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“Defendemos que as mulheres devem ser a melhor versão de si mesmo"

“Proud to be a women” é como a marca de calçado português resume o poder da mulher. Ou melhor, #proundtobeawomen, não fosse este um negócio que se apoia no online, principal forma de venda que leva a Josefinas a todo o mundo. No dia em que se celebra a Mulher, falamos com a co-fundadora da Josefinas, marca que dedica todo o seu trabalho ao sexo feminino.

“Defendemos que as mulheres devem ser a melhor versão de si mesmo"
Notícias ao Minuto

08:35 - 08/03/18 por Mariana Botelho

Lifestyle Josefinas

#Proudtobeawomen “é a hastag que sempre usamos porque em tudo o que fazemos, devemos sentir orgulho em ser mulher”.

Foi com foco nesta simples ideia que surgiu a marca que é, em tudo, uma ode às mulheres. Surgiu pelas mãos da Filipa Júlio e da Maria Cunha, que se conheceram num concurso de ideias. “Uma coisa levou à outra e mal a Josefinas nasceu, eu entrei eu”, conta-nos Sofia Oliveira, hoje relações públicas da marca.

Cada coleção, que não tem a periodicidade de ser apresentada a cada estação, tem uma história para contar, desde a a mais recente, ‘Dancing Shoes’, que propõe “os verdadeiros sapatos de dança” à coleção ‘Mil e uma noites’ que foi apresentada como tendo “as sabrinas mais caras do mundo”. Foi dedicada a quem queria “algo único” como aponta Sofia, mas principalmente aos artesãos portugueses que foram representados nas técnicas com que cada sapato contava.

A par da atenção dada a Portugal e às técnicas do calçado feito à mão, é também comum a cada sapato Josefinas o fato de não ter salto alto – uma caraterística que vem derrubar a ideia de que o salto alto é que é o simbolismo da mulher que reflete força e confiança. Sem salto alto, com o maior dos confortos e toda a elegância que se quer num sapato feminino, a Josefinas dedica-se assim à verdadeira perseverança da Mulher.

Quanto ao segredo da marca? “sermos genuínas e fazer aquilo em que verdadeiramente acreditamos”. Uma ideia tão simples quanto a de se ter orgulho em ser mulher, e cujo sucesso fala por si, através do crescimento que se nota nos seis anos da marca.

De que forma conseguem ajudar as mulheres através da Josefinas?

A Josefinas é mais do que uma marca de sapatos. Acreditamos que, através de sapatos rasos, conseguimos ajudar e inspirar a que se ajude as mulheres, e fazemo-lo de várias formas: de uma forma mais local e de uma forma mais direta.Vou explicar o que quero dizer: através do dinheiro, conseguimos apoiar várias mulheres que são marginalizadas ou que foram maltratadas, por exemplo. O que acontece é que, com o dinheiro que conseguimos reunir, e também com a ajuda das nossas clientes, estas mulheres conseguem ir a escola, ter educação e acima de tudo conseguem desenvolver pequenos negócios através do qual possam tornar-se independentes e acabar por mudar o ecossistema familiar, ou seja, os filhos acabam por ir para a escola, onde ganham novas oportunidades. No fundo, acaba por se conseguir um ecossistema mais feliz para essas mulheres que estão em situação de conflito.

Todos os sapatos Josefinas ajudam para esta angariação de fundos de que falou?

Não são todos. Tivemos edições especiais que visam ajudar mulheres através dessas organizações. São elas as Josefinas Women for Women, que acabou por ajudar a Women for women internacional e as Josefinas mãe e filha, que são dois modelos iguais, para a mãe e para a filha.

Acabamos por verdadeiramente inspirar outras mulheres empreendedoras com sonhosE de que outra forma ajudam as mulheres a ter o seu próprio poder?

O que acontece é que através de estratégias de marketing vamos trilhando o nosso caminho e acabamos por verdadeiramente inspirar outras mulheres empreendedoras com sonhos. Sabemos que há muitas mulheres portuguesas que pensavam que não eram capazes de começar um negócio e encontram em nós o sentimento de esperança de que tal é possível. Muitas vezes trocamos ideias, apoiamo-nos mutuamente e até já aconteceu dessas conversas mais informais surgirem negócios que estão agora a começar, portanto acaba por haver várias formas de inspirar outras mulheres.

