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Pressão para evitar 'no-deal' torna plausível voto favorável em março

O editor de Europa do Financial Times, Tony Barber, vê como cenário "mais plausível" a aprovação pelo parlamento britânico ainda em março do acordo do 'Brexit', dada "a pressão" para evitar o caos de uma saída sem acordo.

Pressão para evitar 'no-deal' torna plausível voto favorável em março
Notícias ao Minuto

08:25 - 12/02/19 por Lusa

Mundo Brexit

O jornalista, especialista em política europeia, aponta outro fator favorável a um acordo "no último minuto" que é "a pressão" sobre muitos deputados trabalhistas, eleitos pelos mesmos eleitores que no referendo de 2016 votaram a favor da saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

"Esses deputados, que na maioria são pró-europeus, estão numa situação muito sensível e apoiariam um 'Brexit' suave e que ofereça a perspetiva de uma relação próxima no futuro", disse Barber numa entrevista à Lusa em Lisboa.

"Penso que há sinais crescentes de que alguns deputados conservadores que votaram contra o acordo no mês passado vão mudar de campo e, mais importante, há sinais crescentes de que várias dezenas de deputados da oposição, do Labour, também vão apoiar [a primeira-ministra britânica] Theresa May. Se também conseguir o voto do DUP [unionistas norte-irlandeses], pode vencer", explicou.

Estas são, para Barber, "as forças em ação favoráveis a um acordo no último minuto", desfecho que, todavia, depende de outros fatores, desde logo uma "formulação convincente" de um novo texto que Bruxelas ofereça.

Embora considere que há "muito pouco" a oferecer no momento atual, Barber acredita que há entre os principais responsáveis europeus a perceção da importância de evitar uma saída sem acordo.

"Podem encontrar-se palavras, algo como 'acordamos empenhar-nos incrivelmente em estabelecer uma relação de longo prazo para nunca termos de usar o 'backstop' e procurar formas técnicas de solucionar questões fronteiriças', este tipo de coisa, sem força legal a 100%, mas que na verdade pode ser suficiente", exemplificou, referindo-se à polémica cláusula de salvaguarda para a fronteira entre Irlandas.

Contra este desfecho, apontou, está "o facto de que em quase qualquer cenário concebível alguma fação do partido conservador vai estar zangada", embora, sublinhou noutro passo, os chamados 'hard Brexiteers', os apoiantes da linha mais dura, tenham "mais voz que influência".

"Eles são um fator, mas aqueles que são verdadeiramente da linha dura, que não se importam com uma saída sem acordo, são 25 ou 30 deputados e, na minha perspetiva, não conseguiriam 'sequestrar' o governo enquanto tivermos os 'desertores' do Labour e aqueles que, pelos padrões atuais, chamamos conservadores moderados", considerou.

A concretizar-se este cenário, teria de haver um prolongamento do artigo 50.º, uma extensão do período de negociações que termina a 29 de março.

"Se uma votação for aprovada, digamos, entre 15 de março e o Conselho de Europeu de 21, o acordo estaria fechado, teria passado na Câmara dos Comuns. Contudo, ainda teria de haver uma extensão da data de saída, quase de certeza, porque há vários atos legislativos que têm de ser aprovados e porque é precisa a ratificação pelo Parlamento Europeu", explicou.

"Mas nada disto seria importante, haveria uma extensão apenas para permitir que isso acontecesse, não causaria controvérsia", assegurou.

Já um prolongamento por mais tempo, caso o acordo não seja aprovado em março, "podia mudar muito as coisas".

"É muito imprevisível, mas essencialmente o que aconteceria é que a discussão do 'Brexit' começaria a transbordar para a campanha para as eleições europeias", que se realizam entre 23 e 26 de maio.

"E se a extensão fosse mais longa que três meses, tudo podia mudar, porque de repente teríamos um Parlamento Europeu em que uma minoria substancial, não seria mais que uma minoria, mas 30% ou mais dos deputados, poderia questionar a manutenção deste acordo de saída e sugerir reabri-lo", explicou.

Segundo Barber, a atitude podia mudar também ao nível do Conselho Europeu, composto pelos chefes de governo.

"Há já hoje entre os 27 um ou dois países que não estão completamente satisfeitos" com o processo, embora tenham alinhado com a atitude geral de "tentar resolver isto até ao fim do março para evitar a reabertura".

"Uma longa extensão decididamente ia reabrir a negociação", frisou.

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