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"Não foi o Juncker que forçou o Reino Unido ao referendo. Foi o Cameron"

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, reforçou hoje, perante o Parlamento Europeu, que o antigo primeiro-ministro britânico David Cameron é o único responsável pelo referendo de 2016 que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia.

"Não foi o Juncker que forçou o Reino Unido ao referendo. Foi o Cameron"

No final de mais um debate sobre o Brexit com a assembleia europeia, em Bruxelas, Jean-Claude Juncker, que não tencionava voltar a intervir, pediu a palavra para mostrar a sua indignação com a intervenção do eurodeputado alemão Hans-Olaf Henkel, que minutos antes responsabilizara a "Comissão Juncker" pela realização da consulta popular de 23 de junho de 2016, no qual a saída da UE venceu com 51,9% dos votos, contra 48,1% da permanência.

"Esta Comissão sempre tentou chamar mais poder para Bruxelas, foram as suas políticas e recusa em conceder mais autonomia ao Reino Unido que forçaram Cameron a convocar um referendo", declarou o deputado do Grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus.

Reportando-se a uma recente intervenção de Juncker no parlamento regional do Estado alemão de Saarland, durante a qual o presidente da Comissão classificou Cameron como "um dos maiores destruidores da história moderna", o eurodeputado acusou o político luxemburguês de estar apenas a criar uma enorme "cortina de fumo" para encobrir as suas próprias responsabilidades no processo.

"Evite ser o presidente que perdeu o Reino Unido. Conceda à primeira-ministra (britânica) Theresa May uma extensão (do Artigo 50.º) sem condições", declarou Henkel.

Juncker pediu posteriormente a palavra, começando por referir que não tinha vontade de voltar à questão do Brexit mas que tinha de o fazer, para rebater as acusações do eurodeputado, "que simplesmente não são verdadeiras".

"Não foi o Juncker ou a Comissão que forçaram o Reino Unido a organizar um referendo. Foi o senhor Cameron que o fez!", exclamou.

Lembrando que, juntamente com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, trabalhou arduamente num acordo com o Reino Unido, aprovado pelos chefes de Estado e de Governo dos 28 em fevereiro de 2016, que reforçava o estatuto especial dos britânicos no seio do bloco europeu, e que contemplava "muitas concessões" a Londres, Juncker lamentou ainda que Cameron nunca o tenha referido durante a campanha para a consulta popular, na qual a Comissão foi liminarmente proibida de participar.

O debate de hoje no Parlamento Europeu teve lugar a pouco mais de uma semana do (novo) prazo concedido pela UE ao Reino Unido para abandonar o bloco comunitário caso o parlamento britânico não aprove o Acordo de Saída, 12 de abril.

Na sua intervenção inicial, Juncker defendeu que nenhuma extensão de curta duração do 'Brexit' será possível se a Câmara dos Comuns não ratificar o Acordo de Saída até 12 de abril.

"Se o Reino Unido estiver em condições de aprovar o Acordo de Saída, com uma maioria viável, até 12 de abril, a UE deverá, nesse caso, aceitar uma extensão até 22 de maio. Se a Câmara dos Comuns não se pronunciar antes desta data, nenhuma extensão suplementar de curta duração será possível", declarou Jean-Claude Juncker.

O presidente do executivo comunitário argumentou que conceder uma nova extensão curta do Artigo 50.º ao Reino Unido poria em causa o normal decurso das eleições europeias, assim como o bom funcionamento da UE.

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