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Ajuda aos rohingya só será bem-sucedida com apoio à população que acolhe

A ação humanitária internacional aos refugiados Rohingya no Bangladesh só pode ser bem-sucedida caso a empobrecida população acolhedora também seja beneficiada, defende o coordenador de emergência da Organização Internacional para as Migrações (OIM) em Cox's Bazar.

Ajuda aos rohingya só será bem-sucedida com apoio à população que acolhe
Notícias ao Minuto

09:59 - 17/03/19 por Lusa

Mundo Bangladesh

"Se só assistirmos um grupo, o outro vai ressentir-se. Não é a forma de trabalhar nem o princípio dos acordos humanitários. Sendo esta uma região do Bangladesh com bastantes vulnerabilidades socioeconómicas, é ainda mais necessário que este trabalho seja feito", vinca Manuel Marques Pereira.

Cerca de 750 mil membros da comunidade rohingya, muçulmana, fugiram para o Bangladesh desde agosto de 2017, após um ataque de um grupo insurgente a postos militares e policiais que levou a uma ofensiva militar pelo exército birmanês, país de maioria budista, no Estado ocidental de Rakhine.

A violência, descrita pela ONU como limpeza étnica e um possível genocídio, incluiu o assassínio de milhares de pessoas, a violação de mulheres e de crianças e a destruição de várias aldeias, provocando uma das crises humanitárias mais graves do início do século XXI.

"Na ajuda humanitária não nos focamos só nos refugiados. A assistência à população afetada é um conceito lato. A população deslocada, refugiada e a população de acolhimento são todos incorporados nos programas de assistência humanitária", reforça, considerando que esse papel cabe mais "às agências de desenvolvimento, não tanto às de assistência humanitária".

O dirigente humanitário, que já esteve em respostas a crises em Timor-Leste, Paquistão, Filipinas, Moçambique e Iraque, destaca o rigor na avaliação das "necessidades e vulnerabilidades", recordando que os refugiados e deslocados tem critérios que alguma da população acolhedora não tem.

Além da distribuição de bens não alimentares, as organizações não governamentais (ONG) desenvolvem programas de abrigo, soluções para abastecimento de água e para o saneamento para as comunidades que "devem ter a capacidade de partilhar os recursos com este novo grupo de pessoas".

"Mas também é muito importante que esta partilha não seja fator de crise nem de conflito entre as comunidades", ressalva, destacando a importância na "criação de mecanismos, infraestruturas e serviços" capazes de promover a melhoria das condições de vida dos locais a médio e longo prazo.

A ajuda aos refugiados conta agora com uma nova etapa, uma vez que a ampliação dos atuais campos está agora a ser feita com um planeamento impossível de fazer aquando do grande fluxo, quando se verificou "alojamento espontâneo, caótico".

"Temos feito um grande esforço para que estes novos campos representem o mais possível os modelos que gostaríamos de ver aplicado nas zonas mais densas", conclui, exemplificando o recurso às novas tecnologias, entre elas o 'drone' [aparelho aéreo não tripulado] para monitorização do terreno irregular e dos desafios logísticos que o mesmo encerra.

Desde que a nacionalidade birmanesa lhes foi retirada em 1982, os rohingyas têm sido submetidos a muitas restrições: entre outras, não podem viajar ou casar sem autorização, não têm acesso ao mercado de trabalho, nem aos serviços públicos (escolas e hospitais).

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