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Jovem que tentou suicidar-se 100 vezes aponta o dedo ao Instagram

O Instagram não se faz apenas de fotografias de "gatos fofinhos", garante Lucy Grainger, uma jovem irlandesa que tentou o suicídio uma centena de vezes e que finalmente encontrou o caminho da luz, deixando para trás as contas de "inspiração sombria" que vagueiam pela rede social de partilha de imagens.

Jovem que tentou suicidar-se 100 vezes aponta o dedo ao Instagram

Lucy Grainger tem atualmente 21 anos, mas a sua história de vida é bastante sombria para alguém tão jovem.

Com apenas três anos de idade ficou órfã de pai, depois de este ter morrido na sequência de um ataque cardíaco.

Na escola sempre foi o ‘patinho feio’, tendo sido alvo de bullying devido ao acne que lhe preenchia a cara.

Tinha apenas 12 anos quando uma amiga lhe disse que aliviava a sua dor emocional ao cortar-se em diversas partes do corpo. “Se a ajuda a ela, também me poderá ajudar a mim”, pensou Lucy. E foi então que começou o calvário da ainda pré-adolescente.

Tal como contou ao jornal The Sun, a jovem começou a cortar-se nos braços e nas pernas. Mas houve um dia em que os cortes já não ajudavam e Lucy tomou uma caixa de comprimidos – que lhe foram receitados por causa do acne – tendo uma overdose.

“Eu só queria que tudo acabasse. Queria dormir e não acordar, porque não queria ir para a escola”, recorda.

O que se seguiu foi a bulimia. Para não engordar, Lucy obrigava-se a vomitar depois das refeições.

A jovem conta que, com apenas 15 anos, era às redes sociais que ia buscar inspiração. “Os utilizadores partilham dicas de como nos podemos cortar a nós próprios. Eu passava a horas no meu quarto a ver fotografias de pessoas que se auto-mutilavam e que sofriam de transtornos alimentares, contando como escondiam comida e depois quais as dietas radicais que faziam”, recorda.

E assim foram surgindo diversas tentativas de suicídio.

Dois anos depois, Lucy reconheceu que tinha um grave problema entre mãos e decidiu pedir ajuda, isto depois de ter tentado tirar a própria vida 100 vezes, segundo revelou.

Agora, quatro anos volvidos, a jovem alerta para os perigos que espreitam nas redes sociais e na internet no geral. “Há tantas contas que mostram vídeos de pessoas a auto-mutilarem-se, que mostram fotografias de pessoas com feridas e pessoas extremamente magras que se dizem orgulhosas por serem anoréticas”, lamenta, criticando o fraco controlo que é feito destas contas.

“Há pessoas que dizem que querem ser anoréticas e que vão alcançar esse objetivo, dizendo-se prontas para morrer por isso se for necessário”, critica, alertando: "As pessoas pensam que o Instagram é só imagens de gatos fofinhos e inspiração para se ser fit e saudável, mas não. Também há muita inspiração sombria e se te sentes vulnerável, estas páginas vão 'alimentar-te".

Atualmente, Lucy tenta ajudar pessoas que passaram pelo mesmo drama que ela vivenciou e sempre que encontra contas deste género no Instagram alerta os moderadores da rede social, mas, critica, nem sempre lhes são dados ouvidos, pois é-lhe dito que as contas que denuncia “não violam” os termos de responsabilidade incutidos aos utilizadores da rede social.

Apesar disso, Lucy continua com o seu trabalho de denúncia “numa base quase diária” ao mesmo tempo que frequenta um curso universitário para trabalhar na área social.

Nota

Se acha que precisa de apoio psicológico consulte um profissional médico ou entre em contacto com a linha SOS Voz Amiga: 213 544 545 - 912 802 669 - 963 524 660 / Diariamente das 16h às 24h. Linha Verde gratuita - 800 209 899 / Entre as 21h e as 24h.

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