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As duas mulheres que mantêm vivo o legado de Pawel Adamowicz

O legado de Pawel Adamowicz, o presidente da câmara de Gdansk assassinado em janeiro, foi abraçado por Magdalena Adamowicz e por Aleksandra Dulkiewicz, com ambas a instarem à defesa de uma sociedade mais aberta.

As duas mulheres que mantêm vivo o legado de Pawel Adamowicz
Notícias ao Minuto

09:40 - 16/05/19 por Lusa

Mundo Europeias

A morte do marido, que foi esfaqueado em janeiro numa cerimónia de solidariedade pública, 'empurrou' Magdalena Adamowicz para a política, com a professora de Direito da Universidade de Gdansk a aceitar o desafio da Coligação Europeia para combater o discurso de ódio que divide a sociedade polaca e que, na sua opinião, desencadeou o assassínio daquele que foi o presidente da câmara da cidade costeira do Báltico.

"Estou a tentar mudar esta realidade, enquanto pessoa que verdadeiramente sofreu na pele este discurso de ódio, porque o meu marido foi morto, diante dos olhos de todo o Mundo, em direto. Naquele que era um momento para que todos estivessem felizes, num dia especial, no final do evento, quando estavam a 'enviar luz para o céu', ele foi assassinado de forma brutal", explicou à agência Lusa.

Na semana seguinte, "o apoio das pessoas foi avassalador" e a especialista em direito marítimo decidiu que devia "fazer algo" e lançou a campanha internacional 'Imagine there's no hate', "porque o ódio, as 'fake news' não têm fronteiras, estão em todo o lado".

"O meu objetivo é espalhar esta mensagem. Independentemente de conseguir o assento no Parlamento Europeu (PE), vou continuar a minha missão de fundar um grupo de sábios, como advogados, políticos, professores ou sociólogos, para trabalharmos juntos de modo a encontrar a fronteira entre liberdade de expressão e discurso de ódio. A fronteira é muito ténue", alertou.

Magdalena Adamowicz não escamoteou críticas à própria Coligação Europeia, notando que aquela plataforma também embarca no discurso radical dos conservadores eurocéticos do Lei e Justiça (PiS) e que tem um programa demasiado redutor, centrado apenas em ser contra o partido no poder.

"Não sou membro de qualquer partido e não vou sê-lo. A minha mensagem é clara. Algumas pessoas dizem-me que como sou advogada, especializada em assuntos marítimos... é claro que se for eleita para o PE vou trabalhar nestes assuntos, que são deveras importantes, mas o que me fez candidatar-me a este lugar não foram as minhas competências profissionais, mas sim os valores que hoje estão esquecidos. Os valores pelos quais o meu marido lutava, como a democracia, a solidariedade, a tolerância, a abertura aos imigrantes que escolhem a nossa cidade ou região para viver. Esse é o motivo", acentuou.

A candidata da Coligação Europeia não está sozinha nesse propósito, contando com a 'ajuda' de Aleksandra Dulkiewicz, a mulher que os eleitores de Gdansk escolheram para suceder a Pawel Adamowicz.

"O voto de confiança dos cidadãos foi muito importante, porque o senhor presidente esteve à frente dos destinos desta cidade durante os últimos 20 anos. As suas ideias, os seus pensamentos, a perspetiva que tinha para o desenvolvimento da cidade, a defesa de uma sociedade aberta também são importantes para mim. Sinto-me um membro da sua equipa, porque durante quase toda a minha vida profissional estive, de alguma maneira, relacionada com a administração da cidade", destacou à Lusa.

A advogada de 39 anos, vereadora desde 2010 e vice-presidente para os assuntos económicos à data da morte de Adamowicz, anunciou querer "continuar a construir a cidade de forma a que ela seja aberta e em que a igualdade entre as pessoas seja fundamental, assim como um caminho de desenvolvimento permanente".

A figura do antigo presidente ainda está muito presente na cidade, segundo Aleksandra Dulkiewicz, que revelou que muitas pessoas ainda a abordam na rua para confessar que sentem a falta de Adamowicz e que a Basílica de Santa Maria é alvo de romaria de visitantes que querem visitar o túmulo do político assassinado -- uma realidade confirmada pela reportagem da Lusa.

A presidente da câmara de Gdansk lamentou o facto de, "infelizmente", a sociedade polaca estar profundamente dividida.

"Somos uma Nação desunida. O que realmente gostaria era que as pessoas exercessem o seu sentido de voto. Queria dizer-lhes que é um direito, mas também uma obrigação, a de assumir a responsabilidade perante a União Europeia", destacou.

"Trata-se também de decidir o papel da Polónia na Europa. Gostaria que as pessoas votassem e também, em grande medida, que forças pró-europeias ganhassem, porque trata-se do futuro da UE", concluiu.

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