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"Mais do que um ansiolítico, o amor terá a função de um pacemaker"

Psicólogo, psicanalista, professor e autor. E um homem de fé no amor. Naquele em que se celebra o Dia dos Namorados, Eduardo Sá é o entrevistado do Vozes ao Minuto.

"Mais do que um ansiolítico, o amor terá a função de um pacemaker"
Notícias ao Minuto

08:45 - 14/02/18 por Daniela Costa Teixeira 

Lifestyle Eduardo Sá

'Quem nunca morreu de amor?', pergunta Eduardo Sá no seu mais recente livro (editado pela Lua de Papel), uma obra que mistura a fantasia da paixão com a essência do amor e a psicologia que se esconde em tudo aquilo que sentimos por alguém e que, não raras vezes, escasseiam palavras para o exprimir.

Mas falar em amor é muito mais do que dizer o eterno ‘Amo-te’. Falar em amor é falar em memórias, afetos e até mesmo em sobrevivência.

“O amor, mais do que dar saúde, torna-nos jovens. E, mais do que bem-estar, faz-nos renascer. Seja como for, o amor traz-nos a tranquilidade de sermos lidos por alguém mesmo à margem da necessidade de palavras. Logo, mais do que um ansiolítico, terá a função de um pacemaker”, conta-nos o psicólogo e autor de mais de 30 obras, uma boa parte delas dedicada à psicologia infantil e aos desafios da maternidade e paternidade.

Para Eduardo Sá, falar em amor é também falar em saúde, falar em conhecimento e em trabalho mútuo. Falar em amor é falar em desamor, em surpresa e em fantasia. Sabemos falar de amor? Possivelmente não, até porque, escreve o autor no seu livro, “fomos todos mal-educados para o amor”. Mas a história de João e Esmeralda, os protagonistas da obra, ajuda-nos a compreender a complexidade do sentimento. 

Sem o amor, a rotina, o banal e os impasses criam constrangimentos onde só a sua presença liga mente e corpo. Por outras palavras, as pessoas adoecem de tanto se sentirem mal-amadas

Comecemos pela pergunta mais óbvia, mas talvez mais difícil de responder. O que é o amor?

O amor é o testemunho de uma criança que sobreviveu à sua infância. E é tudo aquilo que nos liga a uma Humanidade que parece ter-se desencontrado da sua natureza humana. Talvez por isso, o amor seja ingénuo e sábio. E transparente. E amigo do espanto. Desconcertante. E simples!

Para todos aqueles cujo coração parece ter-se burocratizado, talvez seja por isso que o amor pareça uma miragem. Ou uma ilusão. E, no entanto, o amor é a prova de duas pessoas que se comungam. E, só por isso, se escutam com aquilo que sentem. Falam de si quando olham uma pela outra. E são atentas e íntimas sempre que são transparentes e humildes.

É possível viver sem (dar e/ou receber) amor?

Não. Ou, talvez, sim. Se, ‘tecnicamente’, viver for uma prova de vida que se faça que com um coração que bate, uma cabeça que se agita ou um corpo que se move. Mas o amor é mais; não é? Se o amor é aquilo que nos torna vivos, todos os dias, talvez as pessoas que sobrevivam sem ele o façam ancoradas na memória dos amores que já perderam ou se agarrem a um amor que acreditam que virá ao seu encontro. Se for assim, não é possível estar vivo e viver sem dar e sem se receber amor.

Talvez esse lado negro do amor tenha a ver com a convicção de que basta o desejo de vivermos felizes, para sempre, para que isso de dê

Qual a verdadeira importância deste sentimento na saúde e no bem-estar das pessoas?

O amor, mais do que dar saúde, torna-nos jovens. E, mais do que bem-estar, faz-nos renascer.

Seja como for, o amor traz-nos a tranquilidade de sermos lidos por alguém mesmo à margem da necessidade de palavras. Logo, mais do que um ansiolítico, terá a função de um ‘pacemaker’. E traz a redenção de nos levar a sentir acompanhados por dentro e por fora. Logo, afasta o desamparo, sossega os sentimentos de descuido e revolve a indiferença. E traz a clarividência e a claridade. Logo, devolve-nos aquilo que sentimos e acarinha o pensamento. Sem o amor, a rotina, o banal e os impasses criam constrangimentos onde só a sua presença liga mente e corpo. Por outras palavras, as pessoas adoecem de tanto se sentirem mal-amadas.

