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Muito para lá da gota. Conheça as consequências do ácido úrico alto

O investigador Pedro Bastos sublinha que no que toca ao ácido úrico, os valores ditos ‘normais’ não são ‘normais’. Em entrevista ao Lifestyle ao Minuto revela todas as consequências que este marcador pode ter para a saúde.

Muito para lá da gota. Conheça as consequências do ácido úrico alto
Notícias ao Minuto

08:20 - 13/10/17 por Vânia Marinho

Lifestyle Saúde

No IV Congresso Europeu de Nutrição Funcional, que se realiza no dia 14 de outubro no Hotel InterContinental, em Lisboa, Pedro Carrera Bastos, investigador e responsável do comité organizador deste congressos e da II Conferência Internacional de Nutrição Evolutiva (dia 12), vai falar sobre o ácido úrico e de como os valores ditos ‘normais’ não são de facto ‘normais’.

Em entrevista ao Lifestyle ao Minuto, Pedro Bastos revela que geralmente as pessoas só se alarmam com os níveis de ácido úrico qundo estes superam os 6,4 mg/dl, pois nesta circunstância já se podem formar cristais que podem acumular-se nas articulações e provocar gota, uma condição conhecida pela inflamação e dor nas articulações, provocadas pela acumulação de cristais de ácido úrico.

“Geralmente olhamos para o ácido úrico elevado - a partir de 7mg/dl em homens e acima de 6 mg/dl em mulheres - e pensamos no risco de gota, mas abaixo disso já existem vários outros problemas”, destaca.

“Hoje sabe-se que acima de 5,2 mg/dl já há um aumento do risco cardiovascular, por exemplo. Por cada aumento de 1 mg/dl no ácido úrico, o risco de disfunção erétil duplica. Também pode causar alterações renais, diminuir a síntese da forma ativa da vitamina D e aumentar o risco de diabetes tipo 2. Pensa-se ainda que o ácido úrico é um fator de risco para hipertensão arterial, que pode estar envolvido na esteatose hepática [fígado gordo], que pode aumentar o risco de pré-eclampsia na gravidez e que pode estar implicado em alguns tipos de cancro”, conta.

O investigador na Faculdade de Medicina da Universidade de Lund (Suécia) e mestre em Nutrição Humana revela que na sua opinião “a partir de valores acima de 5 mg/dl já devíamos começar a tentar perceber se existem ou não algumas alterações que possam explicar estes valores altos”.

Refere que do lado na nutrição se olha “para o ácido úrico como algo que é causado pela ingestão excessiva de álcool ou de purinas”, mas que “existe uma causa que é muitas vezes esquecida, que é a excessiva ingestão de açúcar”.

As purinas, segundo o especialista, estão presentes, por exemplo, no marisco, em alguns peixes (como as sardinhas), nas leguminosas e nas carnes jovens e carnes de caça. “O que normalmente se faz do ponto de vista nutricional quando alguém tem gota é fazer uma dieta baixa em purinas e retirar o álcool. Isto está certo, mas não chega, porque existem várias outras causas do aumento do ácido úrico”.

A questão do açúcar também é importante. Pedro Bastos explica que “a maior parte do açúcar que ingerimos é sacarose e metade da sacarose é frutose. Sabe-se que a frutose aumenta a produção de ácido úrico. Apesar de este efeito ocorrer independentemente da fonte [frutose natural da fruta ou frutose artificial adicionada nos alimentos], depende da dose que ingerimos e da velocidade a que a frutose é absorvida”.

Para explicar exemplifica que “não é a mesma coisa ingerir uma maçã, que é uma das frutas com mais frutose ( por cada 100 a 120 gr de maçã temos cerca de 11 gr de frutose), em que a quantidade de frutose não é muito elevada e a sua absorção é lenta, ou ingerir a mesma quantidade de frutose que existe na maçã, mas de forma isolada e colocada numa bebida. A segunda vai ser absorvida muito mais rapidamente”.

Além disso, revela que se a fruta tiver vitamina C até vai ajudar a diminuir o ácido úrico, uma vez que “esta vitamina C - presente em couves, brócolos, pimentos, morangos, kiwi e laranja - reduz o ácido úrico. As cerejas, por exemplo, reduzem o ácido úrico e está provado”.

O álcool como já tínhamos referido, não é aconselhado para quem tem níveis de ácido úrico acima de 5 mg/dl. Pedro Bastos destaca que a cerveja é particularmente desaconselhada, pois além do álcool contém purinas, o que faz com que aumente de forma significativa o ácido úrico.

Situações como resistência à insulina, síndrome metabólica e obesidade com resistência à hormona chamada leptina, segundo o investigador, também contribuem para o aumento dos níveis de ácido úrico, pois reduzem a excreção desta substância.

O consumo de ácido oxálico – presente em alimentos como espinafres e ruibardo – também pode reduzir essa excreção, pelo que quem tem níveis aumentados deve fazer uma dieta pobre em ácido oxálico.

Os corpos tónicos, que segundo Pedro Bastos, podem ser gerados numa dieta cetogénica baixa em hidratos de carbono, também pode reduzir a excreção de ácido úrico. O mesmo acontece se a pessoa tiver intoxicação por chumbo.

Existem fármacos que ajudam a reduzir os níveis de ácido úrico e que podem ser combinados com uma dieta que também contribua para esses resultados, portanto o investigador e CEO da NutriScience Portugal recomenda que “fale com o médico e vá ao nutricionista”.

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