Esta é uma ideia que ainda precisa de ser defendida? A do poder da mulher e da igualdade de direitos? Acha que tal ainda não se vive em Portugal?

Eu acho que ainda se deve falar sobre isso, trilhar momentos awareness, educar. Acho que carecemos muito de uma educação nesse sentido para esclarecer conceitos e acho que a educação tem um papel preponderante para percebermos o que se passa. Dou o exemplo do sapato enquanto símbolo: o sapato de salto de alto simboliza força e confiança quando, na verdade, muitas mulheres não querem usar esse tipo de sapato porque não se dão bem com ele, acham desconfortável e na verdade elas têm de se sentir a melhor de si mesmo, por elas. Nós não defendemos o que não está bem, defendemos que as mulheres podem ser a melhor versão de si mesma de sapatos rasos, não precisam de salto se não o quiserem. Enfim, até mesmo numa coisa tão simples, existe toda uma simbologia que não é necessariamente verdade.

O vosso produto mais icónico são as sabrinas. Além disso, a vossa proposta para esta primavera/verão foram os dancing shoes. Esta ligação à dança é de certa forma uma homenagem à avó Josefina, a quem associam uma história pessoal que recorda sempre o ballet e que deu nome à marca?

A força desta história carinhosa que acabou por dar o nome da marca, neste caso através da avó Maria Josefina acaba por estar sempre presente porque nós começamos com as sabrinas, a coleção número 1, que vinha justamente do ballet, que a Filipa [uma das fundadoras e neta da Maria Josefina] praticava, mas sobretudo aquilo que a avó lhe transmitia, a ideia de perseverança e o ‘tu consegues’ e ‘não desistas’. A par disso, ela levava-a ao ballet, tudo de uma forma muito carinhosa, que deixou as melhores memórias.

A verdade é que não podemos dançar num sapato desconfortávelCom os ‘Dancing Shoes’ continua a ser importante esta relação com o ballet, mas aqui acabamos por tentar contar uma outra história: temos a elegância do ballet, a que associamos as sabrinas de pontas mas o que sabemos é que o sapatos de pontas são dolorosos e a verdade é que não podemos dançar num sapato desconfortável. Estes sim são os verdadeiros saltos altos. Esta analogia e esta metáfora, foi onde quisemos chegar.

Notícias ao MinutoMaria Cunha, uma das fundadoras da marca© Josefinas

Sentiram dificuldade ao criar a marca, em 2012?

Sim, o calçado ainda é um mundo dominado por homens, fazer valer a ideia de sabrinas que as pessoas consideravam caras na altura – uma perceção que se alterou mas que na altura foi o que aconteceu - e ainda começar um negócio através de venda online, de uma marca que não vai a feiras e ignora as tradicionais abordagens, foi uma barreira inicial, mas acho que com a nossa determinação, força e apoio, conseguimos ultrapassar isso.

E hoje a marca tem bastante sucesso. É calçada por figuras publicas portuguesas como Ana Sofia Martins, e até já chegou aos pés de Chiara Ferragni, a blogger mais influente do mundo. Qual é o segredo deste sucesso para conseguir chegar tão longe?

O segredo passa por sermos genuínas, o fazermos verdadeiramente aquilo em que acreditamos. A Josefinas é o reflexo daquilo em que acreditamos. Quando criámos a Josefinas, sabíamos que estávamos a criar algo que era possível de se alcançar. Porque não? Porque é que as mulheres não podem ser a melhor versão de si mesmo através do calçado? Nós encontramos mulheres que querem sapatos rasos, por isso damos lhes sapatos rasos. Queremos marcar a diferença, passar a nossa mensagem. Além disso, este é um produto extraordinário, feito a mão com um corte muito bom e confortável. Acima de tudo, são estes os nossos valores, o que nos representa. Acho que funciona bem graças a essa diferenciação que fez com que a Josefinas conseguisse chegar um bocadinho mais longe.

