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Dois jornalistas da Reuters no Myanmar recorrem da sentença de prisão

Dois jornalistas da Reuters condenados a sete anos de prisão por violação do segredo de Estado quando investigavam o assassínio de membros da minoria muçulmana Rohingya no Myanmar (antiga Birmânia) recorreram hoje da sentença, anunciou um advogado.

Dois jornalistas da Reuters no Myanmar recorrem da sentença de prisão

"Apresentei o recurso esta manhã ao Tribunal Superior de Justiça", afirmou Than Zaw Aung, um dos advogados dos dois jornalistas da Reuters.

O advogado acrescentou ainda que "o Tribunal Superior irá encontrar várias lacunas na sentença imposta pelo juiz de primeira instância" e que se verificará que "o jornalismo no Myanmar não é crime".

Wa Lone e Kyaw Soe Oo foram detidos na noite de 12 de dezembro de 2017 na posse de documentos confidenciais que, segundo dizem, acabavam de lhes ser entregues por dois agentes da polícia local com quem se tinham reunido.

Os jornalistas encontravam-se a investigar um massacre de membros da minoria muçulmana Rohingya na aldeia de Inn Dinn, no estado de Arracão, na zona oeste do país.

Em nome de uma lei da era colonial, as autoridades acusaram os dois homens de terem obtido documentos secretos sobre a operação militar em Arracão, segundo a agência de notícias espanhola EFE.

A operação militar foi executada depois de uma série de ataques de um grupo de rebeldes rohingyas em postos fronteiriços no dia 25 de agosto de 2017.

O advogado disse confiar que os dois detidos têm "mais possibilidades" de serem absolvidos no Tribunal Superior, mas referiu ainda que, no caso de se manter a acusação, emitida no passado dia 03 de setembro por um tribunal de Rangum, irá recorrer ao Tribunal Supremo.

O presidente da agência Reuters, Stephen J. Adler, afirmou em comunicado que "ao condená-los como espiões, ignoram-se provas convincentes de uma armadilha orquestrada pela polícia", pedindo ao Myanmar que proceda em nome do "estado de direito, da liberdade de imprensa e da democracia".

O caso atraiu a atenção da comunidade internacional que tem visto as reformas democráticas no Myanmar a estagnar durante o governo da dirigente e Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi.

Aung San Suu Kyi não mostrou qualquer apoio à liberdade de expressão no caso dos dois jornalistas sentenciados a sete anos de prisão.

O tribunal recusou retirar a sentença mesmo depois do depoimento de um agente da polícia ter confirmado a versão dos jornalistas.

Depois de ter testemunhado, o agente foi preso por um ano por ter violado a regulamentação policial.

Cerca de 725.000 rohingyas fugiram para o Bangladesh em consequência da ofensiva militar classificada pela ONU como "genocídio", "crime contra a humanidade" e "crime de guerra".

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