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Argentina recebe 43 mil páginas de documentos sobre ditadura militar

Os Estados Unidos da América entregaram hoje ao Governo argentino 43 mil páginas de documentos, antes confidenciais, sobre a ditadura militar no país sul-americano, naquela que é considerada a maior desclassificação de documentos sobre uma ditadura.

Argentina recebe 43 mil páginas de documentos sobre ditadura militar
Notícias ao Minuto

23:48 - 12/04/19 por Lusa

Mundo EUA

A desclassificação de documentos envolve o período entre 1975 e 1984, um ano antes e um ano depois da ditadura argentina que, entre 1976 e 1983, provocou 30 mil mortos e desaparecidos, segundo os organismos de direitos humanos, embora oficialmente o número seja de 8.368, a maior lista de vítimas de todos os regimes militares sul-americanos.

A caixa com vários CD foi entregue hoje, em Washington, pelo Arquivo Nacional norte-americano, através do seu presidente, David Ferriero, ao ministro da Justiça argentino, Germán Garavano numa cerimónia que contou ainda com parentes das vítimas da Argentina.

Cada CD possui o emblema de alguma das 16 agências norte-americanas envolvidas no processo que levou mais de 30 mil horas e envolveu 384 pessoas.

Entre as agências e departamentos, estão os departamentos de Justiça e do Estado, o FBI, a CIA, o Pentágono e o Arquivo Nacional.

"A informação vai permitir conhecer o lado mais macabro desse período tão obscuro da nossa História e vai permitir que avancem os processos judiciais que ainda estão pendentes", declarou, entre lágrimas, o ministro Germán Garavano, destacando que se trata de um "facto histórico".

O arquivo agora disponibilizado está acessível na internet e os documentos podem também abrir novas linhas de investigação, dado que incluem detalhes sobre os executores de crimes, além das vítimas, nomes, datas e circunstâncias.

Os documentos estão, na sua maioria, com 97% de informação desclassificada.

Esta é a quarta e a maior e a última entrega de arquivos secretos que os Estados Unidos realizam sobre a ditadura argentina.

A iniciativa começou ainda em 2002 e termina agora, atravessando quatro governos dos Estados Unidos, totalizando quase 50 mil páginas em 7.035 arquivos, um volume nunca antes visto.

As maiores desclassificações, no entanto, ocorreram entre 2016, no final da presidência de Barack Obama, que inaugurou a chamada "diplomacia de desclassificação [de arquivos]", e termina agora com Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos, ele que é amigo pessoal do chefe de Estado argentino, Mauricio Macri.

Donald Trump escreveu a Macri uma carta lida durante a cerimónia de hoje.

"Esta publicação constitui a maior desclassificação de arquivos da História do governo dos Estados Unidos a um governo estrangeiro. O meu desejo é que o acesso a esses documentos possa fornecer aos argentinos informação sobre o que aconteceu", afirmou Trump.

Já a Embaixada dos Estados Unidos na Argentina acrescentou, numa nota divulgada à imprensa: "O projeto de desclassificação reflete o compromisso histórico do Governo dos Estados Unidos com a responsabilidade e com os direitos humanos. Ajuda a enfrentar o passado com honestidade e com transparência".

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