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Maioria Democrata toma posse no Congresso dos EUA, fragilizando Trump

O Presidente dos EUA, Donald Trump, terá a partir de hoje a sua vida e agenda política mais dificultadas, já que a maioria na Câmara de Representantes do Congresso passa a ser do partido da oposição, o Partido Democrata.

Maioria Democrata toma posse no Congresso dos EUA, fragilizando Trump

As eleições intercalares de novembro passado ditaram que o Partido Republicano mantivesse (e até reforçasse) a maioria no Senado, mas perdesse o controlo da Câmara de Representantes para o Partido Democrata, colocando o Presidente dos EUA na situação de ter de negociar muitas importantes decisões políticas com os seus adversários.

A partir de hoje, quando o novo Congresso tomar posse, a vida política de Donald Trump fica claramente mais difícil, como já se percebe pelo braço-de-ferro que mantém há três semanas com o Partido Democrata, sobre o financiamento do governo, levando à sua paralisação.

A agenda legislativa dos Democratas é muito diferente da do Presidente, e de dentro do Congresso surgem sinais de que os dois partidos se podem entender em várias matérias politicamente sensíveis, à revelia da vontade de Trump.

"Preparem-se para uma longa paralisação do governo", previu Donald Trump, na véspera de Natal, depois de ter reunido com os líderes Democratas da Câmara de Representantes e do Senado, Nancy Pelosi e Chuck Schumer, respetivamente, para tentar encontrar uma solução para o impasse à volta do financiamento do governo.

"Não conte com o Partido Democrata para financiar o muro", disse na altura Nancy Pelosi, reportando-se à pedra angular do problema: os 5,7 mil milhões de dólares (cerca de cinco mil milhões de euros) que Donald Trump quer que o Congresso aprove para construir uma proteção ao longo de toda a fronteira com o México.

A agenda política do Presidente nesta altura centra-se nas questões de segurança interna e externa, dando prioridade à construção do muro e à retirada de tropas norte-americanas de cenários de guerra na Síria e no Afeganistão.

Os Democratas já anunciaram que a sua agenda legislativa se vai centrar em temas que lhes foram muito favoráveis na campanha das eleições intercalares de novembro, relacionados com a diminuição do custo de medicamentos, expandir direitos de voto, aumentar impostos para as grandes empresas e para os mais ricos e negociar a legalização de imigrantes em condições irregulares.

Nancy Pelosi, que liderará a maioria Democrata na Câmara de Representantes, afirmou esta semana no Twitter que também pretende introduzir medidas de transparência na governação dos EUA, para apresentar o seu partido como uma força política responsável, em contraste com a imagem de irresponsabilidade de Donald Trump.

O Presidente já intuiu as dificuldades de entendimento com a nova maioria parlamentar Democrata e terça-feira procurou estender a mão a Nancy Pelosi, propondo-lhe um novo acordo sobre o financiamento do muro na fronteira com o México, antecipando o bloqueio de outros entendimentos políticos futuros.

Se o diálogo dos Democratas com Trump parece cada dia mais difícil, o mesmo não se pode dizer da relação com os Republicanos no Congresso.

Vários congressistas Republicanos têm manifestado vontade de criar acordos de regime, seja sobre o preço de medicamentos ou sobre o investimento em infraestruturas e estão mesmo previstos projetos legislativos que estão a ser desenhados pelos dois partidos.

Na terça-feira, Mitt Romney, antigo candidato presidencial Republicano e um dos novos senadores que hoje toma posse, fez severas críticas às opções estratégicas da administração Trump, revelando sintonia com o Partido Democrata em algumas matérias políticas.

A reforma das leis de imigração é um dos temas em que Republicanos e Democratas parecem querer entender-se, apesar da posição mais radical e fechada de Donald Trump.

Uma das maiores incógnitas para os próximos dois anos é a postura da maioria Democrata na Câmara de Representantes sobre as investigações a processos que envolvem direta ou indiretamente o Presidente, seja sobre o alegado conluio com o governo russo nas interferências nas eleições presidenciais de 2016, seja sobre os negócios da família de Donald Trump.

Alguns congressistas Democratas deram a entender que pode haver matéria de facto para um processo de 'impeachment', que pode não ser consequente (porque esbarrará contra a maioria Republicana no Senado), mas que deixará sempre danos na imagem de Trump e condicionará a agenda conservadora do Presidente.

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