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Abertura negocial na Nicarágua é "tática dilatória", diz Sergio Ramírez

Em entrevista à agência Lusa na Póvoa de Varzim, onde participa no encontro literário Correntes d'Escritas para apresentar o livro 'Já ninguém chora por mim', Ramírez declarou que Ortega "está à procura de ganhar tempo porque tem em cima toda a pressão da comunidade internacional, as sanções dos Estados Unidos, e está a pensar que pode escapar-se e chegar até 2021".

Abertura negocial na Nicarágua é "tática dilatória", diz Sergio Ramírez

"Não acredito que isso seja possível. E vai usar estas negociações como uma tática dilatória", afirmou o antigo vice-presidente de Ortega, que nunca gostou da palavra "político" e prefere, pelo menos, que comecem pelo ofício que privilegia - "escritor político" -- em vez do oposto.

O Presidente da Nicarágua anunciou, na quinta-feira, que pretende retomar o diálogo com a oposição, numa tentativa de pôr fim à crise sociopolítica, que causou, desde abril passado, centenas de mortos e milhares de exilados.

Ramírez disse à Lusa que nada mudou nos seus ideais pessoais desde os 17 anos: "Continuo a acreditar no mesmo que acreditava. Que merecemos um mundo melhor, uma vida melhor, que os pobres têm direito a uma vida melhor, que as sociedades são injustas. A realidade diz-me o contrário: há cada vez mais ricos, mais pobres, as sociedades cada vez mais injustas. Mas, bom, continuo a acreditar que alguma vez isso vai ser diferente".

Questionado sobre o porquê de alguém que também esteve na frente da revolução sandinista, que pôs fim à ditadora dos Somoza na Nicarágua, em 1979, estar agora à frente de um governo que poderá permanecer em funções mais tempo do que qualquer um membro da família deposta, o prémio Cervantes 2017 afirma sem hesitações: "Porque deixou de acreditar nos ideais. É um ditador".

"A grande tragédia de Daniel Ortega será que ele aspirava a ser recordado como um reformador e não vai ser lembrado assim, vai ser lembrado como um tirano. No ano passado, na Nicarágua, foram assassinadas 500 pessoas por este governo. É muito difícil corrigir a história", realçou Sergio Ramírez.

Desde 18 de abril que a Nicarágua é palco de manifestações e confrontos violentos. Os manifestantes acusam Ortega e a mulher e vice-presidente nicaraguense, Rosario Murillo, de abuso de poder e de corrupção. Ortega está no poder desde 2007, após um primeiro mandato de 1979 a 1990.

De acordo com organizações humanitárias, a crise no país já causou entre 325 e 561 mortos, centenas de desaparecidos, milhares de feridos e obrigou dezenas de milhares ao exílio.

Ortega, há 12 anos no poder, reconheceu 199 mortos, embora o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos tenham responsabilizado o Governo por "mais de 300 mortos", assim como por execuções extrajudiciais, tortura e outros abusos contra os manifestantes e os opositores.

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