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O muito aguardado relatório Mueller foi revelado. E agora?

O departamento de Justiça norte-americano divulgou uma versão redigida do relatório feito por Robert Mueller na quinta-feira. Quais são os próximos passos?

O muito aguardado relatório Mueller foi revelado. E agora?

O Departamento de Justiça norte-americano divulgou o relatório do procurador-especial Robert Mueller, na manhã de quinta-feira. O documento detalha a investigação feita ao cabo de 22 meses à interferência russa nas eleições presidenciais de 2016 ou como Donald Trump o rotulou: uma "caça às bruxas".

No documento de 448 páginas fica-se a saber que não foram encontradas "provas suficientes" de que a equipa de campanha de Trump para as presidenciais de 2016 ou o presidente sejam culpados de conspiração criminosa com a Rússia.

Nem tão pouco é conclusivo se Donald Trump é ou não culpado de obstrução de Justiça. Depois de entregue, o relatório foi analisado pelo Procurador-geral dos Estados Unidos, William Barr, que concluiu que o atual presidente norte-americano não tinha cometido o crime. 

No entanto, o relatório conta 10 episódios,  entre os quais a reação de Trump à nomeação de Mueller, o afastamento do diretor do FBI James Comey e o relacionamento de Trump com o seu advogado pessoal Michael Cohen, e levam a querer que o presidente não está tão a salvo no que diz respeito às suspeitas de obstrução. 

As suspeitas de conluio com os russos pecam por falta de provas claras que sustentem uma acusação, mas no caso da obstrução o relatório fala em várias ações e em vários momentos “relacionados com potenciais questões de obstrução da Justiça envolvendo o Presidente” sobre os quais “obteve provas” e que demonstram "a intenção e credibilidade" das ações de Trump.

Então quais são os próximos passos possíveis?

Eleições de 2020

Donald Trump poderá utilizar a investigação de Mueller para fazer campanha política, que sempre vendeu com o apoio republicano como tendo sido um esforço do FBI para o derrubar. As suas constantes alegações de que tudo se terá tratado de uma "caça às bruxas" poderá mobilizar mais apoiantes para um segundo mandato.

Crimes fora do relatório

Os procuradores federais do distrito de Nova Iorque estão a investigar as práticas de negócio e acordos financeiros feitos pelas empresas de Trump, segundo explicou em fevereiro o antigo advogado do presidente, Michael Cohen - que enfrenta agora três anos de prisão por crimes relacionados com o suborno de mulheres que alegavam ter tido casos amorosos com Trump. Estes procuradores têm uma maior abrangência de investigação do que tinha Mueller. 

No relatório é visível que há 14 referências potencialmente criminosas que se encontravam fora do espectro daquela investigação, mas cujas provas foram enviadas "para as autoridades apropriadas".

Impeachment?

As hipóteses de os democratas da Câmara dos Representantes tomar atitudes para pôr em andamento um processo de impeachment de Trump diminuiu o mês passado depois de William Barr ter anunciado que não tinham sido encontradas provas de conluio com a Rússia. Mas os detalhes das descobertas feitas pelo procurador especial lançam novas 'faíscas' para um possível processo desse género e que só foi conduzido três vezes na história norte-americana.

Apesar disso, Nancy Pelosi, a presidente da Câmara dos Representantes disse semanas antes de o relatório ter sido divulgado que se opunha a um processo de impeachment, pois seria muito divisivo para os norte-americanos. No entanto, alguns democratas liberais têm pressionado para que as engrenagens sejam oleadas para esse fim.

Testemunhos de William Barr e Robert Mueller

O procurador-geral norte-americano, William Barr, vai testemunhar sobre o relatório em frente ao Comité Judicial da Câmara dos Representantes a 2 de maio.

Mueller deverá testemunhar perante o comité também, numa audição aberta, mas não até Barr ter sido ouvido.

Registos fiscais

Além das descobertas de Mueller, os democratas estão a perseguir outras investigações aos negócios de Trump como empreendedor antes de se tornar presidente. Por exemplo, foi imposto um prazo até 23 de abril para que o departamento do Tesouro providencie seis anos dos registos fiscais do presidente a título individual e de negócios. As investigações creem que os registos podem dar pistas sobre os possíveis negócios entre Trump e os russos.

Outras investigações

Uma outra comissão de inquérito do Senado focada em segurança está também a investigar o papel da Rússia nas presidenciais de 2016, cujo resultado deverá surgir no fim deste ano. 

As investigações tem-se debruçado sobre documentos relativos a conversações entre Trump e o presidente russo, Vladimir Putin. Bem como sobre problemas de segurança que envolvem o genro de Trump, Jared Kushner.

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