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Suspeito do homicídio de Marielle já sabia que ia ser detido. Foi avisado

O Ministério Público brasileiro divulgou hoje que o polícia militar reformado suspeito do homicídio da vereadora do Rio de Janeiro e ativista Marielle Franco terá sido avisado que estaria em curso uma operação para o deter.

Suspeito do homicídio de Marielle já sabia que ia ser detido. Foi avisado
Notícias ao Minuto

20:43 - 12/03/19 por Lusa

Mundo Brasil

Em conferência de imprensa no Rio de Janeiro, a promotora de Justiça e coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Simone Sibilio, indicou que o polícia militar reformado Ronnie Lessa foi detido hoje pelas 4h30 (7h30 em Lisboa), quando se preparava para sair casa, tendo acabado por confirmar que recebeu um aviso de que estava em curso uma operação para o deter.

Há assim suspeitas de fuga de informação dentro da operação levada a cabo pelo Ministério Público do Brasil.

Marielle Franco, vereadora no Rio de Janeiro pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), e defensora dos direitos humanos, foi assassinada na noite de 14 de março de 2018, quando viajava de carro pelo centro daquela cidade, depois de participar num ato político com mulheres negras.

Na conferência de imprensa de hoje, Simone Sibilio disse ainda que Marielle Franco foi morta devido à "repulsa" que o atirador, Ronnie Lessa, nutria pela sua atuação política em defesa dos direitos das minorias. No entanto, essa motivação não inviabiliza que alguém tenha encomendado o homicídio, de acordo com as promotoras de justiça.

"Essa motivação é decorrente da atuação política dela (Marielle Franco), mas não inviabiliza um possível mando. Não inviabiliza que o crime tenha sido praticado por uma promessa de recompensa. Essas causas, juridicamente e faticamente, não se repelem", acrescentou Simone Sibilio.

A promotora acrescentou que Lessa, apontado como o responsável por disparar contra Marielle, "demonstra um perfil absolutamente reativo a pessoas que se dedicam às causas das minorias", e que tinha em sua posse um "verdadeiro arsenal, o que demonstra que não é uma pessoa da paz, mas sim uma pessoa violenta".

Também o ex-polícia militar Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos, igualmente detido hoje, na mesma operação, é apontado como suspeito pela morte da vereadora e do seu motorista, tendo, supostamente, conduzido o carro de onde foram disparados os tiros contra a política.

De acordo com as promotoras de Justiça, Élcio Vieira de Queiroz "tinha um vínculo de proximidade com Lessa, pertencendo a um círculo fechado e de confiança" de Ronnie Lessa.

O Ministério Público declarou ainda que o nome de Ronnie Lessa surgiu ainda com ligações, além do homicídio de Marielle, a outras investigações em curso, também de homicídios.

As promotoras afirmaram que a detenção dos dois suspeitos não foi programada para coincidir com o aniversário do crime, esta quinta-feira: "A investigação ficou madura. A operação seria divulgada amanhã (quarta-feira), mas foi antecipada devido a rumores de que operação seria vazada", disse Simone.

De acordo com o G1, o autor dos disparos contra a vereadora realizou "pesquisas na internet sobre locais que a vereadora frequentava" e a investigação apurou também que "desde outubro de 2017" pesquisava também "a vida do então deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL)".

De acordo com a revista Veja, o agente Giniton Lages, responsável pelas investigações do homicídio de Marielle Franco e Anderson Gomes, confirmou hoje que uma filha de Ronnie Lessa, preso esta madrugada como suspeito do crime, teria namorado com um dos filhos do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, informação que o Ministério Público considerou "irrelevante" para a operação.

Foi também hoje divulgado que Lessa, apontado como o possível autor dos disparos de arma de fogo contra Marielle, reside no mesmo condomínio onde Bolsonaro e o seu filho Carlos Bolsonaro têm casa, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.

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