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Renamo ameaça abandonar negociações de paz em Moçambique

A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) ameaçou hoje abandonar as negociações de paz devido a alegada manipulação de resultados nas eleições autárquicas de quarta-feira, acusando a Frelimo de estar "a empurrar" o país para um novo ciclo de violência.

Renamo ameaça abandonar negociações de paz em Moçambique
Notícias ao Minuto

14:48 - 13/10/18 por Lusa

Mundo Oposição

"Se o voto popular não for respeitado, a Renamo vai romper com as negociações e as consequências que daí advirem serão de inteira responsabilidade do Presidente da República [Filipe Nyusi] e da Frelimo", disse o coordenador interino da Renamo, Ossufo Momade, falando em teleconferência a partir da serra da Gorongosa, centro do país, para a imprensa em Maputo.

Para Momade, o processo de votação foi "um verdadeiro fiasco", tendo sido registadas situações em que os presidentes das mesas entregavam dois ou mais boletins de votos a um eleitor previamente identificado como membro da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder.

"Isto foi constatado um pouco por todos os municípios, com maior incidência em Massinga, na província de Inhambane, Dondo, em Sofala, e Maganja da Costa, na Zambézia", afirmou Ossufo Momade.

O coordenador interino da Renamo acusou ainda o chefe de operações do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) em Marromeu, província de Sofala, e a Polícia da República de Moçambique de retirarem ilegalmente 10 mesas de votação para falsificar resultados, exigindo que o apuramento seja refeito naquele distrito.

A Renamo denunciou também irregularidades nos municípios de Alto Molocue, na Zambézia, e Vila de Monapo, em Nampula, acusando os órgãos eleitorais locais de terem falsificado editais quando notaram que o principal partido de oposição estava em vantagem.

"O que mais nos preocupa é o silencio cúmplice do Presidente da República", frisou Ossufo Momade, acrescentando que "a Frelimo quer empurrar a Renamo para um novo ciclo de conflitos".

"Não queremos guerra, mas também não admitimos e nem aceitamos qualquer tentativa de por em causa a vontade popular", concluiu Ossufo Momade, que critica o suposto silêncio das organizações da sociedade civil e da comunidade internacional.

Entre 2014 e 2015, Moçambique registou um agravamento da tensão entre o Governo e a principal força de oposição, com o registo de confrontações militares que deixaram um número indeterminado de mortos, principalmente no centro de Moçambique, na sequência das revindicações da Renamo, que não aceitou os resultados das eleições gerais de 2014.

A tensão só veio a reduzir-se com a declaração de trégua em dezembro de 2016 pelo então líder da Renamo, Afonso Dhlakama, que morreu a 03 de maio deste ano devido a complicações de saúde, durante um processo negocial direto com o atual chefe de Estado.

As negociações levaram as partes um entendimento, cuja primeira parte tinha como principal ponto a descentralização do poder, consumada em maio com alterações à Constituição e consequente adaptação das leis eleitorais - com as quais o principal partido da oposição ambiciona vir a disputar nas urnas a liderança de mais municípios e províncias do país.

As partes chegaram a um entendimento também no que toca ao desarmamento e reintegração do braço armado do principal partido de oposição, um consenso marcado pela publicação, na última semana, do memorando assinado entre o chefe de Estado e o coordenador interino da Renamo.

Os dados divulgados na Internet pelo STAE e Comissão Nacional de Eleições até às 12:30 de hoje (menos uma hora em Lisboa) mostram os resultados finais das eleições autárquicas em 34 dos 53 municípios, com a Renamo a vencer em quatro (incluindo uma capital provincial, Nampula) e a Frelimo a dominar o resto do mapa.

De acordo com a informação oficial na Internet, as contas estão fechadas em quatro de 11 províncias: Cabo Delgado, Niassa, Manica e Gaza.

Os 19 municípios cujos resultados finais estão por divulgar incluem vários pertencentes às províncias mais populosas, Nampula e Zambézia, assim como da capital, Maputo.

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