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Tensão entre o Irão e os EUA aumenta e volta a pairar ameaça de conflito

A tensão entre os Estados Unidos e o Irão tem vindo a aumentar e os aliados dizem temer que se possa desencadear um conflito acidental.

Tensão entre o Irão e os EUA aumenta e volta a pairar ameaça de conflito
Notícias ao Minuto

17:08 - 15/05/19 por Lusa

Mundo Tensão

A tensão entre os dois países cresceu desde que o Presidente norte-americano retirou, há um ano, o país do acordo nuclear de 2015, restaurando as sanções norte-americanas que arruínam a economia iraniana.

Na última semana registou-se uma escalada, após a República Islâmica ter suspendido alguns dos seus compromissos nucleares, com Washington a acusar Teerão de preparar ofensivas contra os seus interesses no Médio Oriente e a reforçar a sua presença militar no Golfo Pérsico.

Pontos essenciais do conflito:

+++ O acordo nuclear +++

O acordo internacional sobre o nuclear iraniano foi assinado em 2015 entre o Irão e os 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança -- Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China -- mais a Alemanha).

A República Islâmica comprometeu-se a aceitar limitações e maior vigilância internacional do seu programa nuclear, que sempre garantiu ser apenas civil, em troca do levantamento das sanções internacionais.

A 8 de maio de 2018, o Presidente Donald Trump anunciou o abandono unilateral do acordo, acusando o Governo iraniano de não o cumprir, apesar de a Agência Internacional de Energia Atómica ter certificado em vários relatórios o cumprimento dos compromissos por parte do Irão.

+++ Sanções norte-americanas contra o Irão +++

Após anunciar a retirada do acordo nuclear, os Estados Unidos restabeleceram em agosto de 2018 sanções bilaterais relativas ao setor financeiro e comercial e em novembro ao setor da energia. Seguindo uma política de "pressão máxima", Washington eliminou no início de maio deste ano as exceções que permitiam ainda a oito países importar petróleo iraniano sem sofrerem consequências.

Os rendimentos do petróleo são vitais para a economia do Irão, que vive uma crise marcada pela inflação e desvalorização da moeda.

Os europeus, a China e a Rússia mantêm o seu compromisso em relação ao acordo, mas até agora não têm sido capazes de permitir que o Irão beneficie das vantagens económicas com que contava devido às sanções dos EUA, por exemplo porque as empresas não querem arriscar sofrer retaliações norte-americanas por fazerem negócios com o Irão.

+++ Resposta de Teerão à não aplicação do acordo +++

Precisamente um ano depois de Trump anunciar a retirada norte-americana do pacto, o Presidente do Irão, Hassan Rohani, deu 60 dias às potências mundiais para se negociar um novo acordo nuclear, adiantando que em caso contrário retomará o enriquecimento do urânio.

Trata-se de uma "resposta à saída unilateral dos Estados Unidos do acordo e ao restabelecimento das sanções", que impedem o país de obter os ganhos que previa com o pacto, disse o porta-voz da Agência de Energia Atómica do Irão, adiantando que o acordo estipula que Teerão pode suspender algumas das suas obrigações se a outra parte não cumprir os seus compromissos.

A União Europeia pediu ao Irão para continuar a respeitar as suas obrigações ao nível do programa nuclear e rejeitou "qualquer tipo de ultimato", comprometendo-se a "continuar os esforços para permitir a continuação do comércio legítimo" com Teerão.

Moscovo e Pequim manifestaram apoio à República Islâmica e responsabilizaram Washington por ter fragilizado o acordo.

+++ EUA reforçam presença militar no Golfo Pérsico +++

Acusando Teerão de preparar "ataques" contra os interesses norte-americanos no Médio Oriente, o Pentágono enviou a semana passada para a região um porta-aviões, o USS "Abraham Lincoln", um navio de guerra, bombardeiros B-52 e uma bateria de mísseis Patriot.

