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Canadá nega entrada a Puigdemont no seu território. "Uma vergonha"

As autoridades do Canadá rejeitaram a entrada no seu território ao antigo presidente do Governo regional catalão Carles Puigdemont, atualmente exilado em Bruxelas, na Bélgica, anunciou hoje a Radio Canadá, citada pelo jornal El Periódico.

Canadá nega entrada a Puigdemont no seu território. "Uma vergonha"

O Governo canadiano negou a Puigdemont a Autorização Eletrónica de Viagem necessária para entrar no país, referiram ao jornal os advogados de defesa do antigo chefe do Governo regional catalão.

O Governo canadiano terá agora 90 dias para apresentar os motivos da não autorização para entrar no país.

Puigdemont ia ao Canadá a convite da Sociedade Saint-Jean-Baptiste, uma instituição dedicada à proteção dos interesses francófonos e à promoção da soberania do Quebec.

Para o presidente desta associação, a rejeição da autorização de entrada é "uma vergonha absoluta".

"Otava não tem autoridade nem legitimidade para impedir a população do Quebec de convidar líderes internacionais", afirmou Maxime Laporte em comunicado, acrescentando que o Canadá está a ser "cúmplice do autoritarismo espanhol.

Carles Puigdemont é a figura de destaque da última tentativa independentista da Catalunha em relação a Espanha.

Após realizar a 1 de outubro de 2017 um referendo sobre a independência proibido pela justiça, os separatistas catalães proclamaram a 27 de outubro do mesmo ano uma República catalã independente.

O processo de independência foi interrompido no mesmo dia, quando o Governo central espanhol, presidido então por Mariano Rajoy, decidiu intervir na Comunidade Autonómica, destituindo o executivo de Carles Puigdemont e dissolvendo o Parlamento.

O processo levou à acusação judicial de 12 dirigentes independentistas catalães por envolvimento na tentativa de secessão da Catalunha, tendo o julgamento tido início a 12 de fevereiro no Tribunal Supremo em Madrid.

O megaprocesso deverá demorar meses, com a sentença a ser conhecida antes das férias de verão, mas não inclui Carles Puigdemont, que fugiu para a Bélgica, visto que Espanha não julga pessoas à revelia em delitos com este grau de gravidade.

O Ministério Público pediu penas que vão até 25 anos de prisão contra os acusados, por alegados delitos de rebelião, sedição, desvio de fundos e desobediência.

No banco dos réus estão, entre outros, o ex-vice-presidente do Governo regional e vários ex-membros desse executivo, a antiga presidente do Parlamento catalão e os dirigentes de duas poderosas associações cívicas separatistas.

Nove dos 12 acusados estão detidos provisoriamente há mais de um ano, suspeitos de terem cometido os delitos mais graves de rebelião e desvio de fundos públicos.

A questão central no processo que se inicia é a de saber se houve violência na tentativa de secessão, com a acusação de rebelião, que implica uma sublevação violenta, a ser contestada.

O Ministério Público defende que houve delito de rebelião, um crime contra a Constituição espanhola com penas que podem ir até 25 anos de prisão, enquanto os representantes do interesse do Estado (advogado do Estado) avançam que houve apenas delitos de sedição, crime contra a ordem pública com penas até 12 anos de prisão.

A defesa rejeita perentoriamente que tenha havido violência e contrapõe que foram as forças da ordem que utilizaram a violência para reprimir a votação no referendo de 1 de outubro de 2017.

No domingo, Puidgdemont elogiou a elevada participação dos catalães nas eleições gerais espanholas e sublinhou os 22 assentos conquistados pelos partidos independentistas.

"A Catalunha teve um resultado excelente", disse Puigdemont, em Bruxelas, valorizando o "triplo objetivo" - na sua opinião - alcançado a nível de "democracia", "independência" e "votos aos presos e exilados".

Puigdemont felicitou o PSOE (socialista, do atual chefe do Governo, Pedro Sánchez) por ter vencido as eleições e a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) pelo seu "grande resultado", que classificou como "histórico".

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