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Localidade venezuelana pede a Lisboa mais atenção aos portugueses

As autoridades de Clarines, na Venezuela, pediram hoje mais atenção de Lisboa, sobretudo em medicamentos, aos portugueses radicados naquela localidade, onde desempenham um papel importante na agricultura e no comércio.

Localidade venezuelana pede a Lisboa mais atenção aos portugueses

Clarines é uma cidade venezuelana situada 250 quilómetros a leste de Caracas, no norte do estado de Anzoátegui, e capital do município Manuel Ezequiel Bruzual. Em 2014 tinha pouco mais de 40 mil habitantes, mas nos últimos anos tem visto a população a reduzir-se, incluindo os portugueses, devido à crise que afeta a Venezuela.

"Há portugueses que estavam há mais de 50 anos no país e que foram embora, deixando inclusive os seus bens aqui, sem os vender, as suas casas e as suas residências", explicou a presidente da câmara municipal à agência Lusa.

Francisca Rojas falava à margem das celebrações locais do 45º aniversário da revolução do 25 de Abril, que a autarquia decidiu celebrar oficialmente, tendo em conta a importância da comunidade lusa para aquele município.

"A crise também os afeta. Porque se tu és português e vais a um hospital e não há medicamentos, tens que ver como fazer para os comprar. Se não tiveres um familiar no estrangeiro, que te envie esses medicamentos, também vais morrer", comentou.

Segundo Francisca Rojas, a crise "afeta tanto os venezuelanos como os portugueses, inclusive os que têm boa posição económica, porque às vezes têm o dinheiro, mas não têm onde comprar os medicamentos".

"Todos são afetados. É necessário que os países amigos da Venezuela reconheçam a crise. Com Portugal temos uma proximidade, porque aqui há portugueses na agricultura, no comércio e nas indústrias. Seria bom que Portugal levantasse também a voz, pelos venezuelanos, porque, no passado, quando estavam em crise, este país abriu-lhes as portas", disse.

Por outro lado, explicou que naquele município "os portugueses são como família".

"Admiramos o seu trabalho, empenho e dedicação, mas hoje somos nós que precisamos de ajuda. Não que nos venham libertar, mas que juntos lutemos pelo resgate da nossa democracia", comentou.

A autarca comentou que muitas pessoas "tiveram que deixar o país porque o salário não dá para comprar uma embalagem de ovos".

Quanto à decisão de celebrar o 45º aniversário do 25 de abril de 1974, explicou que se deve à importância da comunidade lusa local, e a que a Revolução dos Cravos "serve de inspiração e de esperança para os venezuelanos" na luta pela democracia.

"Tenho fé que continuaremos comemorando [todos os anos], mas já com esperança, com a visão de que vamos reconstruir o nosso país e continuar desfrutando dessa democracia onde nos criámos e com a esperança de poder ascender na vida", referiu.

As autoridades locais estimam que em Clarines residam atualmente perto de dois mil portugueses, um número muito superior aos dados da própria comunidade lusa, que diz ter-se reduzido a uns 500, devido à insegurança, alta inflação e escassez de produtos básicos.

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