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República Centro-Africana é exceção e mantém escola de Fethullah Gülen

Em África, numerosas escolas próximas da rede Hizmet, dirigida pelo opositor turco Fethullah Gülen, fecharam as suas portas sob a pressão de Ancara, mas a de Bangui, designada Galaxy, ainda resiste.

República Centro-Africana é exceção e mantém escola de Fethullah Gülen
Notícias ao Minuto

21:55 - 10/08/18 por Lusa

Mundo Rede Hizmet

O diretor não é um diretor de escola clássico. Apesar do seu estatuto de professor, do seu ar afável e da excelente reputação da Galaxy, ele vive como um fugitivo, exilado do seu país, a Turquia.

O seu crime é o de dirigir uma escola da rede Hizmet, de Fethullah Gülen, qualificado como "terrorista" pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que o acusa de ter fomentado o golpe falhado de julho de 2016.

Depois deste acontecimento, regime de Erdogan tenta fechar todas as escolas próximas da Hizmet em todo o mundo.

Em África, pelo menos 17 países (Camarões, Níger, Mali, Senegal, Mauritânia, Guiné, Chade, Sudão, Marrocos, Guiné Equatorial, Angola, Ruanda, Madagáscar, Somália, República do Congo, gabão e Gâmbia) já cederam às pretensões de Ancara.

Os estabelecimentos da rede Hizmet foram nacionalizados ou recuperados pela Fundação Maarif, próxima do poder turco, e os seus professores embarcados em aviões para a Turquia e presos.

"Os centro-africanos protegeram a sua (destes professores) dignidade", congratulou-se um membro do pessoal docente da escola Galaxy, reconhecido à República Centro-Africana, um dos poucos países da África Central a não ter cedido às pressões turcas.

Um estranho paradoxo num país sob influência de grupos armados, onde o Estado é fraco e tudo, ou quase, se pode comprar.

"Acusam-nos de ser um grupo terrorista quando apenas fazemos educação e (ajuda) humanitária", afirma o diretor, ao atravessar o estabelecimento, que não tem nada a invejar aos europeus, com equipamentos como quadros digitais, videoprojetores, sala de informática, cantina ou campo de jogos, entre outros.

"Identificaram-me pessoalmente, em 15 de julho de 2016, como pertencente ao movimento Gulen", recorda Emre, o que é negado.

Emre não pode regressar à Turquia, como nove outros turcos que estão no país, sob pena de prisão. Eles possuem um estatuto de refugiado e são acompanhados pelo Alto-Comissariado da Organização das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

"Os turcos beneficiam da proteção jurídica do Estado centro-africano. O ACNUR está enquanto observador", explicou uma fonte desta organização, que admite a impotência desta, se Bangui cedesse aos desejos de Ancara.

"No Gabão, o ACNUR protestou, recorreu às autoridades, mas isto não serviu para nada", recorda-se uma fonte humanitária, que assistiu ao encerramento da escola A Luz, de Libreville, e à deportação em abril para a Turquia do diretor, do seu adjunto, de um professor e das respetivas famílias.

"O Gabão privilegiou a relação inter-Estados. Estou certo de que eles (os dirigentes gaboneses) tiveram muito a ganhar", afirmou Jean Serge Bokassa, que assegurou ter recebido "propostas" de Ancara, quando foi ministro centro-africano da Segurança e da Administração Territorial.

Em março de 2017, diplomatas turcos foram visitá-lo. "Recorreram à intimidação verbal e à promessa de prendas", recordou Bokassa.

Acrescentou que recusou estas propostas, tal como outro ministro da altura, que preferiu permanecer no anonimato.

"Disse-lhes 'se nos quiserem ajudar, construam um estabelecimento, em vez de fecharem um'", explicou, recordando ainda que, por várias vezes, foi convidado a ir à Turquia e a receber "presentes".

Bokassa recordou ainda que lhe disseram que, se aceitasse as propostas, não teria nada a lamentar.

Se a escola conseguiu resistir foi, desde logo, porque "não há embaixada turca no país e poucos laços económicos e diplomáticos", afirmou um conhecedor do dossier. "Depois, a direção da escola tem muito boas relações com o governo -- a diretora-adjunta da escola Galaxy para raparigas é a mulher do primeiro-ministro -- e beneficia de um muito bom nível escolar".

A Galaxy apresenta excelentes resultados, com 83% de aprovação nos exames nacionais no final do secundário, contra uma média nacional de 12%.

Segundo Jean-Serge Bokassa "lobbies próximos do poder centro-africano procuram organizar uma aproximação com a Turquia". Apesar de ser um opositor ao presidente Faustin-Archange Touadéra, felicita-se pela firmeza do executivo: "Por enquanto, congratulo-me por o presidente não ter cedido".

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