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Miúdos tóxicos, adultos tóxicos? Porque o amor-próprio é a salvação

Todos temos um quê de toxicidade em nós. Quem o diz é a psicóloga Diana Gaspar, especializada em Psicologia Positiva e autora de um livro que nos faz refletir sobre a nossa forma de estar no mundo. O Lifestyle ao Minuto esteve à conversa com a especialista.

Miúdos tóxicos, adultos tóxicos? Porque o amor-próprio é a salvação
Notícias ao Minuto

07:37 - 16/09/17 por Daniela Costa Teixeira

Lifestyle Diana Gaspar

Assim que pensamos em pessoas tóxicas é quase impossível não termos a mente invadida por personagens de cinema que nos marcaram pela negativa, que apresentaram uma personalidade dominadora, obsessiva e até mesmo violenta. Mas para pensarmos numa pessoa tóxica basta, por vezes, pensarmos no que fazemos.

"Pessoas tóxicas acabamos por ser todos nós, porque todos nós temos as nossas dificuldades e as nossas vulnerabilidades, que em certos momentos nos fazem sentir de determinada maneira. Muitas vezes relacionamos-nos com os outros de forma não muito construtiva ou saudável. Teoricamente, todos nós temos um potencial tóxico".

A explicação é da psicóloga Diana Gaspar, especialista em Psicologia Positiva, pretendendo chamar a atenção de todos nós para a forma como nos avaliamos e como isso interfere com a relação que temos com os outros. Mas os outros podem também ser tóxicos (com eles próprios e connosco).

"Alguém tóxico, ou alguém muito tóxico, é alguém que não está bem consigo próprio e que desenvolve relações com os outros que não são equilibradas e não são saudáveis", explica-nos a psicóloga por telefone, exemplificando com os ciúmes numa relação amorosa, a inveja numa amizade, ou a chamada de atenção constante de uma criança.

Com o lançamento do livro 'Atrai pessoas fantásticas para a tua vida - 11 passos para te libertares de relações tóxicas, manipuladoras e das expectativas dos outros' [Manuscrito], Diana Gaspar pretende ajudar a "perceber o nível de toxicidade que temos na nossa de vida, dentro de nós, na relação connosco próprios e na relação com os outros".

Notícias ao MinutoAtrai pessoas fantásticas para a tua vida © Manuscrito

Toxicidade infantil. O poder daquilo que vê e que ouve

As relações e os comportamentos tóxicos não são apenas uma questão de adultos, são igualmente algo que se manifesta e interioriza nas crianças, especialmente naquelas cuja toxicidade está ao seu redor e pode ser vista como uma forma normal e correta de estar.

"A criança é uma esponja. Obviamente que todas as crianças têm as suas características individuais, mas acredito que o meio acaba por potenciar umas e por dissolver outras [características]", afirma, adiantando que "se à sua volta a criança vê determinado tipo de padrão a probabilidade de o repetir é muito maior, porque as crianças, mais do que aprender por aquilo que nós dizemos, aprendem por aquilo que nós fazemos".

De acordo com a especialista, "se uma criança tem comportamentos que evidenciam mal-estar, porque a toxicidade é isto, é uma manifestação de mal-estar, é porque não está bem consigo própria e, por isso, desenvolve uma série de comportamentos para não se sentir tão mal ou para se assegurar que as pessoas vão continuar gostar de si. Percebe que quando se comporta de determinada maneira tem determinadas consequências, mas faz à partida porque percebeu que tem necessidade de atenção, de que olhem para ela, de reconhecimento, e valorização, de falta de estima".

Mas não é apenas o mal-estar consigo que impulsiona um comportamento tóxico por parte da criança, aquilo que vê à sua volta também. "Provavelmente, ela vê esse padrão [tóxico] perto dela e vê esse padrão como um modelo de comunicação". Na prática, atira, "nestas idades, se a criança está a manifestar comportamentos deste género é porque tem modelos, digamos assim, perto de si que mostram esta forma de comunicar e de se relacionar com os outros".

"Não querendo entrar muito por aqui, mas, por exemplo, uma mãe que bate na filha mais velha por ela ter batido na mais nova, mostra aqui um padrão de que se resolve as coisas a bater e a criança fica com esse registo. Este tipo de padrão é o que nos faz ver determinados comportamentos como normais e como uma forma de resolução de situações e de comunicar", frisa.

