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Coletes Amarelos criticam adiamento de reformas por causa de Notre Dame

Milhares de Coletes Amarelos, que voltaram hoje às principais artérias de Paris com mais tumultos, contestaram hoje a decisão do governo de adiar o anúncio de reformas previsto para segunda-feira devido ao incêndio que destruiu parcialmente Notre Dame.

Coletes Amarelos criticam adiamento de reformas por causa de Notre Dame
Notícias ao Minuto

18:32 - 20/04/19 por Lusa

Mundo Manifestação

Os 6.700 manifestantes instaram o presidente francês a revelar as reformas e insurgiram-se a que promessas de centenas de milhões de euros das maiores fortunas francesas tivessem sido anunciados para ajudar a reconstruir a catedral.

"É uma coisa boa este dinheiro para Notre Dame, mas quando vemos o que se pode desbloquear em algumas horas...", resumiu Jean François Mougey, reformado da operadora ferroviária francesa, a SNCF, considerando que a resposta aos pedidos dos "coletes amarelos" de justiça social deveria ser também rápida.

Segundo as autoridades, foram detidas para interrogatório quase 200 pessoas até às 17h45.

Em vários locais, os Coletes Amarelos, incluindo muitos jovens vestidos de preto e cara tapada, criaram o caos, incendiando 'scooters'.

Segundo a France Presse, alguns gritaram repetidamente "Suicidem-se" em direção aos polícias, em alusão ao facto de a corporação estar a registar uma vaga de suícidios sem precedentes desde o início do ano.

A polícia utilizou gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes.

Os protestos estenderam-se a outras zonas de França e mais de 60.000 elementos das forças de segurança foram destacados.

Na capital francesa, os polícias impediram preventivamente o acesso re manifestantes a lugares simbólicos, entre os quais os Campos Elísios e as imediações de Notre Dame.

As autoridades temem que grupos violentos se misturem com os "coletes amarelos", apelando a que os manifestantes "se dissociarem desses elementos".

Até ao meio-dia, a polícia realizou mais de 11.000 controlos preventivos em Paris.

Os manifestantes reúnem-se pelo 23.º sábado consecutivo desde novembro de 2018. O movimento nasceu espontaneamente num sinal de protesto que começou contra a taxação de combustíveis em França e contesta agora a carga de impostos, perda do poder de compra e desilusão geral com o Governo.

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