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Boris Johnson admite em privado que brexit está "a caminho de uma crise"

O chefe da diplomacia britânica, Boris Johnson, disse num encontro privado que o Reino Unido está perante "o momento da verdade" nas relações com a União Europeia e a "caminho de uma crise" por causa das negociações.

Boris Johnson admite em privado que brexit está "a caminho de uma crise"
Notícias ao Minuto

10:04 - 08/06/18 por Lusa

Mundo Gravações

As declarações de Boris Johnson foram gravadas em segredo durante um jantar do grupo conservador britânico 'Conservative Way Forward' e distribuídas pela BuzzFeed uma plataforma de notícias difundidas através da internet.

Os jornais de Londres reproduzem hoje as declarações do chefe da diplomacia britânica - que defende publicamente uma "saída dura" do bloco europeu incluindo a união alfandegária.

As declarações são divulgadas na mesma altura em que se registam "momentos críticos" nas negociações com Bruxelas simultâneos com o conflito no Partido Conservador do Reino Unido por causa do modelo das futuras relações comerciais entre Londres e a União Europeia.

De acordo com as gravações, Johnson afirma que o 'Brexit' é "irreversível" e que o Departamento do Tesouro é o "coração" dos que defendem a permanência do Reino Unido na União Europeia.

O ministro dos Negócios Estrangeiros refere-se mesmo ao ministro da Economia, Philip Hammond, o governante "mais pró-europeu" do Executivo de Theresa May, acusando-o de querer manter um forte vínculo comercial com a União Europeia.

Sobre o atual período negocial, Johnson disse que vai intensificar-se uma fase combativa com Bruxelas e que é preciso não entrar "em pânico" com uma possível "crise".

"Temos de ser conscientes de que pode haver uma crise. Não quero ninguém em pânico por causa da crise", disse, utilizando a palavra inglesa "meltdown" no sentido em que pode ser traduzida por "desastre" ou "colapso".

"Que não haja pânico. No final vai correr tudo bem", acrescentou o chefe da diplomacia britânica.

De acordo com a imprensa britânica, no jantar com Boris Johnson estiveram presentes cerca de vinte pessoas.

Sobre as dificuldades negociais relacionadas com a questão da fronteira entre a província britânica da Irlanda do Norte e a República da Irlanda, o ministro terá afirmado que se trata de uma "maluquice" e que não vai haver problemas graves.

Londres e Bruxelas tentam encontrar uma solução sobre a questão da fronteira, um dos aspetos considerados fundamentais para o processo de paz na província britânica.

"É uma absoluta maluquice", disse Johnson, acrescentando-se que se trata de uma questão menor e sublinhando que são "poucas" as empresas que utilizam a fronteira de forma constante.

"Estamos a deixar que a nossa agenda esteja a ser controlada por esta loucura", criticou Johnson.

No mesmo jantar, o ministro dos Negócios Estrangeiros disse também que admira cada vez mais a forma de governar do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

"Estou cada vez mais convencido de que há um método na sua loucura. Imaginem Trump a tratar do 'Brexit'. Seria muito duro, provocaria todo o tipo de falhanços e instalaria o caos. Toda a gente seria levada a pensar que estava louco. Mas, na verdade iria conseguir chegar a algum ponto", disse Johnson.

O governo conservador de Theresa May enfrenta divisões internas entre os ministros que apoiam um modelo de "associação alfandegária" em que o Reino Unido poderia cobrar taxas em nome da União Europeia sobre os bens desembarcados nos portos britânicos, mas destinados aos 27 países da união, evitando, desta forma, novos postos de controlo fronteiriço.

Outros ministros e membros do Partido Conservador preferem mais "facilitismo" que através do recurso ao uso de tecnologia para minimizar a necessidade de controlos de fronteira depois do Brexit.

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