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Guaidó, Maduro e o dia em que a Venezuela ficou virada do avesso

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela autoproclamou-se esta quarta-feira presidente interino do país.

Guaidó, Maduro e o dia em que a Venezuela ficou virada do avesso
Notícias ao Minuto

08:25 - 24/01/19 por Sara Gouveia 

Mundo Tensão

Juan Guaidó fez uso de um dia histórico, - 23 de janeiro - o dia em que há 61 anos uma revolução popular derrubou o ditador Marcos Perez Jimenez na Venezuela, para agitar o país. Durante uma manifestação que contou com dezenas de milhares de pessoas a protestar contra o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, o presidente da Assembleia Nacional declarou-se presidente interino do país em Caracas.

"Levantemos a mão. Hoje, 23 de janeiro, na minha condição de presidente da Assembleia Nacional e perante Deus todo-poderoso e a Constituição, juro assumir as competências do executivo nacional, como Presidente Encarregado da Venezuela, para conseguir o fim da usurpação [da Presidência da República], um Governo de transição e eleições livres", declarou.

"Vamos insistir até à democracia, até à liberdade, até que cada venezuelano tenha pão na mesa, até que regressem a água e o gás às casas da Venezuela, até que os nossos filhos voltem ao território nacional, até que consigamos definitivamente a prosperidade", disse no discurso.

Poucos minutos depois, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou reconhecer "oficialmente o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, como presidente interino". O que garantiu ao pais um recado por parte de Maduro dando conta de que a equipa diplomática dos EUA na Venezuela tinha 72 horas para deixar o país.

Também o Canadá, a Organização dos Estados Americanos (OEA) ou o Brasil, bem como grande maioria da América Latina, reconheceram Guaidó, com exceção do México, Bolívia e Cuba. Turquia e Rússia fizeram saber que estão do lado de Maduro.

Já a União Europeia defendeu a legitimidade democrática do parlamento venezuelano, sublinhando que "os direitos civis, a liberdade e a segurança de todos os membros da Assembleia Nacional, incluindo do seu Presidente, Juan Guaidó, devem ser plenamente respeitados" e instando à "abertura imediata de um processo político que conduza a eleições livres e credíveis, em conformidade com a ordem constitucional".

Por seu turno, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, disse esperar que a União Europeia (UE) fique "unida" a apoiar "as forças democráticas" na Venezuela, após o opositor Juan Guaidó se ter autoproclamado Presidente interino do país.

Augusto Santos Silva, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, referiu esta quarta-feira respeitar plenamente a "vontade inequívoca" demonstrada pelo povo da Venezuela e disse esperar que Nicolas Maduro "compreenda que o seu tempo acabou, apelando à realização de "eleições livres".

Entretanto, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou ao diálogo na Venezuela, para impedir uma escalada que termine num "desastre".

Juan Guaidó, o engenheiro de 35 anos, já se tinha tornado o rosto da oposição quando no início do ano  assumiu a liderança da Assembleia Nacional - o parlamento venezuelano -, que é a única instituição que fica à margem do regime.

Recorde-se que Nicolás Maduro iniciou em 10 de janeiro o seu segundo mandato de seis anos como Presidente da Venezuela, após uma vitória eleitoral cuja legitimidade não foi reconhecida nem pela oposição, nem pela maior parte da comunidade internacional.

Esta quarta-feira Maduro fez um discurso que ignorou os protestos de ontem, nem tampouco comentou a autoproclamação de Juan Guaído como presidente interino diretamente. "Estamos e estaremos com o povo que é o único que decide quem é o presidente. Só o povo pode, só o povo dita. Somos uma força popular que está numa luta imensa pela América Latina para abrir um caminho pacífico, eleitoral, legal, constitucional para as mudanças profundas, progressistas que a nossa América exige e clama há dois séculos", garantiu.

São pelo menos sete as vítimas mortais a lamentar na sequência dos protestos desta quarta-feira contra Maduro, que puseram frente a frente manifestantes e forças de segurança, mas o número não é para já consensual, tendendo a aumentar.

Recorde-se que a Venezuela tem enfrentado uma grave crise política e económica que levou, segundo dados da ONU, 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015. Anteriormente um país rico devido às suas reservas de petróleo, enfrenta neste momento graves carências alimentares e de medicamentos.

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