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As voluntárias que estão 'reféns' da esperança

As chuvas, a morte do mergulhador na véspera do resgate das quatro crianças e a corrida contra o tempo da equipa de salvamento não 'minam' a esperança das voluntárias no centro logístico em Mae Sai, na Tailândia.

As voluntárias que estão 'reféns' da esperança
Notícias ao Minuto

10:19 - 09/07/18 por Lusa

Mundo Tailândia

A equipa que prepara a comida que é levada para o terreno, a partir do 'acampamento' montado pelas autoridades tailandesas, é na sua esmagadora maioria constituída por mulheres, de todas as idades.

Fah Nantida tem 34 anos e duas semanas sentidas bem na pele, a trabalhar como voluntária na confeção das refeições de todos aqueles que passam pelo centro de apoio, um esforço de 12 horas diárias que não lhe 'rouba' o otimismo.

"Estou aqui enquanto for precisa, praticamente desde o primeiro dia", disse, ela que é natural de Mae Sai, a cidade da província de Chiang Rai que desde o dia 23 de junho tem vivido sobressaltada com a notícia de que uma equipa de futebol, 12 crianças e o seu treinador, ficou aprisionada no interior de uma gruta parcialmente inundada.

A informação de que quatro dos rapazes foram resgatados no domingo deu mais confiança a Nantida, uma desempregada que encontrou neste trabalho de voluntariado uma força maior para acreditar.

"Tenho que pensar o melhor e fazer o que é necessário", reforçou, enquanto arrumava restos de banana frita e preparava rolos vegetarianos para o jantar dos socorristas.

Ao seu lado, Pranti Srisamoot, de 10 anos, dizia timidamente que só falhara a primeira semana porque esteve doente, para depois marcar presença diária na 'cozinha' com a mãe Phonphan Lesak.

Pranti, por timidez ou modéstia, não gosta que lhe chamem voluntária. "Estou aqui só a ajudar", precisou.

A mãe, Phonphan Lesak, que se desloca todos os dias para o 'acampamento' desde que ele foi instalado, quase prefere não falar, mas o seu olhar é já por si uma confissão mais do que evidente do orgulho que sente na filha.

"É bom para ela, nesta idade" dar apoio às operações, sobretudo porque "podia ser ela a estar presa na gruta", admitiu, a custo.

Esta manhã, pelas 10:30 [04:30 em Lisboa], o ministro do Interior da Tailândia, Anupong Paojinda, informou que são os mesmos mergulhadores que estão a tentar executar a extração, uma vez que conhecem já o caminho, as condições da gruta e o que fazer, mas também que as crianças estão saudáveis.

Em conferência de imprensa, algumas horas depois do reinício da operação de resgate, o chefe da célula de crise, Narongsak Osottanakorn, indicou que as quatro crianças que sairam da gruta no domingo Tailândia estão bem de saúde, mas ainda sem contacto com os pais, devido ao perigo de infeções.

Poucas horas depois de ter começado a segunda fase da operação de resgate, as autoridades tailandesas dizem que a chuva que caiu durante a noite não mudou o nível da água na gruta, onde oito crianças e o treinador ainda se mantêm.

"A segunda operação começou pelas 11:00 locais [05:00 em Lisboa]. Em poucas horas teremos boas notícias", disse à imprensa o chefe da unidade de crise.

Nove (oito rapazes e o treinador) elementos da equipa de futebol Wild Boars permanecem encurralados na gruta Tham Luang, situada na província de Chiang Rai, no norte da Tailândia, junto à fronteira com Myanmar (antiga Birmânia) e o Laos.

Os 12 rapazes, com idades entre os 11 e os 16 anos, e o treinador, de 25, foram explorar a gruta depois de um jogo de futebol no dia 23 de junho.

Na altura, as inundações resultantes das monções bloquearam-lhes a saída e impediram que as equipas de resgate os encontrassem durante nove dias, uma vez que o acesso ao local só é possível via mergulho através de túneis escuros e estreitos, cheios de água turva e correntes fortes.

Nas operações de socorro participam 90 mergulhadores, 40 tailandeses e 50 estrangeiros.

O local onde os jovens ficaram presos situa-se a cerca de quatro quilómetros da entrada da gruta, num complexo de túneis com zonas muito estreitas e alagadas pelas chuvas da monção que afetam a zona, o que obriga a que parte do percurso tenha de ser feito debaixo de água e sem visibilidade.

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