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"Deixo a Líbia com uma profunda preocupação e o coração pesado"

O secretário-geral da ONU, António Guterres, terminou hoje uma visita à Líbia, afirmando que deixou o país, abalado nos últimos dias por um clima de tensão militar, com "o coração pesado e uma profunda preocupação".

"Deixo a Líbia com uma profunda preocupação e o coração pesado"
Notícias ao Minuto

19:12 - 05/04/19 por Lusa

Mundo António Guterres

"Deixo a Líbia com uma profunda preocupação e o coração pesado", afirmou Guterres, em declarações aos jornalistas no aeroporto de Benghazi (leste), pouco depois de um encontro com o marechal Khalifa Haftar, o homem forte da fação que controla o leste da Líbia e que disputa o poder do país.

Na Líbia, país imerso num caos político e securitário há vários anos, duas autoridades disputam o poder: um governo de união nacional líbio, estabelecido em 2015 em Tripoli, que é reconhecido pela comunidade internacional (incluindo pelas Nações Unidas) e que tem o apoio de milícias, e uma autoridade paralela que exerce o poder no leste do país, com o apoio do marechal Haftar, um militar dissidente do regime de Muammar Kadhafi, que caiu em 2011.

Guterres chegou na quarta-feira à Líbia numa visita surpresa.

No dia seguinte, o marechal Khalifa Haftar ordenou às suas forças do exército nacional líbio (ANL, na sigla em francês) que avançassem em direção a Tripoli e iniciassem uma "marcha vitoriosa" para "libertar as terras sob influência dos injustos".

"Ainda espero, que seja possível, evitar confrontos armados em redor de Tripoli", disse Guterres, salientando que "as Nações Unidas continuam disponíveis para facilitar qualquer solução política".

Na quinta-feira, António Guterres encontrou-se com o primeiro-ministro do governo de união nacional líbio, Fayez al-Sarraj, em Tripoli.

Guterres foi o primeiro secretário-geral das Nações Unidas a visitar a Líbia desde a queda do regime de Kadhafi.

A visita de Guterres acontece a poucos dias da realização prevista de uma "conferência nacional", promovida pela missão das Nações Unidas na Líbia, que terá como objetivo preparar um roteiro para a estabilização do país.

A conferência, agendada para 14 a 16 de abril na cidade histórica de Ghadames (centro da Líbia), pretende abrir o caminho para uma possível solução política e tentar definir uma data para a realização de eleições parlamentares e presidenciais na Líbia, país que enfrenta uma grave crise desde a queda Kadhafi marcada por divisões e lutas de influência entre milícias e tribos.

"Vamos convidar todas as categorias políticas líbias, sem exceção", afirmou, em meados de março, o líder da Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia (UNSMIL, na sigla em inglês), Ghassan Salamé, durante uma conferência de imprensa em Tripoli.

Em finais de fevereiro, a ONU anunciou um novo acordo alcançado em Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos) entre os dois poderes rivais para a organização de eleições na Líbia, mas sem estabelecer um calendário.

Vários acordos para tirar a Líbia da crise foram anunciados ao longo dos últimos anos, mas nenhum foi concretizado.

Um acordo intergrupos sobre uma nova Constituição e a realização de eleições é necessário para alcançar uma estabilidade institucional, um regresso a um cenário securitário estável e uma recuperação económica no Líbia, segundo defendem várias vozes internacionais.

Os apelos à calma na Líbia têm sido intensificados nas últimas horas.

Um deles surgiu da União Europeia (UE), que alertou que a situação na Líbia pode ficar descontrolada.

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