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Desenvolveu mais de 2 mil personalidades para sobreviver a abusos do pai

Jeni foi vítima de abusos e violações às mãos do pai durante mais de uma década.

Desenvolveu mais de 2 mil personalidades para sobreviver a abusos do pai

Ainda menina, com cerca de quatro anos, começou a ser alvo de abusos e violações diárias por parte do pai, situação que viria a prolongar-se durante mais de dez anos, sendo que a sua mente acabou por tentar defendê-la subdividindo-se e criando mais de 2.500 personalidades diferentes. Esta foi a forma que, sem perceber, Jeni Haynes criou para lidar com as dores físicas e emocionais que experienciou.

Quando a polícia finalmente começou a investigar esses seus alter-egos, foi possível reconstruir os crimes do pai e condená-lo.

O transtorno dissociativo de identidade ou perturbação de múltipla personalidade foi anteriormente vista com desconfiança, mas hoje em dia os especialistas já consideram tratar-se de uma verdadeira condição de saúde. 

"A sua mente está só a encontrar uma solução incrivelmente sofisticada e inteligente para um cenário que a maior parte de nós nem consegue começar a compreender", explicou o psiquiatra George Blair-West em declarações ao programa 60 Minutes. O especialista acompanha Jeni há mais de 20 anos.

Blair-West explicou ainda que quando as crianças com menos de oito anos são expostas a algum tipo de trauma, conseguem separar partes da sua mente em múltiplas personalidades. "O que mais parece motivá-los para o fazerem é perceberem que não têm saída", referiu.

A investigação policial levou em conta que cada uma das suas personalidades tinha diferentes aspetos do trauma e que por isso havia descrições detalhadas de cada coisa em cada 'pessoa' que existia dentro de Jeni.

"Os seus alter-egos vivem em diferentes realidades temporais. Particularmente os mais novos. O que a Jeni faz é aceder à parte que estava lá naquele momento e essa parte vai dizer exatamente o que aconteceu, como se fosse ontem", elaborou.

Apesar de haver poucas provas físicas contra Richard Haynes, o corpo da sua filha era uma cena de crime. Foi necessário que, entretanto, fosse submetida a várias cirurgias ao intestino, cóccix e anus para reparar os danos físicos que lhe tinham sido infligidos.

Richard foi acusado em 2017 de múltiplos crimes de violação, abuso e agressão sexual da filha e, inicialmente, declarou-se não culpado. Mas depois de uma das personalidades de Jeni, chamada 'Symphony', ter testemunhado, o homem alterou a sua declaração.

Legalmente, foi a primeira vez que ocorreu a decisão de deixar testemunhar várias personalidades de alguém, tendo sido usados seis dos seus alter-egos durante o julgamento.

Questionada pela jornalista sobre como se processava a situação, Jeni, hoje com 49 anos, explicou que não era uma decisão. Feita a pergunta, "quem tivesse a resposta certa vinha 'ao de cima' e dizia-a".

Richard Haynes, o pai de Jeni, vai ouvir a sentença a 31 de maio.

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