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Eleições em França são referendo à governação de Emmanuel Macron

As eleições europeias acontecem em França num momento em que tanto o Presidente como o Governo se encontram fragilizados e no meio de uma crise política, abrindo a possibilidade de uma vitória da extrema-direita.

Eleições em França são referendo à governação de Emmanuel Macron
Notícias ao Minuto

10:30 - 09/05/19 por Lusa

Mundo Crise

No entanto, a taxa de participação nas urnas vai determinar o impacto interno das europeias no resto do mandato do Presidente Emmanuel Macron.

Coincidindo com seis meses de protestos de "coletes amarelos" nas ruas das cidades francesas e uma resposta do Presidente considerada ineficaz pela maior parte da população, estas eleições europeias estão a ser encaradas pelos franceses, mas também pelos especialistas e pelos comentadores políticos, como um desafio pessoal para Emmanuel Macron.

"As eleições europeias foram, até agora, completamente ocultadas pela política nacional. A França vive uma crise política sem precedentes, com os 'coletes amarelos', o Debate Nacional e a violência. Temos uma quinta República em transformação e o debate europeu passou para segundo plano. Os líderes políticos franceses querem acima de tudo sancionar o Presidente e o Governo e as eleições serão um referendo a Emmanuel Macron", disse à Lusa Patrick Martin-Genier, especialista em assuntos europeus e professor da Sciences Po Paris.

O escrutínio europeu em França vai contar com 33 listas candidatas - um recorde de listas - que concorrem a 74 lugares no Parlamento Europeu, que seriam 79 caso o Reino Unido já tivesse deixado a União.

O método para eleger candidatos também mudou com o novo Governo e esta será uma eleição com uma circunscrição eleitoral única, sendo que até agora os candidatos eram eleitos em oito circunscrições inter-regionais.

Para já, as sondagens apontam para uma vantagem entre 2 a 2,5% da lista Renaissance en Marche, do partido Republique en Marche que esteve na génese da eleição de Emmanuel Macron, face ao Rassemblement National, partido liderado por Marine Le Pen.

São estas forças que têm também os cabeças de lista mais populares. Do lado de Mácron está Nathalie Loiseau, ex-ministra dos Assuntos Europeus, e do lado da extrema-direita Jordan Bardella, um jovem de 23 anos sem historial político a nível nacional.

Noutros partidos, os lugares de destaque foram também cedidos a candidatos menos experientes nas lides políticas como Manon Aubry, ex-porta-voz da associação Oxfam e hoje cabeça de lista do partido France Insoumise (liderado por Jean-Luc Mélenchon), François-Xavier Bellamy, filósofo, que concorre por Os Republicanos ou ainda Raphaël Glucksmann, ensaísta e documentarista, que lidera a lista socialista.

Quanto ao impacto do movimento dos "coletes amarelos", não deverá ser significativo nas urnas já que não conseguiram constituir uma lista própria.

Algumas figuras do movimento decidiram integrar listas de diversas famílias políticas, desde a extrema-direita à extrema-esquerda, sem qualquer coordenação ou ligação direta ao movimento.

"A maior parte dos candidatos não tem qualquer experiência europeia, exceto Nathalie Loiseau. O do Rassemblement National não tem mesmo qualquer experiência. Claramente os objetivos destas eleições são internos porque não há cabeças de lista mediáticos ou carismáticos, mostrando que não há um interesse político nestas eleições", considerou Patrick Martin-Genier.

Mesmo tendo em conta os tempos agitados da República francesa, o facto de a política europeia passar para segundo lugar durante as eleições para o Parlamento Europeu, não é um facto novo para o país.

"Em França, infelizmente, as eleições europeias são um debate de política interna e é apenas um novo 'round' depois das eleições presidenciais de 2017. Mesmo os cidadãos também não se interessam muito. É a eleição com menos participação e estamos numa situação delicada para convencer os eleitores a participar", disse à Lusa Pierre Vimont, diplomata francês e antigo secretário-geral executivo do Serviço de Ação Externa da União Europeia.

A participação nas eleições de 2014 foi de 42,43% e, segundo Pierre Vimont, uma baixa taxa de participação pode enfraquecer os argumentos contra o mau desempenho de Macron.

"Acho que se não houver uma grande participação, não se pode dizer que o resultado terá um grande impacto no resto do mandato do Presidente já que se mais de 50% dos franceses não aparecerem nas urnas, não será muito significativo", afirmou o diplomata.

Já o Eliseu está a fazer contas para depois das eleições. A França quer voltar a estar à frente de uma das grandes instituições europeias, na linha dos mandatos de Jacques Delors, antigo presidente da Comissão Europeia (1985-1995) e Jean-Claude Trichet, que presidiu ao Banco Central Europeu entre 2003 e 2011.

"Há algum tempo que a França está afastada da cúpula do poder europeu e é algo que a França quer mesmo para o pós-eleições. Há alguns postos a distribuir como a presidência da Comissão, o Alto Representante da União para os Negócios Estrangeiros, o Presidente do Conselho Europeu. E eu acho que o Presidente quer um francês ou uma francesa com responsabilidades importantes", indicou Patrick Martin-Genier, apontando os ex-presidentes François Hollande e Nicolas Sarkozy como possíveis escolhas.

Pierre Vimont considera que o sucesso desta demanda será proporcional ao empenho do Presidente.

"A verdadeira questão é saber se o Presidente quer pôr a qualquer preço alguém à frente das instituições como o Banco Central Europeu ou Comissão Europeia, e isso passa-se sempre num segundo tempo. Às vezes pode ser mais interessante ter um não francês que alinhe com a França nas suas decisões", revelou o experiente diplomata francês, dando a entender que François Villeroy de Galhau, atual presidente do Banco de França, seria a escolha ideal para enviar para Frankfurt.

E há ainda Michel Barnier, que está a gerir a saída do Reino Unido do lado de Bruxelas, que poderá estar depois das eleições com responsabilidades acrescidas.

Este será um posicionamento que só avançará depois das eleições europeias e consoante os resultados - e o consequente desempenho do Presidente nas diversas frentes internas - já que poderá vir a perturbar o equilíbrio conseguido entre os Estados e as famílias políticas na escolha do candidato à Comissão Europeia, onde não há qualquer cabeça de lista europeu de origem francesa.

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