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Venezuela: Nem ajuda humanitária dá tréguas a um conflito sem fim à vista

Dia que deveria ser de algum alento para os venezuelanos, aumentou apenas a tensão entre Governo, militares e populares. Quatro mortos e 285 feridos é o rescaldo de um dia de controntos num país onde presidente e autoproclamado presidente interino continuam a não chegar a uma solução.

Venezuela: Nem ajuda humanitária dá tréguas a um conflito sem fim à vista

Vinte e três de fevereiro. Era esta a data limite anunciada pelo autoproclamado Presidente interino venezuelano, Juan Guaidó, para a entrada no país da ajuda humanitária. Uma ajuda mais do que necessária para um povo que sente na pele os efeitos da crise causada por aqueles que lideram o país.

O dia, que devia ser um sinal de esperança, uma espécie de luz ao fundo do túnel para os que lutam contra a fome, foi afinal mais um dia de insegurança, violência e desespero.

Tudo começou pela manhã, quando o Governo de Nicolás Maduro anunciou que fecharia parcialmente a fronteira com a Colômbia, nomeadamente as pontes de Simón Bolívar, Santander e Unión. O objetivo seria combater “as ameaças” contra a sua soberania.

Revoltados com as ordens de Nicolas Maduro, manifestantes desafiaram as ordens do governo e começaram a remover as barricadas amarelas de metal e o arame farpado junto à ponte Santander. Enfrentaram os militares com pedras e fogo. Já outros tentavam passar a fronteira com o objetivo de procurar uma nova vida na Colômbia. Foram, contudo, impedidos pelos militares que recorreram a gás lacrimogéneo para dispersar os populares

"Um grande passo" é dado através do Brasil

Seria já à tarde que os venezuelanos receberiam uma boa notícia. Através do Twitter, Juan Guaidó anunciava a chegada da ajuda. "Atenção Venezuela! Anunciamos oficialmente que JÁ ENTROU o primeiro carregamento de ajuda humanitária", escreveu. A ajuda entrou através da fronteira com o Brasil e para o autoproclamado Presidente interino este foi "um grande passo". 

Antes disso, porém, muitos foram os camiões que ficaram parados na fronteira à espera de autorização para entrar. A proibição levou a que se gerasse uma onda de solidariedade mundial, com muitos a apelarem ao Governo venezuelano e aos seus militares para que tomassem a decisão mais acertada.

O Presidente colombiano, Ivan Duque, ao anunciar o envio de ajuda do seu país pediu que deixassem chegar a ajuda a quem dela precisava. Impedi-la "é um atentado contra os direitos humanos e poderia ser considerado um crime contra a humanidade", acrescentou.

Já os EUA, pela voz de Mike Pompeo, "condenaram os ataques a civis na Venezuela, realizados pelos assassinos de Maduro” e garantiram que serão tomadas "medidas contra aqueles que se opõem ao restabelecimento pacífico da democracia na Venezuela".

Corte de relações e pedido de eleições

Ao mesmo tempo, Nicolás Maduro, e no âmbito de uma marcha na capital em apoio da revolução bolivariana, aproveitava para lançar novamente o desafio a Guaidó: a convocação de eleições presidenciais.

"Onde está a convocatória, se têm um Presidente interino? Eu desafio-o a convocar eleições, para ver quem tem votos e quem ganha eleições neste país", acrescentou, apelidando Juan Guaidó de "marioneta vendida ao império" e lembrando que este sábado era o prazo máximo até ao qual podia convocar as eleições.

Pouco depois vinha um outro ultimato: um ponto final nas relações diplomáticas e políticas com a Colômbia. Para Nicolás Maduro, o país vizinho está a juntar-se ao golpe que está a ser promovida pela direita internacional, uma atitude que viola a Carta das Nações Unidas.

Braço de ferro resulta em quatro mortos

O braço de ferro entre Maduro e Juan Guaidó acabou por gerar momentos de tensão e muita violência.  Quatro pessoas morreram baleadas em Santa Elena de Guairen na fronteira da Venezuela com o Brasil. Segundo o Washington Post, que cita a ONG Foro Penal, as mortes ocorreram quando as milícias pró-governamentais abriram fogo sobre os civis. E registaram-se ainda mais de duas centenas de feridos.

Os conflitos ficam marcados também por três camiões de ajuda humanitária que foram queimados pela Polícia Nacional Bolivariana na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia.

Maduro dá o braço a torcer mas só com a UE

Apesar de admitir que tem grandes diferenças com a União Europeia (UE), Nicolás Maduro acabaria por dar o braço a torcer e admitir que aceitaria ajuda vinda da Europa, com a coordenação da Organização das Nações Unidas (ONU).

"Aceitamos ajuda humanitária da União Europeia, ajuda legal", disse, num discurso proferido em Caracas. 

"A UE, com quem temos grandes diferenças, mandou uma comissão de diálogo, que foi recebida pelo ministro de Relações Exteriores (Jorge Arreaza) e a vice-presidente executiva (Delcy Rodr Rodriguez), e nos fez saber que estavam na disposição de dar assistência e apoio humanitário à Venezuela, legal e formalmente", deu conta, frisando ainda que "tudo o que enviarem, a Venezuela vai pagar, porque não somos mendigos de ninguém. Que cheguem aos nossos portos, de maneira legal. Aceitamos", frisou.

Ajuda em 'stand bye'. Até quando?

A entrada de ajuda humanitária, especialmente os bens fornecidos pelos Estados Unidos, no território venezuelano tem sido um dos temas centrais do braço-de-ferro entre Nicolás Maduro e Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional que há um mês se autoproclamou Presidente interino da Venezuela.

As doações oriundas dos Estados Unidos e de outros países encontram-se armazenadas em vários Estados vizinhos da Venezuela, como a Colômbia, Brasil e na ilha de Curaçao, nas Antilhas holandesas.

O governo venezuelano tem insistido em negar a existência de uma crise humanitária no país, contudo os casos de pessoas que querem fugir do país, queixando-se de pobreza extrema são cada vez mais. O povo aguarda por uma solução que teima em chegar e que mantém como uma página em branco o futuro do país.

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