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Jovens refugiados rohinya são o principal grupo de risco

As centenas de milhar de jovens refugiados no Bangladesh são o principal grupo de risco na comunidade rohingya, segundo a diretora de psicologia e saúde mental da Organização Internacional para as Migrações (OIM) em Cox's Bazar.

Jovens refugiados rohinya são o principal grupo de risco
Notícias ao Minuto

08:11 - 16/03/19 por Lusa

Mundo OIM

"São os jovens em geral, no caso dos homens entre os 16 e os 28 anos, que não têm qualquer opção além de fazer nada. Não podem ir à escola, não têm trabalho e passam o tempo realmente a fazer nada. Basicamente, esperam que os dias passem", justifica Olga Rebolledo, referindo-se a limitações impostas pelo governo do próprio país acolhedor.

Desprovidos da cidadania do Myanmar (antiga Birmânia) em 1982, pelo que não têm pátria, os cerca de um milhão de rohingya que nas últimas décadas fugiram para o Bangladesh não podem ir à escola após os 14 anos, estão proibidos de trabalhar, de aprender o bengalês ou de se deslocar para fora dos campos, medidas que visam evitar que se fixem no país.

"É um grupo bastante vulnerável e por isso em risco de cair em situações muito mais complexas se não desenvolver o potencial máximo como pessoas, como seres humanos com acesso à saúde, educação e ao seu potencial. Um grupo em risco bastante alto", reforça, em declarações à Lusa, no âmbito de um documentário para uma bolsa de exploração Nomad.

A psicóloga colombiana refere que no caso das mulheres o "alto risco" está nas idades compreendidas "entre os 15 e os 25 anos", sendo que no global os jovens e as crianças pressupõem "60% do total de refugiados nesta emergência".

"É um grande número de pessoas nessas idades a requerer atenção muito mais dirigida. Devem favorecer-se as oportunidades para os jovens, para as meninas, sobretudo as jovens mulheres. A adolescência em si mesma é um momento crítico no desenvolvimento do ser humano. Não ter acesso diferenciado, oportunidade para se desenvolver plenamente, colocam estes grupos populacionais mais em risco nesta crise", enfatiza.

As famílias, como um todo, merecem igualmente atenção prioritária na ação da OIM, até porque muitas viram o seu agregado aumentar por acolher alguma criança da quantidade "bastante alta" não acompanhadas ou órfãs que chegaram aos campos de Kutupalong, em Cox's Bazar, desde Myanmar.

"Há famílias a receber estas crianças que estão sem os seus pais ou adultos que cuidem deles. Algumas por vontade, outras por lhes serem atribuído um novo membro para que faça parte da família. Essas famílias são as que também tentamos apoiar, para terem habilidades com as crianças e a de resolverem conflitos de forma pacífica no seio da família", explica.

A chegada de um novo membro cria sempre uma "tensão extra", ainda por cima "quando as coisas já são restringidas em termos de alimentação, de qualidade de vida, de espaço, de acesso à saúde, educação, por exemplo".

Segundo a especialista, descurar esse trabalho é permitir que surjam problemas como "violência intrafamiliar, abuso sexual ou casos de violência contra as crianças".

Cerca de 750 mil membros da comunidade rohingya, muçulmana, fugiram para o Bangladesh desde agosto de 2017, após um ataque de um grupo insurgente a postos militares e policiais que levou a uma ofensiva militar pelo exército birmanês, país de maioria budista, no Estado ocidental de Rakhine.

A violência, descrita pela ONU como limpeza étnica e um possível genocídio, incluiu o assassínio de milhares de pessoas, a violação de mulheres e de crianças e a destruição de várias aldeias, provocando uma das crises humanitárias mais graves do início do século XXI.

Desde que a nacionalidade birmanesa lhes foi retirada em 1982, os rohingyas têm sido submetidos a muitas restrições: entre outras, não podem viajar ou casar sem autorização, não têm acesso ao mercado de trabalho, nem aos serviços públicos (escolas e hospitais).

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