Não pensam em abrir uma loja no pais?

Para já não, estamos apenas online. Tivemos uma pop up no fim do ano, em dezembro, em Lisboa, que foi extraordinária, apareceram centenas de mulheres, o que foi incrível.

Neste evento receberam mais portuguesas ou estrangeiras?

Foram mais portuguesas, embora tenhamos tido muitas turistas, o que foi muito engraçado, mas em Lisboa, apesar de ter sido num fim de semana, foram maioritariamente portuguesas. Tivemos cliente, fãs, foi incrível, também contamos com a presença da Ana Sofia Martins e da Catarina Furtado, que foram lá dar-nos um beijinho e força, o que foi muito bom.

Mas para já, o nosso negocio é só online e pontualmente poderão existir espaços físicos temporais, como foi o caso da pop up em Lisboa.

E o publico em geral das Josefinas, foca-se mais nas portuguesas ou na mulher estrangeira?

Portugal é um mercado muito importante para nós. Somos muito por Portugal, foi onde começamos, portanto nunca o esquecemos. A par de Portugal temos mercados internacionais que são estratégicos, nomeadamente os Estado Unidos, onde está o nosso maior mercado internacional. Hong Kong está a crescer, sendo outro mercado muito importante para nós, e também estratégico, aliás, já temos o site em japonês mas sem duvida que Portugal é do mais importante para nós. Nós somos portuguesas, estamos em Portugal, outra coisa não fazia sentido.

Há pouco falava no preço das sabrinas, que começou por ser um entrave. A verdade é que uma coleção chegou a ser apresentada como ‘as sabrinas mais caras do mundo’...

As Josefinas mais caras do mundo são umas sabrinas que contaram com um topázio azul e nasceram da coleção ‘Mil e uma noites’, em 2015. O que aconteceu foi que recuperamos aquela ideia comum de que tudo é caro, e acho que as Josefinas contribuíram para mudar essa falta de reconhecimento do valor do saber fazer português, ou seja, português tinha de ser barato, e isso não é verdade. Nós temos grandes tradições de talento incríveis e quisemos recuperar isso para mostrar às pessoas que o que é português é extraordinário. Nós temos mestres sapateiros a trabalhar connosco que trabalham desde os 16 anos, e já são homens que podiam ser meus avôs, já são muitos anos a saber fazer. E com essa coleção quisemos fazer um manifesto, uma homenagem às artes portuguesas, neste caso à arte do sapato e à joalharia portuguesa.

O saber fazer dos nossos artesãos é impagável, daí a provocação deste manifestoNas nossas coleções tentamos sempre recuperar essa ideia, por exemplo nas Josefinas Rose Couture cada par demora cerca de 16 horas a ser bordado à mão. O talento, o trabalho, o saber fazer dessas pessoas é impagável, daí quase a provocação deste manifesto das ‘Josefinas mais caras do mundo’ e no fundo, os que a compraram queriam coisas mesmo únicas, é desta forma que o vemos.

Consegue apontar uma coleção que tenha tido maior sucesso?

Começamos com as sabrinas e aí a Josefina rosa frágil acabam por ser uma das mais icónicas e mais rentáveis. Depois, nas sapatilhas, temos a Thelma e Louise, que são ornamentadas com faux fur e também foram muito bem recebidas.

Notícias ao MinutoSabrinas Rosa Frágil, da coleção Nº1© Josefinas

Que outros projetos a Josefinas está a preparar? Acabaram de lançar a coleção para esta primavera/verão...

Nós acabamos por não funcionar muito com coleções, vamos lançando de mês a mês ou mês e meio a mês e meio as novas coleções. Isso também é uma coisa que carateriza a Josefinas - estamos sempre a introduzir novos produtos.

Ainda este mês, vamos ter uma surpresa, uma coisa que já nos estavam a pedir há muito tempo. As mães vai gostar muito. Sem revelar, revelando, vai ser um momento muito ternurento.

E outros espaços físicos temporários?

Para já, com data fechada, não temos nada a indicar. Poderá haver qualquer coisa a curto-médio prazo, mas ainda não é seguro apontar uma data.

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