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França critica influência crescente da Federação Russa e seus mercenários

O ministro dos Negócios Estrangeiros de França, Jean-Yves Le Drian, denunciou na quarta-feira a presença de mercenários russos do grupo Wagner na República Centro-Africana (RCA) e deplorou a retórica "antifrancesa" no país, que se seguiu à sua chegada.

França critica influência crescente da Federação Russa e seus mercenários
Notícias ao Minuto

07:28 - 24/01/19 por Lusa

Mundo RCA

"Há uma presença ativa da Rússia, recente, significativa, antifrancesa nas afirmações, nas redes" sociais, declarou, durante uma audição na comissão dos Negócios Estrangeiros do Senado.

Os russos estão presentes através da "força Wagner", um grupo militar privado suspeito de pertencer a um empresário próximo do Kremlin, Evguéni Prigojine, afirmou.

"Não são verdadeiros militares, (mas) supletivos que agem sob a autoridade de um senhor que se chama Prigojine", especificou Jean-Yves Le Drian.

"Se ele me ouvir, além desta sala, que saiba que o conhecemos bem!", acrescentou.

Em julho de 2018, três jornalistas russos, que investigavam a presença da Wagner na RCA, foram assassinados em circunstâncias pouco claras.

A Federação Russa dispõe oficialmente de instrutores civis na RCA, onde exerce, desde há meses, uma influência crescente.

Soldados centro-africanos são formados pelos enviados de Moscovo no imenso palácio de Berengo, 60 quilómetros a oeste da capital, Bangui, onde viveu Jean-Bedel Bokassa, presidente, que depois se proclamou imperador, de 1966 a 1979.

Segundo fontes ocidentais, estes instrutores, cujo número é desconhecido, são mercenários estreitamente ligados a empresas extrativas russas.

Esta presença russa "não se substitui à ação da França", nem à da missão da ONU no país (MINUSCA), nem à da União Europeia, que forma soldados centro-africanos, garantiu o ministro.

"Na República Centro-Africana, a situação continua muito frágil" e "a concretização da iniciativa africana de paz permanece a nossa prioridade", acrescentou.

Jean-Yves Le Drian disse ainda que espera que as negociações de paz, que abrem hoje, em Cartum, permitam "chegar a um acordo de paz até ao mês de março".

A República Centro-Africana caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do ex-Presidente François Bozizé por vários grupos juntos na designada Séléka (que significa coligação na língua franca local), o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-Balaka.

O conflito neste país, com o tamanho da França e uma população que é menos de metade da portuguesa (4,6 milhões), já provocou 700 mil deslocados e 570 mil refugiados, e colocou 2,5 milhões de pessoas a necessitarem de ajuda humanitária.

O governo do Presidente Faustin-Archange Touadéra, um antigo primeiro-ministro que venceu as presidenciais de 2016, controla cerca de um quinto do território.

O resto é dividido por mais de 15 milícias que, na sua maioria, procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.

Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização na República Centro-Africana (MINUSCA).

No início de setembro, o major-general do Exército Marco Serronha assumiu o cargo de 2.º comandante da MINUSCA, que já sofreu 75 mortos desde que foi criada, em 2014.

Aquela que já é a 4.ª Força Nacional Destacada Conjunta no país é composta por 180 militares (177 do Exército e três da Força Aérea) e iniciou a missão em 05 de setembro. Outros seis militares do Exército português integram o comando da missão das Nações Unidas.

Portugal também integra e lidera a Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana (EUMT-RCA), comandada pelo brigadeiro-general Hermínio Teodoro Maio.

Na EUTM-RCA, que está empenhada na reconstrução das forças armadas do país, Portugal participa com um total de 53 militares (36 do Exército, nove da Força Aérea, cinco da Marinha e três militares brasileiros).

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