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Países sul-americanos lançam um novo bloco regional

Sete países da América do Sul criam hoje, no Chile, um novo organismo de integração regional, a PROSUL, com ideologia de direita e a favor do mercado livre, em substituição da falida UNASUL, de ideologia de esquerda.

Países sul-americanos lançam um novo bloco regional
Notícias ao Minuto

09:57 - 22/03/19 por Lusa

Mundo PROSUL

Dos 12 países sul-americanos, apenas sete aderem imediatamente ao projeto e enviaram seus respetivos presidentes: Chile, Colômbia, Brasil, Equador, Peru, Argentina e Paraguai.

Bolívia, Uruguai, Guiana e Suriname não aderiram, os dois primeiros por desconfiarem que o novo bloco seja apenas uma união da nova direita regional.

São requisitos para integrar o PROSUL ('Progresso para a América do Sul' ou 'Progresso sul-americano') a vigência plena da Democracia, do estado de direito, dos direitos humanos e das liberdades individuais, exigências que segundo a organização excluem a Venezuela.

Por isso, o país não foi incluído, embora o autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó, tenha sido convidado.

Congelada desde 2017, quando o então secretário-geral, o ex-presidente colombiano Ernesto Samper deixou o cargo, a União de Nações Sul-americanas (UNASUL) afundou-se ao expor as profundas diferenças e contradições entre os países da América do Sul, que não se entenderam nem mesmo quanto ao novo nome a ser designado.

A UNASUL ficou refém do choque entre uma região de governos de esquerda durante mais de uma década e a nova onda de direita que, a partir de 2015, foi ganhando as eleições em todos os países.

Os novos governos eleitos retiraram-se da UNASUL, considerada um organismo de integração demasiado ideológico à esquerda.

Atualmente, dos 12 países sul-americanos, apenas cinco continuam numa UNASUL falida (Bolívia, Suriname, Guiana, Uruguai e Venezuela).

Nesses países, não houve uma mudança política, embora Bolívia e Uruguai tenham eleições em outubro próximo.

"Se na criação da UNASUL, o erro foi que tivesse determinada ideologia política, gerar agora outro processo de integração, também com finalidade ideológica, será como cometer o mesmo erro", disse o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, que não estará presente e manda apenas um secretário de Estado do MNE em caráter de "observador".

"Não é nem UNASUL nem PROSUL. Somos a região mais integracionista do mundo. Temos uma vocação de integração enorme, mas enorme também é a sua ineficiência", sentenciou Vázquez.

A UNASUL nasceu com o nome de Comunidade Sul-Americana de Nações (CASA) em 2004, numa iniciativa do então governo brasileiro do ex-presidente Lula. Para a política externa brasileira, a zona de influência do maior país da região é a América do Sul.

Foi o então presidente venezuelano Hugo Chávez que sugeriu mudar o nome para UNASUL. Aos poucos, no entanto, o bloco tornou-se uma plataforma da esquerda regional em contraposição às ideias liberais e a influência dos Estados Unidos.

Com o propósito de resgatar agora um processo de integração do qual pretende ser líder, o presidente chileno, Sebastián Piñera, lançou a iniciativa de um novo organismo que aponte para a articulação dinâmica entre os países com conteúdos práticos e benefícios para a população, como a integração em infraestrutura, em energia e em cooperação, sem carga ideológica.

Apesar de se anunciar como um bloco mais pragmático, os críticos veem na iniciativa PROSUL o objetivo de promover a direita em detrimento da esquerda.

"Questões estratégicas têm a ver com ideologia, mas não se pode criar uma instância que dependa da ideologia dos presidentes porque, no dia de amanhã, se a esquerda ganhar as eleições num país, então esse país vai sair da PROSUL", explicou à Lusa o sociólogo e cientista político chileno, Patricio Navia, professor da chilena Universidade de Diego Portales e da New York University.

Outra crítica é quanto ao excesso de fóruns regionais cheios de boas intenções, mas sem resultados concretos.

"O problema é que a América Latina já tem muitas iniciativas de integração que não funcionam muito bem. A PROSUL corre o risco de ser mais uma foto de presidentes que se reúnem sorridentes, mas que se vai perder entre tantas outras iniciativas da América Latina", desconfia Navia.

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