Meteorologia

  • 17 JULHO 2019
Tempo
18º
MIN 17º MÁX 19º

Edição

Transplante de coração: "Duas jovens à espera de ver quem morre primeiro"

Uma história comovente, contada na primeira pessoa.

Transplante de coração: "Duas jovens à espera de ver quem morre primeiro"

Um paciente que receba um transplante de coração sabe que alguém teve que morrer para ele viver. Alguns querem conhecer a história por trás do órgão doado. Outros preferem não saber quem perdeu a batalha. A luta dos doentes pela sobrevivência não é fácil. E, mesmo depois da cirurgia que lhes devolve a vida, as dúvidas e incertezas continuam a existir.

É essa a história de Alin Gragossian, uma médica especializada em cuidados intensivos de 31 anos, que recebeu um transplante de coração em janeiro de 2019.

A jovem natural de Filadélfia, nos EUA, decidiu contar o caso no seu blog A Change of Heart, depois de receber uma carta da família da mulher cujo coração salvou-lhe a vida.

“Recebi um telefonema do hospital com a indicação de que a família da minha doadora tinha enviado uma carta para mim. A enfermeira com quem falei ofereceu-se imediatamente para digitalizar a carta e enviar por e-mail a mesma, mas eu não quis. Não estava pronta para ler”, conta Alin.

Só que, alguns dias depois, a carta chegou. Alin conta que caiu num pranto ao ler as linhas que descreviam a jovem cheia de vida cuja morte salvou a sua vida.

“É claro que sempre soube que a minha doadora era um ser humano e que tinha morrido, mas ler sobre ela tornou tudo mais real”, confessou, acrescentando que “ficava arrepiada a cada linha” por terem muito em comum.

“Éramos apenas duas mulheres jovens, em diferentes unidades de terapia intensiva, à espera de ver quem morria primeiro”, descreveu Alin no post publicado no dia 3 de maio, apenas alguns meses após o transplante.

Na mesma partilha, a norte-americana agradeceu “do fundo do coração” à jovem que morreu e à sua família e prometeu fazer “bom uso” do seu novo órgão.

Como é médica numa Unidade de Cuidados Intensivos, Alin já tinha lidado diversas vezes com casos semelhantes ao seu. Contudo, a jovem admite que nessa altura, quando ligava para a unidade de transplantes depois de um paciente morrer, não pensava no assunto como agora, depois de receber a carta em questão.

“Agora eu entendo realmente o poder que um telefonema desses pode ter”, assume.

Nos EUA as informações sobre um doador só são dadas ao paciente que recebeu o órgão se a família doador solicitar ou concordar entrar em contato. Neste caso, apesar de terem enviado uma carta a Alin, a família decidiu manter o anonimato. Por essa razão, a jovem médica decidiu fazer uma homenagem à sua doadora no blog.

“Tinha muitas coisas em comum contigo. Muito além do nosso sangue. Provavelmente teríamos sido boas amigas, mas em vez disso, os nossos caminhos cruzaram-se da maneira mais estranha. No último dia da tua vida, no primeiro da minha nova vida. No pior dia da tua vida, no melhor dia da minha vida”, escreveu.

Recomendados para si

Seja sempre o primeiro a saber.
Acompanhe o site eleito pelo segundo ano consecutivo Escolha do Consumidor.
Descarregue a nossa App gratuita.

Apple Store Download Google Play Download

Campo obrigatório