Esta semana, Trump desmentiu planos norte-americanos para enviar 120.000 soldados para o Médio Oriente para combater o Irão, uma hipótese evocada pelo jornal New York Times, adiantando que se tivesse que o fazer enviaria "muitos mais homens".

Segundo o New York Times, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Patrick Shanahan, apresentou na semana passada, numa reunião com os conselheiros de Trump, um plano que prevê o envio de até 120.000 homens para o Médio Oriente se o Irão atacar forças norte-americanas.

+++ Incidentes que alimentam receio de conflito no Golfo +++

No domingo, "atos de sabotagem" ainda pouco claros afetaram quatro navios no Golfo, dois petroleiros sauditas, um norueguês e outro dos Emirados Árabes Unidos, segundo as autoridades deste país, aliado dos Estados Unidos, assim como Riade.

Não se registaram vítimas e os navios danificados não se afundaram. Embora não tenha sido formalmente estabelecida uma ligação, o incidente ocorre depois dos Estados Unidos terem alertado para a possibilidade de "o Irão ou os seus representantes" poderem atacar o tráfego marítimo na região.

O Irão já ameaçou várias vezes fechar o estratégico estreito de Ormuz, crucial para a navegação mundial e para o abastecimento petrolífero, em caso de confronto militar com os Estados Unidos.

Dois dias depois, a Arábia Saudita disse que um dos seus oleodutos e outras infraestruturas energéticas tinham sido atacadas, um ato reivindicado pelos rebeldes do Iémen, que referiram um ataque coordenado de 'drones' ao país vizinho. O preço do barril de petróleo subiu após o ataque no principal exportador mundial.

A Arábia Saudita (sunita) é o principal rival do Irão (xiita) no Médio Oriente e na guerra do Iémen apoia o Governo enquanto os rebeldes contam com a ajuda de Teerão.

+++ Reações ao aumento da tensão na zona +++

A Espanha anunciou na terça-feira ter retirado temporariamente uma fragata que fazia parte da frota do porta-aviões USS Abraham Lincoln, estacionado no Médio Oriente na sequência do aumento de tensões entre Washington e Teerão.

Hoje, o Governo alemão indicou ter suspendido o treino de soldados iraquianos devido à escalada de tensão entre Washington e Teerão, embora dizendo tratar-se de uma medida preventiva e não porque haja uma ameaça concreta. A Holanda também suspende o treino de soldados curdos no Iraque, como precaução.

Pouco antes o Departamento de Estado norte-americano tinha ordenado a retirada do pessoal não essencial da sua embaixada em Bagdad e do seu consulado em Erbil (norte do Iraque), por razões de segurança.

+++ Possibilidade de um conflito armado? +++

O chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, negou na terça-feira que os Estados Unidos queiram uma guerra com o Irão, mas insistiu que "se os interesses norte-americanos forem atacados", Washington responderá "da maneira apropriada".

Também o líder supremo da República Islâmica afirmou no mesmo dia que "não haverá guerra" com os Estados Unidos. "Nem nós, nem eles, procuramos a guerra, eles sabem que não seria do seu interesse", indicou Ali Khamenei no seu 'site'.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, disse na terça-feira esperar "que o bom senso prevaleça", considerando que "a região já está sobrecarregada com diferentes conflitos" e prometendo "contribuir para que a situação não degenere num cenário militar".

Um dia antes o seu homólogo do Reino Unido, Jeremy Hunt, tinha expressado preocupação "com o risco de um conflito acidental devido à escalada das tensões".

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, classificou hoje como "bastante perturbadores" os incidentes dos últimos dias entre os Estados Unidos e o Irão.

"Temos todos de ser muito razoáveis até porque os incidentes dos últimos dias são bastantes perturbadores, incluindo no domínio da segurança e militar", disse o chefe da diplomacia portuguesa em declarações aos jornalistas em Paris.

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