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Dois projetos de mesquitas progressistas em Paris com mulheres imãs

Dois projetos estão em estudo em França para a criação de mesquitas progressistas em Paris, com sala de oração comum para homens e mulheres e imãs do sexo feminino, noticiou hoje a agência France-Presse.

Dois projetos de mesquitas progressistas em Paris com mulheres imãs

Um dos projetos é de uma estudante de doutoramento em estudos islâmicos, Kahina Bahloul, e de um professor de filosofia, Faker Korchane, que elaboraram os "estatutos" do local de culto, confirmou a primeira à AFP, após uma informação do jornal Le Monde.

"Estávamos insatisfeitos com a oferta atual das mesquitas: não sendo o salafismo (movimento ultraconservador), continua a ser um islão muito tradicionalista, com um certo modo de ler os textos fundadores, que continua a ser muito dogmática, nem sempre muito aberta. Queremos viver o islão de outra forma", resumiu Bahloul, de "sensibilidade sufi", a corrente mística do islão.

O que propõe, juntamente com Korchane, é que a mesquita "Fatima" (o nome do projeto) receba na mesma sala do local de culto homens e mulheres, embora cada um dos géneros fique no seu lado da sala.

Os sermões de sexta-feira serão feitos alternadamente por imãs (sacerdotes) homens e mulheres.

"As pessoas que vierem sem cobrir a cabeça também serão bem-vindas", indica Faker Korchane no seu 'site', onde defende o islão mutazilita, uma escola de teologia que alia a razão à fé.

"Numerosos muçulmanos aspiram a uma nova religiosidade, mas só o exprimem em livros ou conferências (...) É tempo de parar de dizer como vemos o islão, é preciso mostrá-lo", disse.

Bahloul e Korchane procuram financiamento e gostariam que Fatima "idealmente e simbolicamente" seja criada em Paris.

As fundadoras da Voz de um islão esclarecido (VIE) -- Movimento para um islão espiritual e progressista Anne-Sophie Monsinay e Eva Janadin também procuram financiamento e um local, "se possível em Paris", para o seu projeto da "mesquita Simorgh", disse a segunda à AFP.

"É urgente atualmente construir novos locais de culto para incorporar os nossos princípios e responder às necessidades das muçulmanas e dos muçulmanos 'órfãos de mesquitas', que se sentem muito sós na sua prática do islão e não se reveem na visão maioritária do culto muçulmano", escreveram no texto de apresentação do seu projeto.

Desejam uma mesquita "totalmente mista, sem separação esquerda-direita como na mesquita Fatima, com imãs mulheres e uma liberdade total do ponto de vista de vestuário", bem como ter sermões em francês, precisou Janadin.

Em França não existem imãs do sexo feminino, o que já acontece na Alemanha, Dinamarca ou Estados Unidos.

Em junho de 2017 abriu em Berlim uma mesquita "liberal", a Ibn Rushd-Goethe, onde homens e mulheres oram lado a lado, é defendido um islão moderno e os sermões são em alemão.

A imã, Seyran Ates, uma advogada e militante dos direitos das mulheres muito conhecida na Alemanha, foi colocada, no entanto, sob alta proteção policial.

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