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Mais europeus no Reino Unido pedem apoio psicológico devido ao Brexit

Insónias, ansiedade, receios de rejeição. É grande a panóplia de queixas de quem já sofre com o Brexit antes de este o ser de verdade.

Mais europeus no Reino Unido pedem apoio psicológico devido ao Brexit

Foi há três anos que uma maioria de britânicos votou para que o Reino Unido abandonasse a União Europeia.

De então para cá passaram-se três anos. Neste espaço de tempo, os britânicos foram a votos, viram vários membros do governo então sair e recentemente a própria primeira-ministra Theresa May renunciou ao cargo.

O processo já foi adiado por duas vezes por falta de acordo e o Brexit foi alvo de notícias e investigações devido à forma como a desinformação terá prejudicado o debate democrático.

O Brexit ainda não aconteceu, mas para lá da economia e relações externas, está já a ter um efeito, nomeadamente no bem-estar e saúde mental de cidadãos europeus que escolherem o Reino Unido como nova casa.

A psicoterapeuta e formadora Emmy van Deurzen é uma cidadã holandesa que casou com um britânico e vive no Reino Unido desde os anos 70. O seu processo burocrático para conseguir dupla nacionalidade foi tão "kafkiano" que a própria decidiu montar um serviço de apoio psicológico gratuito para pessoas como ela, que vieram de outros países europeus para terras britânicas.

Ao The Guardian, esta especialista conta que nos primeiros anos atendiam entre 50 a cem pessoas no espaço de um ano. Hoje em dia, com o Brexit a marcar a atualidade, o número subiu consideravelmente: todas as semanas dão apoio a pelo menos 15 pessoas.

Explica Emmy van Deurzen que as queixas são variadas. Mas há casos particularmente complexos.

"Quase todos os cidadãos europeus no Reino Unido foram afetados pelo Brexit até um certo ponto. Algumas pessoas só se sentem um pouco deslocadas mas há quem já sinta que já não é capaz de continuar neste país e alguns que simplesmente não estão a conseguir lidar com o assunto e que têm insónias, ansiedade, ataques de pânico sensações de paranóia e ideações suicidas [isto é, pensamentos suicidas]", conta.

Nalguns casos mais graves, conta, é a própria sensação de pertença que já foi dilacerada. Nalguns casos, os problemas remontam logo ao tempo da campanha para o referendo, ao testemunharem membros da própria família que se mostraram a favor do Brexit.

Emmy van Deurzen realça ainda que as recentes eleições europeias contaram com mais queixas. Recorde-se que as eleições europeias no Reino Unido ficaram marcadas pelas dificuldades burocráticas acrescidas. Muitos cidadãos europeus (incluindo portugueses) não tiveram oportunidade de escolher os seus representantes em Estrasburgo, o que trouxe sentimentos acrescidos de frustração. 

Para alguns, conta ainda, o Brexit veio perturbar padrões de sono. "Não conseguem dormir mais de quatro, cinco horas", o que ao fim de três anos daquilo que descreve como um "limbo" vai tendo efeitos cada vez mais nocivos, nalguns casos de paranóia. "É irracional mas é isso que estamos a observar".

A mesma especialista conta ainda ao The Guardian que escreveu já por diversas vezes a Guy Verhofstadt, antigo primeiro-ministro belga e líder do grupo parlamentar dos democratas e liberais no Parlamento Europeu, que lhe terá confirmado ter ouvido relatos semelhantes de outros especialistas em saúde mental. 

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