Se a toxicidade em criança passa para a vida adulta, tudo depende da pessoa e do amor-próprio que vai construindo com o tempo, mas que muitas vezes é travado na infância pelos rótulos que são aplicados. "As crianças vão-se construindo pelas mensagens que as pessoas à volta delas lhes vão dando. Muitas vezes quando ouvimos uma criança a falar ouvimos 'a minha mãe diz que eu sou assim', 'o meu pai diz que sou não sei como', 'a minha professora diz que escrevo muito bem'... Portanto, a minha definição e construção enquanto criança vai sendo desenvolvida em função das mensagens que me vão chegando e, como em tudo na criança, também o amor-próprio está em construção".

Por vezes, refere, essa mesma construção à base do que os outros dizem acaba mesmo por arruinar a longo prazo o amor-próprio - ou melhor consciência dos atos e de si mesmo - da criança, amor esse que vem só quando já se é adulto e já se enraizaram determinadas formas menos positivas de estar.

Dizer adeus à toxicidade através do amor-próprio

Apesar de todos nós termos um potencial de toxicidade, é possível que sejamos apanhados na teia da toxicidade de alguém... mas o tempo que lá permanecemos depende apenas de nós. "Num padrão de relação disfuncional, se a pessoa está bem consigo mesma até pode entrar [numa relação tóxica] mas não permanecerá muito tempo".

Mas, se a pessoa que está bem consigo mesma consegue decifrar uma pessoa e uma relação tóxica, a pessoa que tem os comportamentos tóxicos é capaz de ter noção disso? "Não, não tem", diz a autora. "Grande parte das vezes, as pessoas que têm tendência a não estarem bem consigo próprias podem não ter, de facto, essa destreza. Nem é por consciência ou intenção, na verdade,. Se a pessoa ganhasse consciência daquilo que está a fazer e do impacto que vai causar na vida dos outros provavelmente era a primeira a tomar uma mudança de atitude, mas poderia não tomar também. Portanto, a pessoa pode não ter consciência ou noção de que tem uma forma de estar que é disfuncional, especialmente para si, e isso faz com que, antes de espalhar a toxicidade para onde quer que seja, viva esse estado dentro de si".

Segundo a autora, o amor-próprio é fundamental neste tipo de situações, pois uma pessoa que se ama a si mesma, que se aceita tal como é e que tenta ser melhor todos os dias é uma pessoa que não está refém daquilo que os outros pensam ou querem. Como destaca no livro, "a tua relação com os outros é o espelho da tua relação contigo próprio e da qualidade do teu amor". Contudo, essa tomada de consciência nem sempre é fácil.

Embora não haja uma "fórmula" para tal, "o pontapé de saída é um bocadinho o tomar de consciência, saber o que quero fazer e deste querer, saber o que consigo controlar e que passa por escolhas suas, o que pode fazer por si para se sentir melhor com a sua vida, sem esperar que 'A', 'B' ou 'C' mude ou o 'D' deixe de falar mal ou o 'E' deixe de manifestar determinada caraterística".

"É claro que as pessoas à nossa volta acabam por ter uma influência grande na forma como nos vamos sentindo", especialmente nas crianças, mas também "porque somos seres sociais e a socialização é um processo fundamental para o nosso bem-estar e para o desenvolvimento de outro tipo de competência. No entanto, o que se vai observando, é que tendencialmente colocamos a responsabilidade pelo que sentimos no outro".

Mas para lá da consciência, "a pessoa tem de assumir a responsabilidade e perceber que não vai mudar ninguém e que a única variável que muda é aquilo que pode e que depende dela e que ela própria pode fazer por ela. Começar sempre com o que depende de mim e só depois ter outros focos e contextos".

"É como digo no livro, se queres relações fantásticas na tua vida, então torna-te na pessoa fantástica que queres ser, pois assim conseguirás construir relações mais saudáveis, mais felizes, mais construtivas e autênticas, abertas. Mesmo as relações tóxicas são tóxicas porque não somos autênticos, transparentes, porque, por algum motivo, não conseguimos manifestar as nossas dificuldades e aquilo que nos incomoda nos outros", conclui Diana Gaspar.

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