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Guatemala vai a eleições gerais com corrupção no topo das preocupações

Preocupada com a corrupção, em 2015, os guatemaltecos escolheram o comediante Jimmy Morales para Presidente, mas os cerca de oito milhões de eleitores vão domingo de novo a votos com idênticas razões para desconfiarem da transparência democráticas destas eleições.

Guatemala vai a eleições gerais com corrupção no topo das preocupações

Muitos dos candidatos que serão escolhidos no domingo - para o lugar de Presidente e de vice-presidente, para os 160 lugares do Congresso, para os 20 lugares do Parlamento Central, para os 340 lugares de presidentes de Câmara ou para os 3.965 lugares de deputados municipais -- estão envolvidos em casos de corrupção ou são acusados de financiamento ilícito, comprovando a falta de resolução de um problema crónico deste país da América Central.

Há quatro anos, Jimmy Morales foi eleito Presidente sob o 'slogan' "nem corruptos, nem ladrões", com um programa de apertado combate a um flagelo que a maioria dos guatemaltecos identificavam como prioritário.

Mas pouco tempo depois, um irmão e um filho do Presidente foram detidos, acusados de fraude contra o Estado, e o próprio Morales foi acusado de um suposto delito de financiamento ilegal, pela Comissão Internacional contra a Impunidade na Guatemala (um organismo patrocinado pelas Nações Unidas, que ele próprio tinha apoiado na sua campanha).

O clima de suspeição sobre a transparência da democracia na Guatemala mantém-se e as eleições que hoje se realizam são as mais questionadas dos últimos anos, com muitos dos candidatos ao lugar de Presidente a nem sequer revelar os seus programas de Governo.

Entretanto, Morales já extinguiu a Comissão Internacional para a Impunidade na Guatemala e são vários os candidatos a interrogar-se sobre a lisura do ato eleitoral.

Dois dos principais pretendentes ao lugar de Presidente foram eliminados da corrida (as candidatas Thelma Aldana e Zury Ríos), por resoluções do Supremo Tribunal, deixando uma parte relevante do eleitorado a ter que procurar soluções alternativas num universo de candidatos e partidos muito fragmentado e nem sempre claro.

Nas sondagens mais recentes, Zury Ríos aparecia em segundo lugar, logo a seguir a Sandra Torres, da Unidade Nacional da Esperança, o partido mais apetecido pelos eleitores.

Mas, nas mesmas sondagens, quando se perguntava quem mais era rejeitado, é igualmente Sandra Torres quem vai na frente, o que mostra as contradições no cenário eleitoral que decorre no domingo.

Nos índices internacionais, a Guatemala aparece no topo dos países com maiores desigualdades sociais e económicas, continuando atolada numa espiral de pobreza, violência de gangues organizados, corrupção e tráfico de drogas -- temas tratados por muitos dos candidatos aos vários órgãos que hoje estão em disputa.

Num país onde a Igreja é um fator político relevante, a Conferência Episcopal divulgou um comunicado a alertar a população para estar atenta à idoneidade moral dos candidatos, para evitar eleger políticos com interesses pessoais obscuros.

Os estudos de mercado que foram divulgados nas vésperas das eleições de domingo mostram que a população não ficou agradada com o mandato de Jimmy Morales, com a maioria dos respondentes a dizerem que a sua gestão foi "deplorável".

Ainda assim, o Presidente que agora abandona o cargo apresentou em seu favor indicadores que revelavam que a economia da Guatemala se desenvolveu acima da média dos países da América Central, com um crescimento de 2,8% do PIB, em 2018.

Mas este crescimento não impediu que a Guatemala continue a ser um dos países que mais contribui para o fluxo migratório que tem chegado à fronteira com os EUA, através do México, muito contestado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

Sandra Torres, social-democrata e a candidata mais bem posicionada nas sondagens, tomou a questão do combate à pobreza como tema principal de campanha e prometeu "regras claras para atrair investimento" estrangeiro, ao mesmo tempo que desenhou o regresso de programas de apoio social para os mais desfavorecidos, como o "saco de solidariedade".

Alejandro Giammattei, candidato do partido de Direita Vamos, que também está nos lugares cimeiros das sondagens, aposta num "muro económico de prosperidade e trabalho" que contempla um "plano de inovação e desenvolvimento", para procurar combater o problema da pobreza.

Mas os analistas questionam a capacidade de qualquer um dos candidatos para organizar um Governo estável, num cenário político muito fragmentado, que deverá sair das urnas, no domingo.

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