Mudher Saleh, "confrontos entre petroleiros ou acerca do petróleo" perto do estratégico estreito de Ormuz no Golfo conduziriam a "uma catástrofe para o Iraque".

Um terço do petróleo mundial transportado por via marítima passa por aquele estreito que separa o Golfo do mar de Omã e que se localiza na costa iraniana.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, afirmou no domingo que o seu país garantirá a passagem pelo estreito, que Teerão já ameaçou encerrar em caso de conflito com os Estados Unidos.

"Perder os rendimentos do petróleo, nem que seja apenas por um dia, será um desastre" para um país que consegue perto de 90% do seu orçamento e a totalidade das divisas estrangeiros do petróleo, considerou a especialista Ruba Husari.

"Se o Iraque perder a possibilidade de exportar o seu petróleo pelo Golfo, o país ficará estrangulado. As vias marítimas do Golfo são vitais para ele", afirmou à AFP.

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