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Parlamento venezuelano alerta para risco de catástrofe humanitária

O parlamento da Venezuela, onde a oposição tem a maioria, alertou a comunidade internacional para o risco de uma catástrofe humanitária no país e pede mais pressão sobre o Presidente Nicolás Maduro.

Parlamento venezuelano alerta para risco de catástrofe humanitária

"Alertamos o mundo para o risco de uma catástrofe humanitária e pedimos aos governos democráticos que façam pressão e tomem ações para que os usurpadores (do poder) deixem de condenar os venezuelanos à morte e atendam à emergência humanitária", lê-se no texto aprovado na Assembleia Nacional.

No documento, os parlamentares pedem ainda mais pressão da comunidade internacional para que "o dinheiro do Estado não seja usado para a compra de instrumentos de guerra" e para que se reforcem os mecanismos que permitam às ONG's, à Igreja e organizações de apoio humanitário "atuar para responder à emergência".

Por outro lado, os deputados solicitam "mais celeridade e independência dos organismos e agências multilaterais que coordenam os mecanismos de implementação e distribuição da ajuda humanitária".

Os deputados referem ainda que "19,8 milhões de venezuelanos estão em condição de vulnerabilidade devido à emergência humanitária complexa" e que "7 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária e 6,7 milhões de venezuelanos estão sob insegurança alimentar e risco nutricional devido aos altos custos dos alimentos no país".

Ainda no retrato que fazem da situação do país, apontam que "11,8 milhões de venezuelanos vivem com salários mínimos que apenas servem para comprar 5% do cabaz básico alimentar" e que "6,9 milhões de venezuelanos estão sem acesso a medicamentos, devido à falta de abastecimento, de recursos médicos e devido aos altos preços".

Segundo o parlamento, "324 crianças com menos de 5 anos de idade vivem em lares com vulnerabilidade alimentar devido à hiperinflação e à emergência humanitária" e "3.500 venezuelanos estão em risco de morte devido à suspensão do Programa Nacional de Procura de Órgãos" e "pelos menos 4.800 doentes renais morreram pela escassez de medicamentos e suplementos" havendo ainda outros 10.200 em tratamento.

"Das 300 unidades de diálise que estavam operacionais no país, em 2017, apenas 129 funcionam, devido à falta de materiais, ao colapso dos serviços públicos e às falhas em equipamentos", explica o documento que cita várias organizações do setor saúde e familiares de afetados.

Segundo o parlamento "15 doentes com insuficiência renal faleceram a 9 de março último (dia em que um apagão deixou o país às escuras) devido ao colapso elétrico no país" e 7 meninos com cancro faleceram no Hospital JM de Los Rios, enquanto outros 26 estão em risco de morte, por falta de um transplante de medula, "devido à suspensão" de um acordo entre Caracas e Itália.

Por outro lado os parlamentares alertam que "há mais de 617.000 casos de malária no país", que 13 pessoas faleceram no primeiro trimestre de 2019 por difteria e que "17% da população infantil com sida" podem morrer devido à falta de antirretrovirais, num país que tem 120 mil pacientes com HIV e em que outros 8.000 foram forçados a emigrar para conseguir tratamento.

O documento aprovado na Assembleia Nacional alerta ainda que o consumo de água contaminada nos hospitais está a afetar as crianças e a causar diarreias.

Por outro lado, precisa que 75% do parque industrial e comercial do Estado venezuelano de Zúlia está paralisado, devido à crise elétrica que mantém a região às escuras até 20 horas diárias, desde março último, e que nos Estados de Barinas, Lara, Carabobo, Arágua, Zúlia, Trujillo, Mérida e Táchira, os apagões oscilam entre períodos de 10 e 16 horas diárias.

Uma cópia do documento será enviada às agências humanitárias internacionais e às principais instituições militares do país.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o opositor Juan Guaidó jurou assumir as funções de Presidente interino, prometeu formar um Governo de transição e organizar eleições livres.

Na madrugada de 30 de abril, um grupo de militares manifestou apoio a Guaidó, que pediu à população para sair à rua e exigir uma mudança de regime, mas não houve desenvolvimentos na situação até ao momento.

Nicolás Maduro, de 56 anos e no poder desde 2013, denunciou as iniciativas do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderado por Washington.

À crise política na Venezuela soma-se uma grave crise económica e social, que já levou três milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, de acordo com dados das Nações Unidas.

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