Às vezes, 'cola-se' ao amor uma aragem um bocadinho ‘medieval’. Como se ele não nos oferecesse dúvidasÉ dado o devido valor ao amor, seja por parte das pessoas ou até mesmo da ciência?

Sim! Por mais que sejamos todos, vezes demais, cheios de melindres, preguiçosos e até medricas com o amor. E não. Porque, às vezes, se ‘cola’ ao amor uma aragem um bocadinho ‘medieval’. Como se ele não nos oferecesse dúvidas. Como se não tivesse mistérios. Como se fosse supérfluo falar dele, compreendê-lo ou virá-lo do avesso. É estranho - não é? - que sendo o amor tão indispensável seja abordado como se fosse tão supérfluo. 

Nos filmes e livros há quase sempre a velha máxima do 'viveram felizes para sempre'. Mas a realidade não é bem assim. O amor tem algum lado 'negro'?

Eu acho que sim, que tem. Talvez esse lado negro tenha a ver com a convicção de que basta o desejo de vivermos felizes, para sempre, para que isso de dê. Quando, na verdade, no amor, ao sempre se chega quando trabalhamos para ele, todos os dias.

 Imaginando o amor adulto, talvez a monogamia traga o desafio de maior complexidade que todos conheçamos: amar todas as pessoas numa só

No seu livro diz que todos os amores morrem, especialmente aqueles que não são alimentados. Como se alimenta um amor?

O amor alimenta-se quando somos amorosos, amáveis e amantes. E quando isso tudo se liga com pequenos-nada. Com gestos. Com palavras. Com uma agenda própria - um ‘namorário’ - que se sobreponha a todas as agendas que o ‘sequestram’ e nos levam ao desmazelo. O amor alimenta-se com o namoro.

Amarmo-nos a nós não é amar. É adorarmo-nos. É envaidecermo-nos. É alimentarmo-nos de narcisismo sempre que o amor escasseia ou faltaÉ possível amarmos mais os outros do que nos amamos a nós mesmos?

Ao amor próprio só se chega com o amor que se recebe em função do amor que se dá. Começarmos por nos amar a nós mesmos para amar os outros é pressupor que toda a verdade é uma convicção que fraqueja e se abala com qualquer contraditório. Amarmo-nos a nós não é amar. É adorarmo-nos. É envaidecermo-nos. É alimentarmo-nos de narcisismo sempre que o amor escasseia ou falta. Amarmo-nos a nós é uma espécie de 'grito de triunfo' a que deitamos a mão para sossegar uma solidão preenchida com pessoas que não nos conseguem ligar à vida.

É possível amar, do ponto de vista passional, mais do que uma pessoa ao mesmo tempo, tendo em conta a cultura monogâmica em que vivemos?

O nosso coração não tem só quatro cavidades... Tem inúmeros lugares mais. Tantos quantos aqueles que todas as pessoas que amamos necessitam. Mas, imaginando o amor adulto, talvez a monogamia traga o desafio de maior complexidade que todos conheçamos: amar todas as pessoas numa só.O amor transforma-nos de todas as vezes que nos torna mais iguais a nós próprios

Há uma forma 'certa' de amar?

No amor, tudo aquilo que for tomado como certo arrisca-se a não ser verdadeiro...

Quantas vezes somos capazes de amar?

Todas aquelas que forem necessárias para nos descobrirmos para o amor. E mais uma, claro.

E onde entra a paixão no amor?

A paixão é um amor arrebatado. O amor é uma paixão avassaladora que se transformou numa força tranquila.

Por que razão as pessoas mudam a sua forma de estar e até alguns dos seus comportamentos ou hábitos mais comuns quando estão apaixonadas? O amor é mesmo capaz de transformar uma pessoa?

Sim! O amor transforma-nos de todas as vezes que nos torna mais iguais a nós próprios.

O amor de João e Esmeralda é o protagonista deste livro. Revê-se nesta história como espera que os leitores se revejam no amor que aborda neste livro?

Sim, claro. É por isso que digo, ao entrarmos, que é perigoso folhear um livro que fale do amor.

Este é o quarto trabalho que o Eduardo dedica ao amor. É um eterno apaixonado?

Acho que sou, simplesmente, um homem de fé. No amor!

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