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"Demissão é apenas o último episódio de uma enorme trapalhada"

A cabeça de lista do BE às europeias considerou hoje que a demissão da primeira-ministra britânica "é apenas o último episódio da enorme trapalhada em que se transformou o 'Brexit'", insistindo que a saída sem acordo "não serve ninguém".

"Demissão é apenas o último episódio de uma enorme trapalhada"

A primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou hoje que vai demitir-se da liderança do Partido Conservador, desencadeando uma eleição interna cujo vencedor vai assumir a chefia do governo.

"Eu creio que demissão é apenas o último episódio da enorme trapalhada em que se transformou o Brexit", disse Marisa Matias aos jornalistas.

Lembrando que participou na campanha pela permanência a convite dos trabalhistas, a primeira candidata do BE ao Parlamento Europeu considerou que o referendo "foi na realidade uma jogada do Partido Conservador britânico e que foi apoiada pelos socialistas e pela direita europeia".

"O que não pode acontecer é uma saída sem acordo porque isso põe em causa muitos dos cidadãos portugueses e europeus que vivem no Reino Unido e também cidadãos do Reino Unido que vivem na União Europeia. O que é importante é que se respeite os resultados do que foi obtido no referendo", defendeu.

Para Marisa Matias, "há uma confusão enorme e o Brexit é um sintoma da confusão em que se transformou a União Europeia", para a qual têm contribuído "as famílias políticas que têm estado à frente da União Europeia".

"O que é fundamental é não perdermos o foco. O foco aqui é que uma saída sem acordo não serve a ninguém", avisou.

Como "a vontade do povo foi expressa e foi a da saída", para a eurodeputada do BE "é preciso um acordo que proteja os cidadãos europeus que vivem no Reino Unido e os cidadãos do Reino Unido que vivem noutros países".

"Houve um referendo e nós temos muitas histórias já de se repetir referendos até ter resultados diferentes. Não está aqui em causa aquilo que é a nossa vontade pessoal", avisou.

May mantém-se em funções até que o partido tenha eleito um novo líder, o que não deverá acontecer até ao final de julho, incluindo durante a visita de Estado do presidente dos EUA, Donald Trump, entre 03 e 5 de junho.

Enquanto primeira-ministra, não pode renunciar até que esteja em posição de dizer à rainha Isabel II quem esta deve nomear como sucessor.

A demissão da liderança deverá tornar-se efetiva a 10 de junho, iniciando os procedimentos, que passam, numa primeira fase, por uma série de votações dentro do grupo parlamentar que eliminam progressivamente os vários candidatos a apenas dois, que depois serão sujeitos ao voto de todos os militantes do partido.

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