Meteorologia

  • 18 FEVEREIRO 2019
Tempo
10º
MIN 10º MÁX 10º

Edição

Militares ou mercenários russos acusados de tortura na RCA

Militares ou mercenários russos terão torturado pelo menos um civil na República Centro-Africana (RCA), segundo um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), que abriu uma investigação.

Militares ou mercenários russos acusados de tortura na RCA
Notícias ao Minuto

21:56 - 12/02/19 por Lusa

Mundo Relatório

Segundo o documento da ONU, datado de 15 de janeiro, do qual a AFP consultou uma cópia, um homem originário de Bambari, no centro do país, teria sido detido no mercado da cidade, depois de denunciado como membro das milícias dos ex-Seleka, o que negou, garantindo que é um simples comerciante.

Os militares ou paramilitares russos levaram-no para a sua base em Bambari, onde o terão torturado durante cinco dias, retalhando-lhe as costas com uma faca e cortando-lhe um dedo.

O relatório da ONU é integrado por fotografias que mostram a mão mutilada do homem, bem como as suas costas com numerosas cicatrizes.

Em declarações prestadas à AFP, hoje, em Bangui, o homem, que se disse chamar Mahamat Nour Mamadou, afirmou ter sido "detido na sexta-feira, dia 11 de janeiro, na rua", por soldados das Forças Armadas centro-africanas (FACA).

"Levaram-me para a câmara, onde os [militares das] FACA e os russos estavam instalados. Os russos interrogaram-me, perguntavam-se se eu era um Séléka, se tinha armas", contou.

A Séléka é o nome de uma antiga coligação de grupos armados que, provenientes do norte do país, derrubaram o Presidente François Bozizé, em 2013. Este golpe de Estado e a resposta de milícias autoproclamadas de autodefesa (as anti-Balaka) mergulharam o país em profunda crise.

Bambari, cidade estratégica, tem sido palco nos últimos meses de confrontos entre grupos armados e as autoridades e militares da missão da ONU. Em particular, o grupo União para a Paz na RCA (UPC, na sigla em francês), que integrou a Séléka, está presente na cidade.

"Depois (...) ataram-me as mãos, taparam-se a cabeça com um blusão e bateram-me. A seguir, prenderam-me toda a noite. Depois levaram-me para a sua base, cerca das 08:00 da manhã, no sábado", detalhou Mahamat Nour Mamadou.

"Torturaram-me das 8 às 17:00. Bateram-me com correntes de metal, matracas de ferro, fizeram-me golpes num pé com uma faca, e também nos braços e nas costas. Partiram-me um dente com um tijolo", disse, acrescentando: "Estavam lá vários russos e só um intérprete das FACA".

Ainda segundo Mamadou, os seus agressores "pegaram numa grande faca" e cortaram-lhe o dedo, tendo golpeado outros dedos.

"Depois estrangularam-me com uma corrente. Acusavam-me de ser um Séléka", acrescentou.

Mahamat Nour Mamadou apresenta cicatrizes profundas e golpes nas pernas, nos braços e nas costas, bem como sinais de ter sido ligado ao nível dos pulsos e dos tornozelos, constatou a AFP.

Segundo a ONU, a sua vida foi salva graças a uma intervenção das Forças de Segurança Interna, que o socorreram e libertaram em 15 de fevereiro, o que confirmou à AFP.

De acordo com o documento da ONU, pelo menos 28 militares ou mercenários russos estariam presentes em Bambari, dos quais só um falaria francês.

Mantêm relações estreitas com as FACA, mas "não comunicam com a polícia e ainda menos com a MINUSCA", acrescenta o documento da ONU.

Em 23 de fevereiro, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Yves Le Drian, denunciou no Senado a presença na RCA de mercenários russos do grupo Wagner, grupo paramilitar suspeito de pertencer a um empresário russo, próximo do Kremlin, Evgéni Prigojnine.

Em julho de 2018, três jornalistas russos que investigavam na RCA a presença do grupo Wagner no país foram assassinados em circunstâncias ainda por esclarecer.

A RCA caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do ex-Presidente François Bozizé por grupos armados juntos na designada Séléka (coligação, na língua franca local), o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação antibalaka.

O conflito neste país, com o tamanho da França e uma população que é menos de metade da portuguesa (4,6 milhões), já provocou 700 mil deslocados e 570 mil refugiados e colocou 2,5 milhões de pessoas a necessitarem de ajuda humanitária.

O governo controla cerca de um quinto do território. O resto é dividido por mais de 15 milícias que procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.

Em 6 de fevereiro foi assinado em Bangui, um acordo de paz entre o governo e 14 milícias.

Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização na República Centro-Africana (MINUSCA).

Portugal também integra e lidera a Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana (EUMT-RCA), comandada pelo brigadeiro-general Hermínio Teodoro Maio.

Na EUTM-RCA, que está empenhada na reconstrução das forças armadas do país, Portugal participa com um total de 53 militares (36 do Exército, nove da Força Aérea, cinco da Marinha e três militares brasileiros).

Recomendados para si

Seja sempre o primeiro a saber.
Acompanhe o site eleito pelo segundo ano consecutivo Escolha do Consumidor.
Descarregue a nossa App gratuita.

Apple Store Download Google Play Download

Campo obrigatório